Kawhi Leonard é um daqueles jogadores que aparecem do nada para o grande público e causam um tremendo estardalhaço. Calado e do tipo quase antissocial, o ala de 22 anos dos Spurs se transformou em quadra na série decisiva contra o Miami Heat e acabou eleito o MVP (Jogador Mais Valioso, na sigla em inglês) das finais da NBA, após ser importante para o título dos texanos. O respeitado prêmio já passou pelas mãos dos maiores jogadores da história da liga norte-americana de basquete, como Michael Jordan, Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar, Bill Russel e tantos outros astros, incluindo LeBron James, que presenciou de dentro da quadra a consagração de Leonard.
O garoto tímido e de poucas palavras deu a volta por cima para chegar ao topo. Ele superou o assassinato do pai, Mark Leonard, há seis anos, e foi fundamental para a conquista do San Antonio.
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Assustado com o prêmio individual, o camisa 2, que está apenas na sua terceira temporada na NBA, foi o MVP basicamente por conta das suas atuações nos três últimos jogos das finais, quando o time do Texas engatou a sequência de três triunfos que culminou no título da temporada 2013/14. No jogo derradeiro, na noite deste domingo, Kawhi obteve um duplo-duplo ao anotar 22 pontos e pegar 10 rebotes. Nos cinco jogos das finais, ele teve médias de 17,8 pontos com um aproveitamento de 61% dos arremessos.
– É surreal isso que está acontecendo comigo. Eu tenho grandes companheiros de equipe por trás. Os caras me incentivaram para ser mais agressivo e eu consegui. Os torcedores também me puxaram bastante. E graças a Deus, deu tudo certo – disse o tímido Leonard, que já vinha demonstrando uma grande evolução nesta temporada após tomar uma bronca do técnico dos Spurs, Gregg Popovich.
Kawhi Leonard na coletiva de imprensa com o troféu de MVP das finais da NBA (Foto: Agência AP)
Um drama pessoal marcou a vida de Kawhi antes do sucesso. O pai foi assassinado em 2008, em Los Angeles, enquanto trabalhava no lava-rápido do qual ele era dono. Por ironia do destino, o jogador conquistou o título de MVP das finais e foi campeão da NBA justamente no Dia dos Pais dos Estados Unidos, comemorado neste domingo.
– É um sentimento muito especial para mim sabendo que ele se foi e eu consegui ganhar um título e um prêmio no Dia dos Pais – afirmou Kawhi.
Homem de poucos palavras, ele sofreu durante todos os últimos dias para conseguir dar tantas entrevistas. O que ele mais repetiu, inclusive depois ser campeão e MVP das finais, é que ele está sempre disposto a aprender e fazer tudo que o treinador pede. Gregg Popovich, técnico dos Spurs, comemora esse lado do seu atleta.
– Ele é um grande aprendiz, sabe ouvir muito bem. E ele é muito competitivo. Ele sempre quer mais e mais, algo que não é muito comum na nossa liga. Ele pede para eu e os jogadores puxarem sempre ele mais. Eu disse para ele se soltar e que ele era o cara – afirmou o experiente comandante dos texanos.
Kawhi Leonard domina a bola em frente ao veterano Ray Allen no jogo de domingo (Foto: Getty Images )
Acostumado a ter os holofotes voltados para si, LeBron James fez questão de elogiar Leonard, após a derrota do Miami Heat, que buscava o tricampeonato consecutivo da NBA.
– Ele não jogou bem os dois primeiros jogos das finais. Mas depois ele atacou mais nos três últimos jogos e chutou a bola extremamente bem – comentou King James.
Outro adversário que encheu a bola de Kawhi foi o ala-armador Dwyane Wade, que também já sentiu o gosto saboroso de ser MVP das finais, quando o Heat foi campeão pela primeira vez em sua história, na temporada 2005/2006.
– Ele é um cara que joga livre. Ele é o futuro do time dele. Podem esperar – falou Wade.
Deixando os outros falarem mais dele do que ele próprio, Kawhi começou com tudo a sua história na NBA. Leonard é o mais novo a conquistar o MVP das finais desde o seu companheiro de time Tim Duncan, em 1999, quando tinha 23 anos e levou os Spurs ao primeiro caneco da liga. Tempo para virar um jogador ainda melhor ele tem de sobra.
Fonte: http://globoesporte.globo.com/basquete/noticia/2014/06/apos-assassinato-do-pai-mvp-da-volta-por-cima-e-vive-fase-surreal-na-nba.html