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Esporte


Lisergia Clássica: De volta ao Rio de Janeiro (RJ)
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Um pequeno redirecionamento na produção final do filme Lisergia Clássica fez com que voltássemos ao Rio de Janeiro (RJ). Depois de uma noite mal dormida aqui no Guarujá (SP) por conta do calor, eu e o diretor de fotografia Paulo Camargo, decidimos pegar a estrada ainda na madrugada do último domingo, dia 26, de olho no swell do dia seguinte.

 

Nossa base foi novamente a Barra da Guaratiba, casa do Thiago Mariano, surfista local, shaper, músico e por isso, um dos destaques do filme. A atmosfera pacata da Barra, com a restinga da Marambaia ao fundo, produzem muita inspiração para cair no trabalho. Um prato cheio para o Paulo. Nas pautas, além de um depoimento específico do Thiago, mais um papo com Wady Mansur e Daniel Friedmann, além de gravar surf com a pioneira Heliana Oliveira.

 

Com exceção dela, a verdade é que a volta ao Rio se fez necessária somente pelos depoimentos, uma vez que temos um vasto arquivo com cenas de água. Por ser uma viagem curta, perguntaram se eu levaria prancha. Estranhei a pergunta. Nem cogitei ir sem, se tem praia tem pranchas, ainda mais no caso do filme, pelo conteúdo que buscamos. Surfando as portas se abrem. Além disso, como visitar esses caras sem pegar onda com eles?

 

Um surf inicial com Thiago na Barra da Guaratiba, esquerdas de 1m muito rápidas. A maioria a sessão corria na frente, mas deu para sentir o potencial do raso banco de areia. Depois de organizar as outras pautas, armei uma situação ideal para encontrar o Wady na Macumba no início da noite, tendo bastante tempo para dar mais uma salgada no corpo com um mini longboard, em ondas de até 6 pés. Já me sentia em sintonia com o espírito leve do filme.

 

Mansur nos levou até sua casa em Vargem Grande, onde abriu seu acervo de fotos antigas para que escolhêssemos algumas. Mesmo com um bom material de água dele no Arpoador, combinamos outro surf na Prainha para o dia seguinte. Wady é uma figuraça que viveu o surf com muita intensidade. Com quase 60 anos ainda surfa muito, seja de longboard ou pranchinha. Passamos a manhã surfando. Ele ainda teve gás para nos levar até o mirante da Prainha, numa subida escaldante para gravar seu depoimento. O visual e as risadas valeram a pernada, mas os ruídos incessantes das cigarras comprometeu a entrevista. Tive que arrancá-lo da Prainha para gravar.

 

O surf com Thiago e o Caio Teixeira, que apareceu de surpresa na base do Thiago, foi poético. Um final de tarde colorido e marolas simpáticas ao surf clássico fizeram a alegria geral. Eles flutuam, são extremamente técnicos, fazendo onda, prancha e surfista se tornar uma coisa só. Ambos têm a música como parte fundamental do ambiente que buscam no surf. Trilha sonora de quem é do ramo. Um depoimento gravado na sala de shape.

 

Além das ondas e das plainas, Daniel Friedmann é bom também com as palavras. Sua entrevista foi marcante. Nesse dia, as 9am já estávamos de volta à Guaratiba e ensaiamos sair para o surf umas cinco vezes, mas depois de tanta onda o clima de vadiagem pegou todo mundo. Música boa, um visual extasiante e muito suco de manga - generosidade da natureza em frente a casa do Thiago - ninguém parecia ter muita pressa.

 

O fim de tarde nos recebeu com boas marolas que escorriam por um raso banco de areia perfeitamente formado e um por do sol que resultou numa das mais poéticas cenas do filme.

 

O swell passou. A rebarba foi no último dia de gravação, com a Heliana Oliveira, uma das pioneiras do surf no Arpoador e que até hoje está na ativa. Aos 63 anos de idade fez um depoimento de quem experimenta cada vez mais o feitiço do surf, conseguindo um rejuvenescimento espiritual significante e palpável. Fazia quase três meses que ela não surfava, por conta de uma viagem.

 

Fiquei feliz quando soube que ela queria um tempo para ganhar ritmo, preocupada com performance. Ela nos surpreendeu com boas ondas e muita disposição. Saiu do mar totalmente descontraída, brincando que o surf faz tão bem que as dores que estava sentindo no joelho passaram assim que entrou no mar.  

 

Cada personagem vem deixando uma mensagem especial, com palavras, atitudes ou simplesmente surfando. Legal perceber que os mais realizados são os que mais se envolveram com o surf, independente de condição financeira.

 

O filme retrata exatamente o tamanho desse envolvimento, além do contexto geral do surf de longboard. É uma viagem profunda por toda atmosfera lúdica que o surf oferece, retratada através da essência de cada surfista do filme. Pessoas que não abrem mão de um dia de surf.
 
 
 
 
 
Fonte: Waves

 

 

 

 

 


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