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Esporte


Chorão na infância, Adriano Martins supera traumas e vira lutador do UFC
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Não era o sonho de ser lutador, tampouco a inspiração em grandes ídolos. Não era a personalidade agressiva direcionada ao esporte, nem a simples vontade de praticar atividade física. Era ordem de mãe e choque de realidade. “Tem que aprender a se defender”, apontava dona Ivanete, cansada de fazer visitas periódicas ao colégio do filho para confrontar os outros meninos, que insistiam em despertar os choros do atual lutador do UFC, Adriano Martins.

“O medo de apanhar, mais a vontade de se superar - e superar os outros -, é o que nos move”. E foi o que moveu o menino franzino aos seus 12 anos. O medo, talvez maior que a vontade de superação, era combustível válido e foi essencial. Filho de dona Ivanete e seu Orlando, pai de família, ex-chorão assumido, faixa marrom de judô, bicampeão mundial de jiu-jitsu, lutador profissional de MMA e detentor de um carisma raro e humilde, esse é, em sua mais pura essência, Adriano Martins.

superação


- Acredito que a luta, num resumo geral, é superação - declara.

E foi assim, do dia que o amazonense decidiu que viveria “do outro lado da moeda”, até a estreia avassaladora no Ultimate, em novembro de 2013. Do primeiro dia num tatame, até as vésperas de sua segunda luta na franquia americana, que acontece neste sábado (25), contra Donald Cerrone, a vida de Adriano segue à risca a regra da superação.

 - A minha vida, desde o começo, foi de muita superação. Me batiam muito, sofria bullying mesmo. Não sei o porquê, acho que talvez por ser muito magrinho. Eu namorava com uma menina e tinha um amigo que era apaixonado por ela, mas eu não sabia. Um dia, do nada, ele veio me bater. Na hora, veio aquela parada de superação e eu pensei: “Não, ele não vai me bater aqui na frente de todo mundo! Eu sou mole, mas também não é assim, né?”.Quando eu vi, tinha finalizado ele e me superado. E foi ali, naquele dia, que eu decidi que não ia mais deixar ninguém me bater – relembra, aos risos, ao relatar a sua primeira "luta pública".

A finalizada, tudo bem, não foi sorte. À época, Adriano já treinava judô. Assim como todo o resto das incontáveis histórias que o amazonense relata, o ingresso na luta também não estava livre de curiosidades. Cansado de assumir o papel de “saco de porrada” da turma da escola, o menino foi ansioso à academia de judô para se matricular. Tudo correria naturalmente, não fosse pela doença que contraiu aos 12 anos e fez com que o “projeto ex-chorão” ficasse na gaveta por quatro meses.

- Só meus irmãos faziam e eu ia todos os dias à academia ficar assistindo. Aquilo foi me encantando. Aprendi muito só olhando. Quando fui treinar, já ia de igual pra igual com a galera. Fui treinando, me dedicando. Depois de três meses já era destaque pelo cenário local. E foi com o judô que eu comecei a melhorar. A arte me fez aprender que a vida é feita dessa diferença – sempre um é mais forte e o outro mais fraco -, mas nada que a gente não possa superar. Com isso, fui compreendendo que tudo é instinto de defesa. Desde o começo sempre foi assim. O medo de apanhar, mais a vontade de se superar - e superar os outros -, é o que nos move - afirma.

do tatame ao octógono


E foi na base da força de vontade que Adriano cresceu dentro dos tatames. Migrou para o jiu-jitsu, fez seu nome e traçou uma carreira incrível para quem, um dia, chorou ao ser encarado nos corredores do colégio. A força de vontade, segundo o próprio, era, literalmente, muita força de vontade. Humilde, o bicampeão mundial e faixa preta assume que no início na arte suave sofria preconceito, no desenrolar dificuldade e no “fim”, desmotivação. E então, já consagrado nas lutas agarradas, aos 19 anos, migrou para o MMA. “A migração, claro, teve muito o peso financeiro. Na época eu não trabalhava,  já tinha um filho, e aí surgia a oportunidade de ganhar mil reais em uma única luta”, justifica.
 
Adriano Martins e seu professor, Júnior Cardoso (Foto: Arquivo pessoal)
 
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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