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Touros sem asas
Touros-sem-asas
Depois de quatro títulos seguidos nos Mundiais de Pilotos e Construtores, os primeiros testes da temporada 2014 da Fórmula 1 foram uma verdadeira ducha de água fria na RBR. Acostumada ao domínio e às primeiras posições na tabela de classificação, a equipe teve de lidar com muitos problemas no RB10. A situação ficou tão dramática que Christian Horner, chefe da equipe, e Adrian Newey, projetista conhecido como o "mago da aerodinâmica", tiveram de voltar às pressas para a fábrica em Milton Keynes, na Inglaterra, para começar a procurar as soluções para as falhas do carro em Jerez de la Frontera.

 

O resultado da primeira experiência na pista? Um fiasco. O alemão tetracampeão Sebastian Vettel e seu companheiro, o australiano Daniel Ricciardo, deram, somados, apenas 21 voltas nos quatro dias - 92 quilômetros no total. Só para efeito de comparação: a Marussia, que chegou a Jerez no fim da tarde da quarta-feira e perdeu boa parte da quinta montando o novo carro, completou 30 passagens - 40 quilômetros a mais que a tetracampeã dos construtores. Se colocarmos a Mercedes, equipe que mais andou, na parada, vira covardia: o time alemão deu 309 voltas - 1.368 quilômetros ao todo, quase 15 vezes mais que a RBR. Um tempo perdido que pode ser fatal - ao menos no início desta temporada.

Em uma temporada com tantas mudanças no regulamento técnico, era crucial conseguir andar bem em todas as três sessões de testes deste início de ano. Tanto é verdade que a RBR raramente anda com o carro novo nos primeiros dias - geralmente estreia as novidades na segunda atividade. Segundo Newey, o tempo de desenvolvimento na fábrica acaba sendo mais produtivo que na pista. Neste ano, entretanto, foi diferente. Mas o desempenho em Jerez foi catastrófico. Para tentar andar mais no último dia com Ricciardo, a equipe improvisou um orifício na lateral para tentar refrigerar melhor o turbo (foto à esquerda). Um fracasso completo.

 

Mas qual foi o problema? Diria que não foi apenas um. O primeiro deles foi o motor Renault. Dos três desta temporada (os outros são o Mercedes e o Ferrari), ele foi o único a apresentar problemas graves no circuito de Jerez de la Frontera. A nova unidade de força da montadora francesa não conseguia trabalhar bem junto com os dois sistemas de recuperação de energia: a cinética e a proveniente do calor. Isso causou inúmeras falhas. Na RBR isso foi ainda pior. Com um carro projetado no limite em termos de refrigeração, os problemas foram maximizados. Vettel e Ricciardo ficaram de mãos atadas enquanto os engenheiros e mecânicos tentavam colocá-los de volta na pista.

 

Só que o motor Renault não foi o único problema da RBR. No primeiro dia, os mecânicos montaram errado algumas peças do carro, que teve de ser todo desmontado para em seguida ser remontado. Com isso, quase todo o primeiro dia foi desperdiçado. Um erro inadmissível para uma equipe tetracampeã do mundo. Diria que será uma surpresa se o time austríaco conseguir andar nas primeiras posições nas corridas do início do ano. As equipes com os motores Mercedes parecem estar bem à frente neste momento. E a tendência é que essa diferença se mantenha ou até aumente nos dois testes no Bahrein.

 
Só que nunca é bom menosprezar o mago da aerodinâmica. Adrian Newey consegue algumas soluções inimagináveis nesta área. Entretanto, como o problema parece ser mais mecânico, o projetista terá de quebrar a cabeça junto com os engenheiros do time. Diria que a RBR, neste momento, não precisa de um mago para evoluir o carro; precisa sim é de um milagreiro. O tempo está correndo cada vez mais rápido. Será que a RBR conseguirá resolver seus problemas - ou boa parte deles - antes da abertura do campeonato? Diria que, hoje, essa é a pergunta premiada desta pré-temporada da Fórmula 1.
 
Sebastian Vettel Jerez de la Frontera RBR
 
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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