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Esporte


Miguel Pupo evita sorrisos e explica cirurgia na boca: Não fiquei banguela
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Um ano dramático, com um final feliz. Estas foram as palavras de Miguel Pupo para descrever a última temporada do Circuito Mundial (WCT). Após sofrer uma lesão no tornozelo que o tirou dos primeiros eventos de 2013, o paulista de Itanhaém (SP) passou por altos e baixos até garantir a vaga na elite do surfe em 2014. A volta por cima veio na última etapa do ano, em Pipeline, no Havaí, ao chegar às quartas de final e terminar como melhor brasileiro, retomando o seu lugar entre os 32 melhores do mundo. O feito, porém, exigiu o pagamento de uma promessa. Com problemas respiratórios desde a infância, Pupo prometeu a si mesmo que faria uma cirurgia se conquistasse a vaga. Um dia depois de voltar do Havaí, foi submetido a uma operação na boca. Assim que despertou da anestesia, já se sentia melhor. Mas a aparência sofreu uma consequência estética inusitada: o procedimento afastou os dois dentes centrais, e o surfista tem procurado conter os sorrisos.

- Não fiquei banguela. O problema não tinha nada a ver com os dentes, que estavam na minha boca e ainda estão. O meu osso não desenvolveu como deveria. Esse vão que está na frente da minha boca é o espaço que eles abriram no osso. O céu de boca são dois ossos que se juntam, e eles abriram espaço entre esses dois ossos. Não tenho falta de dente nenhum. Pelo contrário, tenho dentes a mais - explicou Pupo, que passou a usar um aparelho dentário e com o tempo verá os dentes central voltarem ao normal com o tempo.

A todo o vapor, o atleta, que ocupa a nona posição do ranking, é um dos destaques da etapa carioca do WCT, que vai até o dia 18 de maio.  

Surfe miguel pupo, rio de janeiro, etapa carioca do circuito mundial de surfe WCT (Foto: Reprodução/Instagram)Apesar do tropeço na estreia do WCT Rio, Miguel Pupo terá nova chance na repescagem (Foto: Reprodução/Instagram)

- O ano passado foi difícil. Começou com a lesão no pé, fratura no tornozelo, recuperação... Voltei antes do tempo, não estava 100% e só melhorei no fim do ano, mas deu tudo certo. Os problemas respiratórios também atrapalharam. Prometi que iria fazer a cirurgia e não pensei muito. Imagina que a nossa boca é uma panela... A tampa, ou seja, a parte de cima da minha boca, era menor do que a de baixo. O osso não se desenvolveu como deveria e ela não encaixava. Meu céu da boca era muito fundo e tapava o meu nariz. Por isso, eu não respirava pelo nariz desde pequeno. Na consulta com o médico, ele disse que eu devia ser muito talentoso por estar entre os melhores do mundo com uma respiração de praticamente 50%. Isso me incomodava, mas eu tinha medo. Salvei a minha pele em Pipeline, venci o medo e operei. Foi uma história dramática, com um final feliz - contou o atleta, radicado em Maresias (SP).  

Uma semana após realizar a cirurgia, Miguel já estava no mar. Remou e pegou as primeiras ondas, "de leve". Doze dias depois, voltou a surfar, mesmo longe dos 100%. Recuperado, o paulista tropeçou na estreia do WCT Rio, mas segue vivo na briga pelo título. Com 9.94 pontos, ele perdeu para o americano Nat Young (11.86) e o brasileiro Alejo Muniz (11.67), contudo, terá uma nova chance na repescagem.   

- Era para eu estar de repouso, mas já estava dando uma nadada, uma surfada de leve. Não podia me arriscar tanto no surfe porque mexeram no meu osso, que estava solto. Não podia bater o rosto, mas não sofri nenhuma pancada. Agora, não quero mais passar sufoco. Estou mais experiente e sei jogar o jogo. Comecei bem a temporada 2014 e cheguei no Rio como top 10. Espero me sair bem. Esta não é exatamente a minha casa, mas terei a torcida a meu favor. Nós, brasileiros, nascemos surfando no "beach break" (ondas que se formam no banco de areia), e eu vou usar isso a meu favor. Estou confiante - disse o atleta.

Surfe miguel pupo (Foto: Reprodução)Miguel Pupo com a namorada em estação de esqui: dentes centrais espaçados após cirurgia (Foto: Reprodução)

 

Um dos segredos para acelerar o processo de recuperação de Pupo foi o jiu-jítsu. O surfista montou um espaço de treinamento em seu quarto, em São Sebastião (SP), com um tatame e alguns equipamentos para o treino funcional.  

- Muitos dos meus amigos praticam jiu-jítsu, e o meu preparador físico é faixa marrom. Montei um tatame para poder treinar e eles acabaram dominando. É um esporte legal, que usa bastante a cabeça, não só a força. Por isso, aderi às artes marciais. Gosto da luta, mas preciso ter cuidado e muita calma para não me machucar. Passo boa parte do ano fora, mas quando estou em casa, no verão, gosto de fazer as coisas que eu não faço durante o WCT, como sair, curtir a namorada que mora nos Estados Unidos e jogar bola com amigos.  

Miguel Pupo, surfe (Foto: Divulgação/ASP)Miguel Pupo não conseguia respirar desde criança e cumpriu a promessa de fazer a cirurgia (Foto: Divulgação/ASP)

Nesta quarta-feira, a etapa brasileira do Circuito Mundial foi aberta com ondas irregulares e pequenas, de no máximo meio metro, em dia de brilho de Gabriel Medina. Líder do ranking mundial, após três etapas, o paulista confirmou o favoritismo e avançou direto para a terceira fase. O jovem de 20 anos driblou as condições ruins do mar com um leque de manobras, somou 14,53 pontos e superou o compatriota Raoni Monteiro (10,17) e o australiano Adrian Buchan (7,87).

Quem também fez bonito foi Filipe Toledo, que apostou nos aéreos e tirou as notas mais altas do dia. Com 9,43 e 8,77, ele somou 18,30 e avançou para a terceira rodada após derrotar o australiano Julian Wilson (13,93) e o espanhol Aritz Aranburu (10,47). Sexto colocado no ranking, Mineirinho não repetiu o bom desempenho do ano passado, quando foi vice-campeão, perdendo para o sul-africano Jordy Smith. Um dos favoritos ao título, o surfista do Guarujá travou disputa acirrada com o português Tiago Pires, mas acabou perdendo por 9.70 a 9.60. O havaiano Sebastian Zietz completou a disputa com um 6,40.

 
 

 

 

 

 

 


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