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Esporte


Reginaldo Leme relembra briga com Senna: Sofri muito com isso
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Reginaldo Leme cobre a Fórmula 1 desde o início da década de 1970. Com isso, conviveu de perto com os grandes nomes do esporte de lá para cá. Com alguns, inclusive, teve uma relação que se estendeu para fora das pistas e virou amizade. Um desses casos foi com Ayrton Senna. Quando Senna fez o primeiro teste na Williams, era Reginaldo que estava lá para registrar. Mas a amizade sofreu alguns percalços, como quando os dois brigaram. Reginaldo lembrou da história no “Arena SporTV”.

- A época mais difícil foi quando eu tive problemas com o Senna. A gente brigou e eu tinha que trabalhar com ele brigado. Nunca se soube direito a razão. Há gente que diz que era por ele sentir ciúme, uma vez ele disse para mim "você tem mais paciência com o Piquet do que comigo". O que não era verdade. Mas quando ele (Senna) chegou (à Fórmula 1), o Piquet já estava e eu já tinha um relacionamento muito bom com o Piquet e ele (Senna) era muito mais dado aos outros brasileiros do que comigo. Mas fui muito mais amigo, de sair junto, do Senna do que do Piquet. O Piquet morava em Brasília e o Senna, em São Paulo. Então eu saía constantemente com o Senna, que era amigo pessoal. Eu acompanhei o início da carreira do Senna, enquanto o Piquet eu o acompanhei na Super V aqui no Brasil. Eu recuperei a minha convivência com o Piquet com ele já na Fórmula 1. E com o Senna não, era muito mais íntimo, muito mais amigo – recordou Reginaldo.

Galvão, Reginaldo Leme e Ayrton Senna na Bélgica (Foto: Reprodução)Amizade de Reginaldo, Senna e Galvão ficou estremecida por briga dos dois primeiros (foto: Reprodução)

Reginaldo relembra que os dois amigos ficaram mais de um ano estremecidos e que isso causou alguns problemas para o jornalista durante a cobertura da F-1.

- Teve muitos momentos no início dele (Senna) em que tomei a iniciativa de falar como ele deveria se comportar, em relação até a companheiros pilotos. E me lembro que uma vez ele falou "isso que eu espero de um amigo". Só que as coisas vão mudando, os anos passam, o piloto vai crescendo, vai ganhando, torna-se campeão do mundo e você continua agindo da mesma forma que você combinou com ele há muito tempo atrás. E aí ele passou a não aceitar isso. E aí teve interferência de outros, enfim. Teve um momento crítico, no Japão, em 1990, em que eu fui entrevistá-lo e ele tinha tomado uma decisão que eu não sabia, de não me dar mais entrevista. E eu fui para fazer uma matéria para o Jornal Nacional e ele disse " para você eu não falo mais". Eu disse que ele não estava falando comigo e sim com o público brasileiro e ele disse "através de você não falo mais". Enfim, causou um rompimento que durou o ano de 1991 inteiro.

Segundo Reginaldo, o rompimento com o Senna acabou fazendo com que ele assumisse o posto de comentarista da TV Globo nas corridas de Fórmula 1.

- Isso causou muitos problemas no meio, claro que sofri muito com isso, claro que fez com que eu me desligasse do meu companheiro Galvão, mas passou. Eu parei de entrevistá-lo, a Globo colocou um repórter para trabalhar, para fazer entrevista, e eu fui até promovido em função disso, passei a ser comentarista. E no meio de 1992 ele me chamou para uma conversa. "Eu noto que quando veem me entrevistar, você fica meio de lado". Eu falei, eu fico porque tudo o que você falar para os outros é uma informação para mim. "Então, por favor, a partir de agora as portas estão abertas. Acabou, passou tudo entre nós. O bacana é o seguinte, além desse relacionamento muito próximo ao Ayrton que vários outros jornalistas tiveram, o único que teve um relacionamento amistoso e depois teve briga, pôde sentir dos dois lados, fui eu – finalizou Reginaldo, mostrando bom-humor com o fim da briga que fez os dois amigos pararem de se falar.

FRAME - Frank Williams reginaldo leme ayrton senna testes fórmula 1 (Foto: TV GLOBO)Reginaldo entrevista Frank Williams após o primeiro teste de Senna na Fórmula 1, em 1983 (Reprodução/TV GLOBO)

 


 

 

 

 

 


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