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Teste CARPLACE: Focus e Cruze brigam entre si, mas de olho no Golf
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O Focus tinha fama de injustiçado. Mesmo com diversas qualidades mais do que reconhecidas pela crítica e público, as vendas do modelo não emplacaram na primeira geração. Em 2008 veio a segunda safra. O Focus conseguiu ficar ainda melhor, mas (tem sempre um mas…) a Ford errou ao lançá-lo com motor 2.0 apenas a gasolina. O sucesso então só chegou mais tarde, a reboque da versão 1.6 flex com preço na casa dos R$ 50 mil, que estreava ao mesmo tempo em que os rivais estavam envelhecidos. E aí ficamos na dúvida: a liderança do segmento era mérito do Focus ou fraqueza da concorrência? Bom, bastou a GM lançar um carro moderno na categoria, o Cruze Sport6, para que ele desbancasse o médio da Ford e fechasse 2013 como líder de vendas.

O troco vem agora com a terceira geração do Focus. Ele está melhor do que nunca, mais bonito, mais moderno e ainda mais gostoso de dirigir, mas (viu como tem sempre um mas?) a versão básica S custa R$ 60.990. Isso mesmo, você que tem um Focus anterior e esperava pelo novo numa faixa de preço semelhante, pode tirar o cavalinho da chuva – ou melhor, juntar mais uns R$ 10 mil. Quer outro “mas”? O novo Ford ficou muito bom, mas chegou ao Brasil junto com ninguém menos que o Golf VII alemão, referência na Europa e esperado ansiosamente por uma legião de fãs. Resultado: o impacto já foi sentido na rede da Ford, que reconhece a força do oponente e, principalmente, a falta de uma versão na seara dos R$ 57 mil. A marca rebate dizendo que o novo carro é bem mais custoso de produzir que o anterior.

Se comparado ao modelo antigo, o novo Focus é, de fato, caro. Mas olhe ao redor e você verá que ele não está sozinho. O Cruze Sport6 LT 1.8 parte de R$ 67.090, e o novo Hyundai i30 com motor 1.8 sai por iniciais R$ 70.990. O Golf 1.4 TSI começa em mais de R$ 70 mil (embora seja o que mais justifique seu valor pelo motor turbo e importação da Alemanha), mas esta versão é “mosca branca” nas lojas. Ou seja, hoje em dia os únicos hatches médios abaixo dos R$ 60 mil são Peugeot 308, Fiat Bravo e o antigo Citroën C4. O Focus, que tinha como uma das atrações o preço agressivo, abandonou a turma do custo-benefício. Uma pena, pois na Europa um de seus argumentos continua sendo justamente o valor atraente diante de Golf e cia.

Estratégias de venda à parte, o novo Focus deu um belo salto em diversos aspectos. Para começar, a versão 1.6 agora é capaz de oferecer desempenho convincente – coisa que a anterior não conseguia. O conhecido motor Sigma foi atualizado com tecnologias como comando variável de válvulas na admissão e no escape, além do sistema de aquecimento do etanol para partidas a frio – eliminando o tanquinho extra de gasolina. Como resultado, o Focus agora é o 1.6 aspirado mais potente do mercado, dispondo de notáveis 135 cv de potência e 16,7 kgfm de torque. Nesta SE Powershift testada por nós, bastava pisar que ele respondia e empurrava.

E já que falamos no câmbio Powershift, eis outro ponto forte do Ford. A transmissão de dupla embreagem e seis marchas ajuda a extrair o máximo do motor 1.6, com relações de marcha bem escalonadas e trocas rápidas, que pouco interferem na entrega de torque e deixam a dirigibilidade mais agradável. Também foi essa a intenção da Chevrolet ao atualizar a caixa GF6 do Cruze A/T, também de seis velocidades, com mudanças mais suaves e ágeis que antes. Aproveitamos então para reunir Focus SE e Cruze LT (embora o carro das fotos seja um LTZ) para ver qual deles tem mais condição de conter o avanço do Golf, já o mais vendido nestas primeiras semanas de 2014. Preços? Anote aí: R$ 69.990 no Ford e R$ 74.115 no Chevrolet.

Mano a mano, Focus e Cruze revelam semelhanças e diferenças que podem fazer o consumidor pender para um lado ou o outro. Um dos aspectos que vêm incomodando nos últimos Fords, e salta aos olhos também no Focus, são os gaps de construção. Na unidade avaliada havia um grande vão na união da tampa do porta malas com a carroceria, revelando que é preciso mais cuidado na montagem da fábrica argentina – e também na de Camaçari (BA), de ondem saem EcoSports com as mesmas falhas. Já o Cruze aparenta mais capricho nas emendas de chapas, sem deixar espaço para críticas no aspecto construção.
 
Focus x Cruze Carplace (3)
 
 
 
 
 
Fonte: Car Place

 

 

 

 

 


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