Filho de comerciante e de uma dona de casa, o começo do paraibano Gilmário no vôlei de praia foi difícil. Os primeiros contatos dele com o esporte foram em 2004 nas areias da Praia do Cabo Branco, em João Pessoa, como 'boleiro'. E não foi 'boleiro' de um jogador qualquer, mas dos campeões olímpicos Ricardo e Emanuel, que naquele ano conquistavam a medalha de ouro nas Olimpíadas de Athenas. Agora, a história de vida de Gilmário serve de inspiração para outros garotos.
O mais importante para o ex-'boleiro' há quase 10 anos era estar próximo dos ídolos. No treino, ele era uma espécie de 'faz tudo'. Quando faltava alguém, tinha uma participação direta: além de recolher as bolas, até participava das atividades.
- Acompanhei todo o ciclo olímpico junto com Ricardo e Emanuel. Comecei a trabalhar com eles nessa areia maravilhosa (de João Pessoa). Queria estar junto dos melhores do mundo. Eu não era jogador, mas estava começando a minha carreira. E eu sabia que podia chegar lá também - relembrou Gilmário.
Na época, antes de ir ajudar Ricardo e Emanuel, o paraibano treinava sozinho na capital paraibana. Já adulto, ele conseguiu um emprego de motoboy. E decidiu investir o salário em viagens para participar de competições em outros estados.
- Queria estar próximo. Estava ali para ajudar e também para ser ajudado. Às vezes faltava alguém, eles me colocavam no treinamento, eu fazia um saque aqui e eu já estava ganhando muita coisa com eles - afirmou.
A força de vontade de Gilmário em crescer no esporte é reconhecida pelo baiano Ricardo. Com três Olimpíadas na bagagem (Sydney 2000, Pequim 2008; Londres 2012), o jogador de 39 anos destaca que todas as conquistas são méritos do hoje 'adversário' nas quadras.
- Ele criou um sonho e acreditou que poderia alcançar. Ele é um guerreiro, um batalhador, uma pessoa que busca o espaço dele. Acredito que isso é o mais importante. Primeiro você está amando o que faz, depois vivenciando aquilo por prazer. Não só por profissão. Acho que as vitórias vêm disso, dos objetivos que são traçados. - destacou Ricardo.
Um pouco da história de vida de Gilmário é referência. Aos 15 anos, José Sales é boleiro na oitava etapa de João Pessoa do Circuito Brasileiro. Dentro de quadra, ele tem uma participação direta nas partidas: recolher as bolas e repassar para os jogadores.
No primeiro ano como 'boleiro' do Circuito Brasileiro, Sales garante que estar próximo aos ídolos pode ser fundamental para conseguir seu objetivo: ser jogador profissional. E se depender da força de vontade, ele diz que o futuro já está traçado.
- Cada vez que vejo eles jogando, aumenta ainda mais a minha vontade para jogar. Quero jogar mais ainda, né? Vejo, observo e aprendo. Tem a questão das técnicas, como é que eles fazem as coisas também. Vou pegando as manhas - disse José Sales.
A partir desta sexta-feira, Gilmário - parceiro do sul-matogrossense Benjamin - e Ricardo - que forma dupla com o cearense Márcio - vão disputar a oitava etapa do Circuito Brasileiro, em João Pessoa. Os jogos acontecem na Arena montada na Praia do Cabo Branco até o domingo, dia da decisão da competição.
Fonte: Globo Esporte