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Esporte


Talmo tem dever de casa dobrado e divide as quadras com a sala de aula
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À beira da quadra, Talmo é o professor que comanda um time inteiro. Na sala de aula, as posições se invertem, e ele vira apenas mais um aluno dedicado. Há pouco menos de um ano, o treinador superou 1.300 candidatos e conquistou uma das vagas do mestrado de gestão esportiva em uma universidade de São Paulo. A paixão pela vida acadêmica se misturou com um amor antigo, o voleibol. Juntos, ajudaram o técnico do time feminino do Sesi-SP a colocar em prática tudo o que os livros ensinaram. No boletim final, algumas vitórias importantes pelo caminho. Ex-jogador da seleção brasileira e formado em educação física, Talmo pretende usar sua experiência nas duas áreas para transformar o esporte que ele escolheu seguir. 
 
- Um dos grandes problemas é que ou as pessoas conhecem muito da prática ou da teoria. Acredito que a união desses dois métodos pode trazer um grande beneficio para o esporte como um todo. Podemos colocar muita coisa em prática para transformar o nosso esporte - explicou o ex-jogador.
 
A ideia de voltar a estudar surgiu entre um período de descanso entre uma Superliga e outra. Aos 44 anos, Talmo encarou o desafio e mostrou que tem energia suficiente para suportar a maratona diária. Os horários precisam ser bem definidos para dar conta do revezamento entre o ginásio e a sala de aula. 
 
- Ano passado, eu decidi que não queria ficar parado. Foi quando dei entrada no mestrado. Eu já tinha me formado em educação física, fiz uma especialização, mas queria continuar estudando. Até ser chamado, passei por um processo seletivo normal e por provas especificas voltadas para administração. Passei por todas as etapas até ser aprovado. O mestrado começou há uns dois meses, tive que conciliar tudo com jogos, treinamentos e viagens. Tenho aulas na quinta, na sexta e no sábado. Eu me desdobro para estudar, são muitos textos, muito trabalho e tenho que dividir tudo com a quadra - destacou o técnico do Sesi.
 
Na prática, a teoria de Talmo já rendeu bons resultados. Na última sexta-feira, no primeiro jogo da semifinal entre os dois times, o Sesi-SP bateu o Osasco por 3 sets a 1 e derrubou uma série invicta de 29 partidas do atual campeão da Superliga feminina de vôlei. Se voltar a triunfar neste sábado, às 10h, diante de sua torcida, no ginásio da Vila Leopoldina, classifica-se para a final contra o Rio de Janeiro, no próximo dia 27 - a TV Globo transmite a segunda partida da semifinal ao vivo, e o GloboEsporte.com acompanha em Tempo Real. 
 
Para quem observa de fora, o placar pode parecer surpreendente. Para quem está dentro de quadra, não.
 
- Este ano, todos os campeonatos que jogamos nós chegamos às finais. E culminou com uma vitória importantíssima no Sul-americano contra o time do Osasco e na casa deles. Foi uma pressão muito grande, mas a nossa emoção não poderia ultrapassar a razão, tínhamos que estar muito concentrados, buscar cada bola e saber o que eles iam fazer também. Essa primeira vitória na Superliga não garante a classificação, mas nos dá uma força enorme e uma grande credibilidade para seguir trabalhando e poder classificar para a final.
 
O time do Sesi-SP conta com a experiencia da capitã da seleção brasileira Fabiana, com a levantadora campeã olímpica Dani Lins e com a juventude da central Bia e da oposto Ivna, duas promessas do vôlei feminino. Numa temporada em que o time sofreu com muitas jogadoras machucadas, Talmo entrou na semifinal com força máxima. 
 
- Quando você perde qualquer jogador no seu elenco, você tem que achar alternativas e soluções para esses problemas. Mas com as atletas que estavam jogando, conseguimos uma sequência de jogos muito bons, um time que passou a errar menos, um time que teve mais consistência nos treinamentos. Por outro lado, as atletas que estavam fora se recuperaram, e o time ganhou com isso. Todo mundo está de volta para chegar à fase final bem. Estão todas prontas para jogar. Somos um time experiente, um time forte e jovem. Um time que treina bastante e muito bem. 
 
Ex-jogador da seleção campeã olímpica de 1992, reserva de grandes ídolos do esporte, como William e Mauricio, Talmo acredita que ter ficado no banco deu a ele mais visão de jogo. 
 
- Toda experiência que você tem como atleta é valida. Eu confesso que ter ficado em uma seleção que estava em um período muito vitorioso me ajudou. Nos anos de 91 a 95 foi quando a seleção conseguiu alavancar e se tornar o que é o voleibol hoje. Eu era reserva do William, que era fantástico como capitão da geração de prata, e fui reserva do Mauricio, um atleta fora de série. Isso me deu uma bagagem muito boa. Quando você olha o jogo do banco, acaba tendo uma visão muito mais de técnico do que de jogador, tem mais distância para analisar, o que favorece muito esse estudo, e eu sempre gostei dessa parte, de estar planejando os jogos.
 
Sobre o futuro, ele revela que pretende um dia trabalhar simultaneamente nas funções de técnico e de professor. Apesar da jornada dupla, esse mineiro de Itabira, conterrâneo de Carlos Drummond de Andrade, é incansável na hora de atacar os livros, não exatamente os de poesia
 
- Sempre gostei de ficar em sala de aula. Uma vez, um professor meu foi fazer um pós-doutorado e me chamou para substituí-lo durante seis meses. Dei aula todo esse período. Tenho que continuar sempre estudando, eu gosto de passar informação, trocar ideia. Acho que conseguiria conciliar as funções de professor e técnico. É uma realidade possível, seria muito bom pra mim. Um aprendizado muito grande.
 
Se fisicamente é cansativa, a rotina de correr de um lado para o outro pelo menos garantiu ao treinador e a suas comandadas alguns torcedores extras para o decisivo jogo de sábado. A parceria entre técnico, aluno e seus companheiros de classe é tão grande que a turma já se organizou para comparecer ao ginásio da Vila Leopoldina para apoiar o colega. 
 
- Os alunos, professores e até o coordenador ficam malucos, porque como é um mestrado profissional da gestão do esporte, eles acabam vivendo a minha rotina de jogos. Eles sofrem e vibram junto comigo. Está sendo uma troca enorme de experiências da parte prática com a teórica. Isso é bem legal. Os alunos e o coordenador se organizaram para ir assistir ao jogo sábado, para dar uma força e fazer esta final inédita em três anos de trabalho com o time feminino do Sesi-SP. 
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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