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Esporte


Tudo para ser um dos melhores na NBA, crê técnico de Caboclo na base
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Desde os tempos em que vivia no município de Pirapora do Bom Jesus, de apenas 15,7 mil habitantes, na Região Metropolitana de São Paulo, Bruno Caboclo já era um predestinado. De origem humilde, o menino nascido em Osasco (SP) e criado no bairro piraporano do Paiol deu os primeiros passos no esporte impulsionado pelo sonho de atuar na NBA. Colecionava revistas, jogos e pôsteres de Michael Jordan e Kevin Durant, como todo o adolescente aficionado por basquete. Quando entrou para as categorias de base do Barueri e era proibido de jogar com os mais velhos, esperava pacientemente no seu canto o momento certo para entrar em cena. Passava horas treinando sozinho, arriscando arremessos como se não houvesse mais nada ao seu redor. Só parava se o técnico Julio Malfi lhe chamasse a atenção. 
 
- O professor Ari, que era técnico dele e meu assistente na época, me pediu para olhar três meninos. Um deles era o Bruno. Eu logo vi que ele faria muito sucesso. Falei: "Ari, esse menino vai para a NBA". Tem tudo para ser um dos melhores do mundo. Eu era técnico do juvenil e assistente do adulto, e o Bruno era do infantil. Como ele sempre se destacou, costumava treinar nas categorias acima. Quando ele estava para subir de categoria e os coordenadores o proibiam de jogar com os mais velhos, ele ficava sentadinho esperando acabar o treino. Passava horas treinando sozinho. Eu puxava a orelha dele e dizia para ele ir para casa, estudar. Mas não adiantava. Era um menino muito predestinado. Trabalhei com ele no Barueri de 2010 a 2012, dos 15 aos 17 anos do Bruno - lembrou Malfi, um dos primeiros a lapidar o talento do prodígio.
 
Aos 18, o ala de 2,06m de altura foi uma das surpresas do Draft da NBA, realizado na última quinta-feira, em Nova York. Comparado a Kevin Durant, astro do Oklahoma City Thunder e MVP da temporada 2013/14, Caboclo foi escolhido pelo Toronto Raptors, do Canadá, na 20ª posição da primeira rodada da seleção. Os longos braços do ala do Pinheiros, que fazem com que sua envergadura, a distância das pontas dos dedos de uma mão até a outra, seja de 2,27m, foram um dos fatores que impressionaram os olheiros da liga americana de basquete. 
 
- O Bruno sempre foi um jogador extremamente alto, mas com uma habilidade dos baixos, algo raro de se encontrar por aí. Ele sempre realizou os movimentos do basquete com muita facilidade e tem um grande controle sobre o corpo. Isso me fez ficar deslumbrado logo que eu o vi. Desde garoto, ele interpretava muito bem o que a gente solicitava e executava tudo o mais próximo da perfeição. É um ala fantástico e ainda tem muito a evoluir. Eu não fui responsável por nada, ele chegou onde chegou porque se dedicou e contou com uma excelente equipe à sua volta, desde o Barueri até o Pinheiros, que conta com uma excelente estrutura para desenvolver jovens talentos - analisou Malfi.
 
Caboclo chamou a atenção em 2013 ao ser eleito o melhor jogador entre outros 45 jovens no Basquete Sem Fronteiras Américas, torneio organizado pela NBA na Argentina. Pelo seu desempenho, o atleta acabou sendo apelidado de “Kevin Durant brasileiro”. Por outro lado, outras publicações canadenses e americanas ainda o descrevem como um "desconhecido". Sites e blogs especializados exaltaram o fato do brasileiro ter sido o mais novo entre os escolhidos, mas ainda duvidam do potencial do brasileiro. 
 
- O sonho dele sempre foi ser jogador da NBA. O Bruno está vivendo um conto de fadas e eu estou muito feliz pela conquista dele. Esse é apenas o começo e eu espero que ele realize todos os sonhos. Eu torço muito por ele. É um jogador muito determinado e vai longe. O próximo passo é a seleção brasileira. Somos da mesma cidade, Pirapora do Bom Jesus, e sempre que nos encontramos batemos um papo, nos falamos por mensagem... Até mandei uma para ele dando os parabéns, mas ele está incomunicável. Imagina, todo mundo está atrás dele, né? E ele merece tudo isso, é um menino de ouro. A vida dele é o basquete - completou o técnico.
 
Em sua primeira entrevista para a imprensa canadense após ter sido escolhido pela NBA, o paulista mostrou um notável esforço para falar algumas palavras em inglês, misturando a timidez a uma evidente felicidade. Nervoso e sem saber ainda como agir diante de tamanho assédio, Bruno precisou até de uma toalha para secar o suor. Suor que será usado para construir um novo capítulo de sua história ao lado dos melhores do mundo.
 
O ala é o sétimo brasileiro a aparecer na primeira rodada do Draft. Além dele, já foram escolhidos entre os 30 primeiros: Tiago Splitter, Nenê, Fab Melo, Rafael “Baby” Araújo, Leandrinho Barbosa e Lucas Nogueira. Caboclo ainda não tem data para retornar ao país e deve ficar os próximos três meses em Toronto, sendo avaliado pela comissão técnica dos Raptors. Na última temporada pelo NBB, Bruno atuou 17 vezes pelo Pinheiros e teve uma média de 4.8 pontos e 3.1 rebotes em 13.17 minutos jogados. A melhor marca do ala na liga brasileira foi de 12 pontos e 9 rebotes contra Limeira, em novembro do ano passado. Bruno Caboclo tentará desbancar o favorito Gui Deodato (Foto: LNB)
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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