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Esporte


Por solidez psicológica e pódio no Rio, Fratus treinará com ex-mentor de Cielo
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 A pequena e pacata Auburn passou a ser destino cobiçado desde 2011. Naqueles três dias de maio, Bruno Fratus emprestou olhos e ouvidos a Brett Hawke, técnico que ajudou Cesar Cielo a conquistar duas medalhas olímpicas nos Jogos de Pequim 2008. Foi até seu encontro com o intuito de melhorar a técnica de saída. Deixou a cidade com a sensação de que a estada havia sido curta demais. A identificação com a filosofia de trabalho e, principalmente, com a capacidade de Brett manipular mentes foi imediata. E o fez ter a certeza de que o caminho do pódio nas Olimpíadas do Rio passa antes pelos Estados Unidos. No início de 2014, o velocista se juntará de vez ao grupo comandado pelo treinador australiano.

 - Além de um excelente técnico ele é alguém que conhece exatamente o lado do atleta. Foi finalista olímpico nos 50m livre em Atenas 2004, e esse lado foi me chamando atenção em algumas ocasiões pré-prova. Ele é o melhor psicólogo que já conheci. Se você quer ser o melhor do mundo, precisa ser psicologicamente sólido - disse o nadador do Pinheiros.

Nos últimos três anos, Fratus foi ganhando lugar na elite dos 50m livre. Entendeu que no nível que chegou o controle mental faz a diferença. Sentiu isso na pele durante o Mundial de Xangai, em 2011. Na ocasião, entrou na final com o melhor tempo e terminou a prova na quinta colocação. Ao seu então técnico, Arilson Silva, confessou ter sentido o peso da medalha quando abaixou no bloco de partida. Mordido, disse que não deixaria isso voltar a acontecer nos Jogos de Londres. Durante boa parte daquela temporada, chegou a ocupar a segunda posição no ranking. Atrás apenas de Cielo. A possibilidade de uma dobradinha olímpica passou a ser cogitada. Por dois centésimos, Fratus viu o bronze fugir de suas mãos e parar nas do compatriota. Meses depois, se mudou para a Itália. Queria evoluir, enfrentar mais vezes os melhores do mundo. Até que foi freado pelo ombro e teve de ser submetido a uma cirurgia. O retorno às competições está previsto para dezembro, no Open. A volta triunfal ele prevê para a próxima temporada.

 - Vai ser um ano importante. Teremos o Maria Lenk, que sempre é uma competição forte e motivante; o Pan-Pacífico e Mundial de curta, que são duas competições que vão começar a mostrar quem vai nadar rápido em 2016. Então, decidi ceder a um desejo antigo e ir treinar com o Brett. O entrosamento foi surgindo durante as competições em que nos encontrávamos. Com algumas conversas e troca de experiências não foi difícil concluir que seria uma boa ideia trabalharmos juntos. E com o Marcelão (Marcelo Chierighini), que é um grande amigo e treina lá, ficou mais fácil ainda decidir.

Pouco depois do fim da parceria com Cielo, Brett Hawke ganhou um outro pupilo brasileiro. E não demorou para enxergar em Chierighini as mesmas qualidades que viu no tricampeão mundial quando começaram a trabalhar juntos. Desde então, acredita que ele será "o cara a ser batido nas próximas Olimpíadas". A partir de janeiro, Fratus o terá na raia ao lado todos os dias. Adversário de 22 anos, que vem aprendendo com o treinador a importância da preparação mental. A habilidade de Brett na área nasceu da necessidade de entender dois dos maiores velocistas da história. Arrancou risadas de Cielo ao dizer que deixou de lado a especialização em Treinamento Esportivo para cursar a faculdade de Psicologia, alegando que ele e o francês Fred Bousquet eram muito difíceis. Como mentor, sentia a necessidade de aprender a lidar com isso fora d’água. Deu certo. Foram as palavras duras do treinador que fizeram Cesar acreditar que era capaz de chegar ao pódio em Pequim mesmo nadando a final dos 100m livre na raia 8. Conquistou o bronze e não temeu mais ninguém. O ouro nos 50m livre estava a caminho.

 É por tudo isso, que Bruno Fratus resolveu seguir a mesma trilha. Optou por viver uma rotina bem diferente da que estava acostumado, trocando a movimentada São Paulo pela Auburn de ruas silenciosas. A cidade americana que vive em função da universidade, apresenta pouca oferta de lazer. Com o início das férias escolares, fica quase deserta. Quem viveu por lá antes, acreditou que fosse se acostumar com o exílio voluntário. Cielo foi um deles. Mas só suportou o quarto ano graças às presenças de Nicholas dos Santos e Henrique Barbosa. Mesmo conhecendo as queixas de solidão relatadas pelos companheiros de seleção, Fratus não se intimida. Está disposto a pagar o preço.

-  Na verdade, sair da loucura de São Paulo é uma das coisas que me motivaram a ir para o Alabama. Espero encontrar uma condição que me permita focar 100% no que tenho a fazer, que é nadar muito rápido. Não estaria indo se fosse diferente. Tenho certeza de que será um desafio motivador não apenas para mim e para o Marcelo, mas para todo o time. Além de excelente nadador, ele sempre foi um grande amigo. Temos tudo para crescer juntos e chegar juntos à medalha olímpica em 2016.
 
Brett Hawke, técnico de natação do Chierighini (Foto: Reprodução Facebook)
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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