Quando o árbitro peruano Victor Carrillo encerrou aquele jogo em Arequipa, no Peru, em fevereiro de 2011, a seleção brasileira sub-20 se tornou campeã com uma incontestável goleada de 6 a 0 diante do Uruguai. A partir dali foi criada a expectativa de que aquele elenco se transformaria na base do time para a Copa do Mundo 2014. Prognóstico que até virou realidade para boa parte do grupo, como Neymar, Oscar e Lucas... No entanto, uma das maiores apostas tomou um rumo bastante inverso.
Convocado após ter se destacado com a camisa do Flamengo, o atacante Diego Maurício chegou à Seleção como o futuro dono da camisa 9 canarinho, mas hoje acumula fracassos sucessivos na carreira. Aos 22 anos, chegou ao ápice do insucesso. Contratado pelo Sport na temporada passada, o atleta sequer vem sendo aproveitado pelo técnico Eduardo Baptista. Com contrato ainda em vigor, segue treinando no clube, mas num horário diferente dos demais jogadores.
Diego Maurício chegou acima do peso e só conseguiu fazer sete jogos pelo Sport (Foto: Aldo Carneiro / PE Press)Logo ao despontar pelo Flamengo, o porte físico e a aparência renderam ao atleta o apelido de Drogbinha, numa alusão ao marfinense Didier Drogba, atualmente no Galatasaray da Turquia. Mas o prestígio longe dos gramados não foi refletido dentro das quatro linhas.
Atrasos em treinos, baixo rendimento em campo e muitas críticas por parte da torcida fizeram com que o então técnico do Rubro-Negro carioca, Vanderlei Luxemburgo, o deixasse encostado. Sem espaço e com fama de indisciplinado, restou a Diego Maurício uma transferência para o futebol russo. Mas a passagem pelo pequeno Alania Vladikavkaz só serviu para afundar ainda mais a carreira. Treze jogos, um gol e outro afastamento do time.
– Quando fui convocado, lembro que foi muito importante para mim. Até achava que não iria, mas acabei sendo chamado, pois estava muito bem no Flamengo. Felizmente, conseguimos o título, e isso deu uma melhorada na vida de todos. Mas na minha carreira não foi bem assim. Acabei indo para a Rússia, o que foi bom financeiramente. Não serei hipócrita de falar que não. Mas na parte profissional, acabou me prejudicando. O treinador não me colocava para jogar e acabei me escondendo.
Sem conseguir se adaptar ao novo clube, o atacante “cavou” um retorno ao Brasil. Para isso, escolheu o clube de forma meticulosa. Mesmo na Série B, o Sport apareceu como cenário perfeito. Torcida apaixonada, boa visibilidade e uma competição que, teoricamente, seria mais tranquila do que a Série A. No entanto, a vida no novo clube não foi tão simples assim. Após sete jogos e nenhum gol, Drogbinha recebeu a notícia de que treinaria separado do restante do elenco.
– Quando decidi acertar com o Sport, minha ideia era jogar num clube grande, com muita visibilidade. Mas acabei sendo informado que não fazia mais parte dos planos. Aqui, o meu contrato acaba dia 30 de junho, e até lá estarei me preparando.
Longe dos holofotes, Diego Maurício não esconde a frustração por ainda não ter despontado na carreira. Mas, aos 22 anos, segue firme no intuito de tornar-se um grande nome no futebol nacional.
– Acho que tudo tem o seu tempo. Sou novo, e meu caminho no futebol ainda é longo. Acho que tudo na minha vida aconteceu muito rápido, por isso as pessoas ficam cobrando. Estou tranquilo quanto a isso. Sei do meu potencial e que posso deslanchar. Vou trabalhar firme e certamente conquistarei o meu espaço. Estou tranquilo, vivendo uma ótima fase na minha vida pessoal, fiquei sabendo que serei pai. Só não está melhor porque a vida profissional cruza a vida pessoal, mas estou certo de que as coisas vão voltar ao normal.
