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Esporte


Sorrisos, respeito e até chinelo em campo: o Gre-Nal visto do gramado
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D'Alessandro e Zé Roberto, como grandes amigos. Se cumprimentaram, trocaram afagos antes de um Gre-Nal que viria a ser quente, não só pela temperatura, mas também pela energia dos atletas para o clássico de 399, disputado neste domingo, na Arena. Os ‘camisas 10’ foram personagens do confronto que encerrou empatado em 1 a 1, e que o GloboEsporte.com conta agora quase que de dentro de campo, com visão privilegiada da linha de fundo, de onde saíriam os gols de Fabrício e Barcos.

RESPEITO INICIAL


 Antes do apito inicial, momento de respeito. O árbitro Leandro Vuaden deu um minuto de silêncio pela morte do ex-músico e humorista Nico Nicolaiewsky. Assim que a bola rolou, encerrou-se a calmaria.

Iniciou-se um duelo equilibrado, um ‘jogo de xadrez’, como analisaria Enderson Moreira. Como manda o manual do time com mando de campo, o Grêmio era mais incisivo, objetivo. Precisava da vitória, até para embalar para a Libertadores. Barcos bem que tentou, se livrou de dois marcadores e disparou com perigo. Incrédulo com o gol perdido, colocou as mãos no rosto, pouco contente com o resultado. Depois foi a vez de Edinho, com uma pancada de fora da área: obrigou Muriel a se esticar ao máximo para espalmar uma bola que apresentara-se como indefensável. A torcida incendiou.

- Edinho guerreiro! – berravam os torcedores, em coro.

Porto Alegre fritava com o abafamento dos seus 32º C no final da tarde, mas com sensação térmica muito superior na Arena. Veio a parada técnica, o momento de alívio em que os atletas se banharam de água para recomeçar.

CLIMA DO VESTIÁRIO

O Inter voltaria melhor, com toque de bola envolvente. D’Alessandro, Aránguiz, Alex tabelavam com naturalidade, mas não encontravam espaços contra uma trinca de volantes formada por Ramiro, Riveros e Edinho. Mas a defesa tricolor abria-se nas subidas dos laterais. Estava ali o caminho dourado. Foi pela esquerda que Fabrício encontrou inacreditável espaço para disparar cruzado e abrir o placar. Na comemoração, o atleta correu para o banco de reservas e viu um Abel Braga insano de felicidade. Veio o intervalo.

Na volta da zona mista, os gremistas mostraram-se indignados com o revés. “Vamos, vamos, vamos”, gritou Wendell no trajeto até o campo, enquanto conversava com Barcos. Já a passagem do Inter era silenciosa, mas com ar confiante.

O segundo tempo era truncado, com raríssimas chances de gol. O Inter mantinha toque de bola refinado, fazia o jogo girar no gramado e valorizava o tempo. D’Alessandro era armador, mas também marcador. Aplicou um carrinho no meio-campo, em bola que parou nas arquibancadas. Um torcedor a pegou como se fosse um troféu, mas devolveu.    

O time do Grêmio necessitava de intensidade, e a torcida azul animou-se quando Enderson chamou Maxi Rodríguez e Jean Deretti, para as saídas de Luan e Ramiro. A equipe ganhava fôlego para ir em busca do resultado.

O SORRISO DE D'ALE

Com a vantagem no placar, o Inter recuara, deixara se envolver. Mas a confiança ainda era marca da equipe. Em falta sofrida por Zé Roberto, D’Alessandro aproximou-se do rival camisa 10 e abriu um largo sorriso. A torcida vaiou, como uma forma de protesto contra a amizade incompatível para o ardor do clássico.

Instantes depois, o sorriso de D’Ale foi trocado por ódio, quando Leandro Vuaden assinalou pênalti por bola na mão de Paulão. O argentino reclamou tanto que recebeu o amarelo.

Da torcida, voou um chinelo para o gramado. O calçado fora levado pelo quarto árbitro e pode ser colocado na súmula da partida.
 
CATIMBA NO GRINGO

Apito final. O sangue de D’Alessandro subiu. Inconformado com a penalidade, novamente reclamou da arbitragem. Reclamou ter sido ‘roubado’.  

- O que aconteceu no último Gre-Nal? Não apitaram pênalti contra (sobre o 1 a 1 na Arena em 4 de agosto)? Hoje aconteceu a mesma coisa. Fomos roubados – disse na saída de campo, empurrando um repórter para adentrar a zona mista.

O Gre-Nal também teve ar de heroísmo. Marcelo Grohe, um dos melhores em campo, saiu devagar, reclamando de dores no tornozelo, semblante esgotado pelo cansaço e pelo calor.

- Quase pedi para sair. A gente é guerreiro, é complicado botar o Busatinho (referência a Busatto, goleiro reserva) numa fria. Estou cansado do jogo, muito quente – frisou o goleiro.

Aquele que seria um Gre-Nal da amizade, com cumprimentos mútuos, virou polêmico pela arbitragem. Os dois lados se disseram merecedores da vitória. Alguns saíram bufando de cara feia. Não poderia ser diferente. Contestações estão na genética do clássico gaúcho. E aí será para sempre.Na cobrança da penalidade, Zé e Pará encostaram em Barcos, o orientaram e apoiaram com tapas nas costas. Já Paulão tentou desconcentrar o atacante. Não adiantou. Gol do Pirata, com direito a comemoração com braço estendido e mão improvisando tapa olho: 1 a 1. 
 
Torcedor vibra com bola na arquibancada (Foto: Diego Guichard)
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte
 
 

 

 

 

 

 


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