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Esporte


Teste CARPLACE: F-Type V8 S é o maior salto da Jaguar nos últimos tempos
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Carros bons de dirigir existem aos montes por aí. Mas automóveis memoráveis de guiar, daqueles que você pensa “cara, eu tenho que andar nesse troço antes de morrer”, esses aí são raros. A Jaguar tem uma boa lista de carros no primeiro grupo – e também alguns que fã nenhum faz questão de lembrar, como o X-Type com plataforma de Ford Mondeo. Uma marca desse naipe, porém, não pode viver apenas de carros bacanas. É preciso que ela seja lembrada como “A” marca que faz “AQUELE” carro. Esse carro é o F-Type.

Com design livremente inspirado no icônico E-Type dos anos 1960 (para muitos o Jaguar mais belo já construído), o F-Type marca o retorno do felino britânico aos pôsteres no quarto da molecada e ao debates dos entusiastas sobre qual o melhor roadster do planeta. Alguns colegas jornalistas já haviam dirigido o modelo e me contado que minha referência de roadster, o Porsche Boxster, havia ficado para trás. Nem preciso dizer, portanto, o quanto eu estava louco para por minhas mãos nesse JAG.

Para arrebatar, a marca mandou para o CARPLACE logo a versão mais invocada do F-Type, a V8 S, com motorzão de oito cilindros sobrealimentado por um compressor mecânico (o S é de Supercharger), de 5.0 litros e 495 cv. É basicamente o mesmo propulsor que empurra (e muito) o Range Rover Sport topo de linha. Imagina então o que ele não faz com um conversível muito mais leve e com proposta bem mais visceral que o jipão da Land Rover? Era o que eu iria descobrir nos próximos três dias.

Acomodado no delicioso banco concha, a primeira providência foi procurar o botão de baixar a capota. Pronto, a cobertura de tecido (um teto rígido acrescentaria peso) se recolhe rapidamente e o ronco do V8 chega mais fácil aos seus ouvidos. Na procura pelo botão da capota, outro comando me parece interessante: é um botãozinho com o desenho de uma dupla saída de escape. Aperto-o e, voi lá, o borbulho do motorzão fica ainda mais explosivo – tipo de arrepiar antes mesmo de sair da garagem. A explicação é que, por meio de válvulas que abrem a 3 000 rpm e alteram o percurso dos gases, o sistema cria um som mais encorpado.

O primeiro passeio noturno revela que o F-Type não é daqueles superesportivos que só aceita sair de casa para arrepiar. Embora tenha potência de sobra nesta versão V8, ele aceita um passeio descompromissado na boa. O câmbio de oito marchas da ZF apresenta a conhecida suavidade nas passagens e a suspensão, quem diria, negocia bem com nosso asfalto meia boca – cuidado somente com os rodões aro 20″ e os pneus de perfil baixíssimo. No modo confortável de ajuste, o Jaguar é um gatinho.

Mas a fase felino domesticado dura pouco – mais especificamente até a primeira acelerada forte. Com o ronco borbulhante que acorda a vizinhança inteira (são quatro saídas de escape neste V8!), é quase impossível andar devagar com esse bicho. Por isso, no dia seguinte levanto cedo – você não dorme direito sabendo que só tem três dias com o F-Type na garagem e um deles já passou! – e tomo o caminho da pista de testes pelo roteiro mais longo (e divertido) possível. Hora de ver do que o Jaguar mais esperado dos últimos tempos é capaz.

Passo o modo de condução para o Dynamic (com o ícone de uma bandeirinha quadriculada) e lá vamos nós. O carro muda completamente de reação: a direção ganha peso, a suspensão deixa de ser boazinha com a sua coluna e o câmbio passa de faca na manteiga a pancada na nuca, com trocas bem mais agressivas. O que vem a seguir é uma mistura de acontecimentos que vai desde um ESP desesperado para conter a entrega de 63,7 kgfm de torque no eixo traseiro até os viciantes estouros dos escapes.

Como esperado, as acelerações e retomadas do F-Type V8 são uma porrada nas costas. Mesmo com o ESP no modo “mãe de primeira viagem” a traseira chacoalha nervosamente em resposta ao seu pé direito, mostrando que se não fosse a eletrônica você provavelmente protagonizaria uma bela rodada. Resolvo então passar o ESP para o modo mais permissivo, e aí a coisa fica séria. É muito motor empurrando o eixo de trás de um roadster de menos de 4,5 metros, e o propulsor está lá na frente adicionando peso. Ou seja, nas curvas mais radicais, a dianteira quer espalhar na entrada da tangente e a traseira quer dançar na saída, exigindo mão habilidosas ao volante e proporcionando gargalhadas espontâneas enquanto o Jaguar vai saltando de curva em curva, como um predador à caça da presa. O Discovery Channel precisa filmar isso!
 
 
 
 
Fonte: Car Place

 

 

 

 

 


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