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Esporte


Avaliação: Honda CBR 500R e Kawasaki Ninja 300 em “caçadores de emoção”
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“Olha, motos de corrida! Qual será que vai ganhar?”, perguntou a menininha para a mãe ao lado, enquanto a gente vestia luva e capacete. Não importa a idade, esportivas mexem com o imaginário das pessoas. Coloridas e com desenho chamativo, Honda CBR 500R e Kawasaki Ninja 300 são apenas a porta de entrada desse universo, mas nem por isso deixam de ser divertidas e desejadas. Foi o que CARPLACE MOTO comprovou ao acelerar essas japas durante uma semana, rodando na cidade, em rodovias e, claro, na nossa estradinha sinuosa favorita. Tudo isso para responder a pergunta da garotinha!

Antes de dar a partida, já avisamos: diferente do comparativo entre as nakeds CB 500F e ER-6n, no qual consideramos diversos aspectos (não só desempenho, mas também conforto, consumo e praticidade), aqui vamos atuar como o Patrick Swayze em “Caçadores de emoção”, filme de sucesso dos anos 1990: queremos diversão a todo custo – mas sem roubar bancos vestindo máscaras de ex-presidentes, OK? Qual delas empolga mais na pilotagem? Qual abre o sorriso mais largo dentro do capacete? Afinal, se não é esportividade que você quer, melhor procurar outras motos.

A CBR 500R é a versão agressiva da nova família de média cilindrada da Honda, com diferenças na posição de pilotagem, mais inclinada, e carenagem frontal. Já a Ninja 300 é o modelo de acesso à gama de esportivas da Kawasaki, com visual e alguma técnica das irmãs maiores, só que em escala reduzida. E aí você nos questiona: “Mas 500 contra 300 não é covardia?”. Bom, prepare-se para surpresas.

Para começar, a Ninja não é uma simples “trezentas”. Com dois cilindros paralelos e duplo comando das oito válvulas, o motor de exatas 296 cm3 entrega nada menos que 39 cv a 11 mil rpm e 2,8 kgfm a 10 mil rpm. Mal comparando, uma Honda CB300 R (a mais vendida do Brasil nesta cilindrada) gera apenas 26,7 cv a 7.500 rpm com seu cilindro único – embora o torque seja semelhante. A diferença, como você já deve ter notado pelos dados da Ninjinha, está na capacidade de giro do propulsor da Kawa, que tem corte eletrônico somente a 13 mil rpm! Resultado: compacta e leve (174 kg nesta versão com ABS avaliada), ela anda muito mais do que se espera de uma 300.

A CBR, por outro lado, investe no visual invocado mas não abre mão do conforto e docilidade que caracterizam a irmã 500F. O motor é o mesmo bicilíndrico paralelo de 471 cm3, 50,4 cv a 8.500 rpm e 4,5 kgfm de torque a 7 mil rpm. Trata-se de uma faixa de rotação modesta para uma esportiva, como podemos perceber na comparação com o regime de giros da Ninja. Em compensação, o torque é bem maior e “chega” antes – garantia de saídas mais rápidas e menos reduções de marcha nas retomadas. Mesmo com porte um pouco maior que o da rival, a Honda também é peso leve: 181 kg nesta versão sem ABS avaliada.

Começando o rolezinho pela cidade, eu e o nosso consultor técnico Eduardo Silveira tivemos opiniões diferentes. Ele preferiu a CB pela resposta mais pronta do motor, além da suspensão ligeiramente mais macia para enfrentar a lida do dia-a-dia. Também gostei da agilidade e da posição de pilotagem da Honda, menos inclinada para a frente. No entanto, a leveza e largura ainda mais compacta da Ninjinha me encantaram. Tudo bem que às vezes você tem que “acordar” o motor com algumas reduções de marcha, mas a 300 é bem mais agradável que a antiga Ninja 250 em baixos giros. Fora isso, o legal da 300 é que ela pode ser usada de duas maneiras diversas: trocando marchas a até 5 mil giros, é uma mansa 300, bem dócil e fácil de tocar no trânsito. Acima disso, empolga como nenhuma 300 é capaz de fazer. O câmbio de seis marchas ajuda com engates muito suaves e mais silenciosos que na Honda. Só é preciso se acostumar com os solavancos vindo do piso, que a suspensão durinha da Kawa não é capaz de digerir.

Saindo para a autoestrada, aí a CB 500 faz valer seu motor maior. Além viajar mais sossegada (5.500 rpm a 120 km/h em sexta), o torque extra garante resposta mais decidida nas ultrapassagens e a suavidade do bicilíndrico impressiona em rotações médias. Já a Ninjinha não se faz de rogada na hora de acompanhar a 500, mas o motor menor depende de um câmbio de relações curtas para se manter vivo. Resultado: elevadas 8 mil rpm a 120 km/h em sexta, o que ocasiona, além do maior ruído, também um nível de vibrações mais sensível para o condutor. Pensando em viajar com garupa? Então esqueça a Ninja. O assento traseiro é ínfimo (a moto avaliada veio até com uma cobertura opcional que a torna um monoposto) e o local do passageiro se segurar é ruim. Não que a Honda seja confortável para o garupa, mas ao menos o banco é maior e mais largo, e a alça de segurança fica bem acessível.

A hora da verdade, porém, vem quando a gente entra na estradinha tortuosa. E é a Ninjinha, acredite, que despeja mais adrenalina na corrente sanguínea: começa pelo motor que muda de comportamento em altas rotações (lembra o VTEC do Honda Civic Si), passa pela leveza do conjunto para apontar nas curvas e termina no acerto mais firme para pilotar agressivamente. O motor é muito elástico, rasgando rotações até 13 mil rpm com um ronco instigante, que realmente lembra uma esportivona. Levinha, ela é ótima para iniciantes em busca de emoção, pois é fácil de levá-la aonde você deseja. As suspensões firmes oferecem mais confiança nas curvas, apesar do pneu dianteiro estreito. E os freios parecem superdimensionados para o tamanho da moto, com excelente resposta – especialmente nesta versão com ABS.Honda CBR 500 R x Kawasaki Ninja 300 Carplace (59)
 
 
 
 
 
Fonte: Car Place

 

 

 

 

 


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