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Esporte


Simples e direto, Glover avisa: Se Jon Jones me dominar, ficarei chocado
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 Quem passava pela rua não imaginava que o homem de moleton cinza sentado na mesa de uma cafeteria em Baltmore, nos EUA, não imaginava que diante de si estava um provável campeão mundial. Na tarde da última terça-feira, Glover Teixeira seguiu a rotina adotada desde que chegou à cidade para a disputa do cinturão dos meio-pesados do UFC diante de Jon Jones: sair andando de chinelos pela rua acompanhado da esposa e tranquilamente sentar-se para tomar um café e conversar. Um programa simples, como ele. Por cerca de 45 minutos, o mineiro da pequena cidade de Sobrália não deu uma entrevista apenas ao Combate.com, mas conversou descontraidamente sobre a luta que fará no próximo sábado, pelo UFC 172, contra um dos maiores lutadores do mundo na atualidade, e, segundo suas próprias palavras, um dos melhores da história.

 - Sem desmerecer o Jon Jones, que é um dos melhores da história, agora acabou. Ele é só mais um que está ali na minha frente. Eu o vejo como qualquer um que eu venci nos torneios do Brasil ou no exterior. Ali é mais um oponente que vai sair na porrada comigo. Ele vai ser mais um.

Glover também falou sobre a declaração de Jon Jones de que irá procurar dominá-lo na luta.

- Eu treino com caras tops, como Chuck Liddell, Lyoto Machida, já treinei com o Cigano e com o Cain Velásquez e nenhum deles, nem ninguém, me dominou. Se acontecer o que ele está falando, eu vou ficar muito surpreso. Algumas pessoas acreditam nisso, mas se ele fizer mesmo, eu vou ficar chocado, porque isso nunca aconteceu na minha carreira, nem em treino e nem em luta.

Combate.com: Jon Jones falou que seria o primeiro cara a te dominar. O que você acha disso?
Glover Teixeira: Nas minhas lutas e nos meus treinos as pessoas já sabem que isso é muito difícil de acontecer. Eu já lutei contra o Rampage Jackson e o coloquei pra baixo com muita facilidade. Foram seis quedas que, sinceramente, nem força eu precisei fazer. Lutei contra o Ryan Bader e também botei ele pra baixo. E nenhum dos dois me botou no chão. Eu treino com caras tops, como Chuck Liddell, Lyoto Machida, já treinei com o Cigano e com o Cain Velásquez e nenhum deles, nem ninguém, me dominou. Se acontecer o que ele está falando, eu vou ficar muito surpreso. Algumas pessoas acreditam nisso, mas se ele fizer mesmo, eu vou ficar chocado, porque isso nunca aconteceu na minha carreira, nem em treino e nem em luta. Não acredito também que eu vá dominá-lo assim também, mas acho que a minha mão vai entrar e eu vou conseguir o nocaute.

Você entra na luta pensando em dominar, como Jon Jones, ou seu pensamento é vencer da forma que for?
Não penso em dominar, mas me preparo para as piores hipóteses. Eu treino para isso, para ficar tranquilo nas situações que podem acontecer. Se ele me derrubar, passar a guarda, montar ou pegar as costas, eu já me preparei para isso. Eu vou lutar contra o Jon Jones no UFC, que é um dos melhores da história. Espero golpes vindo de todos os lados. Ele é quase igual ao Anderson Silva, só que mais previsível. O Anderson é mais surpreendente. Mas minha técnica vai superar a técnica dele e eu vou chegar ao topo. Vou levar esse cinturão.

 A alguns dias de disputar o cinturão, passa um filme na sua cabeça com tudo que você já passou?
Já passou, durante o camp. Tinha vezes que, no último treino do dia, quando eu já não aguentava mais e o pessoal ficava gritando para eu prosseguir, eu pensava que não precisava mais treinar. Aí vinha aquele pensamento no cinturão, em levar para a minha cidade e comemorar bebendo cerveja com os meus amigos e eu dava um gás a mais. Mas hoje, não. Eu procuro não pensar nisso, porque sei que a popularidade aumenta, a mídia é maior, o pessoal põe uma pressão maior e até te trata diferente. Para mim, sem desmerecer o Jon Jones, que é um dos melhores da história, agora acabou. Ele é mais um que está ali na minha frente. Eu o vejo como qualquer um que eu venci nos torneios do Brasil ou no exterior. Ali é mais um oponente que vai sair na porrada comigo. Ali ele vai ser mais um.

O que existe mais agora? Nervosismo, ansiedade, sentimento de ser a grade chance da vida...
Isso tudo já bateu. Já estive nervoso nos treinos, com meus sparrings, que eram meus amigos, os caras com quem eu treino todo dia. Era um nervosismo de cobrança, por torcer para que as técnicas fluíssem, que meus bloqueios de golpes estivessem prontos. Ali eu me sentia nervoso. Mas agora acabou. Vocês têm me acompanhado aqui e sabem, eu estou relaxado. Estou bloqueando mesmo toda essa empolgação com a luta. Estou aqui agora como se fosse lutar no Brasil, contra qualquer adversário. Já fiquei nervoso para lutar antes, porque veio a dúvida se eu sentiria a minha estreia aqui no UFC - no Brasil eu lutava feliz, amarradão mesmo. Mas tinha mais pressão sobre mim naquelas lutas, no Brasil, do que na deste sábado. Se eu perder para o Jon Jones, mesmo estando invicto há oito anos, eu só vou ter que subir a escada de novo. Mas lá, com problema de visto, já podendo estar no UFC, imagina se eu perdesse! Na minha última luta, eu já havia sido chamado para o UFC, mas não tinha o meu green card, que só chegou dia 23 de dezembro. Mesmo assim eu marquei a luta e lutei contra o Ricco Rodríguez. Meus amigos me chamaram de maluco, perguntaram a razão pela qual estava lutando. Eu lutava porque tinha que lutar. É como o Chuck Liddell me falou: se eu perdesse para aqueles caras, não mereceria mesmo ir para o UFC.

Foi bom para você ter tido a luta contra Jon Jones adiada?
Eu achei bom, porque a minha carreira no Brasil foi intensa. Em 2011 eu lutei pra caramba e já cheguei ao UFC fazendo cinco lutas em 13 meses. Eu precisava de umas férias para passar o Natal tranquilo. No ano anterior, meu Natal foi treinando, porque lutei contra o Rampage dia 26 de janeiro. Decidi curtir o Natal e o fim deste último ano. Mas, se ele adiasse novamente ou se machucasse, eles iriam me perguntar se eu preferiria esperar pelo cinturão ou lutar. E eu lutaria. O que eu iria fazer? Eu só iria esperar se estivesse lesionado. Mas estando bem, eu luto sempre. Vamos sair na porrada. É mais dinheiro que eu ganho, e mais experiência. E, se eu perdesse, não mereceria lutar pelo cinturão. É aí que entra o manager, o empresário. Por exemplo: o Shogun não quis me enfrentar um tempo atrás. E hoje, será que ele quer? As coisas mudam, né? Ele vem de derrota e eu vou lutar pelo título. O meu empresário pode achar que hoje não vale mais à pena, mas eu não estou nem aí. Se me falarem que eu vou lutar contra um estreante, por mim eu luto. Só que o manager pode não querer, né?

 É verdade que você mesmo faz os seus camps de treinamento?
Mais ou menos. Eu tenho meus treinadores, que vão me preparar e corrigir o que estiver errado. Mas eu estou sempre falando com eles, porque não precisam me dizer o que precisa ser feito. Eu já vou lá e faço. Às vezes meus técnicos me dizem que é hora de acalmar, de parar um pouco. Já tive risco de entrar em overtraining por causa disso. No início desse camp mesmo eu quase entrei em overtraining, porque não consigo começar a trabalhar devagar. Tive que parar um pouco, desacelerar. No começo dos camps eu sinto como se fosse lutar em uma semana. No fim, com o corpo mais acostumado, a coisa fica melhor. No começo chega a dar tristeza, porque eu sinto que não estou rendendo o que eu rendo quando estou em fim dos treinos. Por exemplo: com 100kg e treinadíssimo, eu vou correr 5km em 20 minutos. Mas no começo eu não consigo, e isso me deixa louco, porque eu quero fazer no início dos trabalhos o que eu faço no fim. E quase me mato pra fazer. Isso é perigoso.

O passar dos anos foi benéfico para você?
Foi, sim. Eu estou conhecendo melhor o meu corpo. Meu tempo ideal é esse agora. Se eu hoje, aos 34 anos, lutasse com o Glover de 26 anos, eu meteria a porrada nele (risos). Estou no topo, principalmente na parte técnica e na experiência de treino. Fisicamente é difícil dizer, mas têm caras na minha academia com 34, 36 anos e que lutam como se tivesse 20.

Por que você decidiu ir treinar integralmente na American Top Team?
Quem fez a transição foi o Dan Kramer, que me levou paara conhecer a academia. Eu conheci o Ricardo Libório, e o Katel Kulbis eu já conhecia. Mas na verdade o que me levou a ficar lá não foi o treino, que é ótimo, mas a energia. Isso faz diferença. Energia ruim atrai lesão. Lá na ATT eu treino com caras pesados, de 120kg, e cheguei para as minhas três últimas lutas sem lesão. A negatividade atrai coisa errada. Já aconteceu comigo no Brasil, não vou dizer aonde, que o treino estava pesado e acabei machucando o tornozelo. Por isso trago meus amigos para me ajudar.

A sua fama de ser mais fechado, principalmente em entrevistas na TV é timidez ou mineirice?
Talvez seja timidez mesmo, porque com a minha galera eu brinco e rio o tempo todo. Já aconteceu, quando eu cheguei ao Rio, das pessoas me acharem meio marrento porque eu cumprimentava os caras de longe. Mas eu tinha ficado assim por causa do tempo que eu passei nos EUA. Aqui as pessoas não se cumprimentam tocando umas nas outras. Lá no Brasil, você tem que apertar a mão de cada lutador da academia, um por um, senão você passa por mal-educado. E eu sou meio calado mesmo no começo, depois eu me solto.Glover Teixeira esposa Ingrid MMA (Foto: Adriano Albuquerque)
 
 
 
 
 
Fonte: Combate

 

 

 

 

 


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