Carlos José Jasmin e Leopoldino de Andrade dividiram o mesmo concreto, compartilharam a mesma dor, acompanharam a mesma derrota em 1950. E só foram se conhecer 64 anos depois. Testemunhas da maior derrota da história do futebol brasileiro, eles voltaram ao Maracanã, agora remodelado, onde esperam que o Brasil vingue aquela derrota para o Uruguai e seja campeão do mundo. Um deles estará presente na decisão do Mundial de 2014, em 13 de julho. O outro a assistirá pela televisão.
Ambos lembram daquele dia em detalhes. Ao se conhecer pelos corredores do Maracanã, eles trocaram impressões sobre o Maracanazzo, jogaram conversa fora, refrescaram as recordações do jogo mais marcante da vida deles - quando ainda eram dois jovens vendo o futebol brasileiro se consolidar.
O encontro serviu para atiçar as lembranças de Leopoldino, 83 anos. Ele sofreu um AVC há 13 e teve a memória prejudicada. Esqueceu muitos acontecimentos da vida. Mas ainda guarda aquela decepção como se fosse ontem.
- Fui para o jogo com meu pai e quatro amigos dele. Estava tudo lotado, não tinha onde sentar. Fiquei no último degrau. Lembro quando o jogo estava 1 a 1, todo mundo achando que ia ser campeão, e de repente tem aquele gol, e aí aquele silêncio todo. Quando acabou o jogo, ficou todo mundo chorando. O que eu mais lembro é isso: eu indo pegar o ônibus 109, para Ipanema, e todo mundo descendo a rampa chorando. No outro dia, foi a mesma coisa, todos muito tristes. Tive um AVC, esqueci muita coisa, mas esse dia eu não esqueço - comentou Leopoldino.
Carlos José Jasmin, 80 anos, também tem a tristeza daquele dia tatuada na memória. O que ele mais recorda é a reação do público e do time depois do segundo gol do Uruguai, marcado por Ghiggia.
- Assisti ao jogo bem na divisão da geral, em cima de uma mureta, segurando numa pilastra. Não tinha outro lugar para ficar. Aí teve aquela derrota, e foi tudo muito triste. O mundo caiu. O time não teve reação. Perdeu a noção da coisa. Todo mundo achava que era fácil. No segundo gol, foi uma tragédia. Eu encontrava as pessoas pela rua, e estava todo mundo perdido.

Fonte: Globo Esporte