O Botafogo que conquistou seu primeiro ponto no Brasileirão deu esperança ao torcedor. Depois de um primeiro tempo de dificuldades, no qual foi para o intervalo perdendo por 2 a 0 para o Inter, domingo, no Maracanã, teve força e qualidade para buscar o empate. Muito pelo poder decisivo de Emerson Sheik, o estreante do dia, que marcou gol e deu passe a Zeballos. A partida ainda ficou marcada pelas vaias a Julio Cesar, lateral-esquerdo que falhou no primeiro gol colorado, e um inusitado festival de camisas embora a causa tenha sido nobre.
SHEIK DECISIVO
Ele é polêmico, chegou ao Rio criticando o treinador Mano Menezes, motivo de sua saída do Corinthians, e ainda reclamando de quem havia dito que o Botafogo é um time de ‘perna de paus’. Porém, também tem qualidade. Na sua estreia, Emerson Sheik foi marcado de perto pelos zagueiros do Inter - sofreu quatro faltas. Mas não baixou a cabeça. Deu caneta em Willians. Dividiu com Dida. E lutou. Ficou em campo os 90 minutos mesmo, como disse, tendo 35 anos. E conseguiu ser decisivo. Fez gol, de cabeça, e deu passe, em cruzamento, a Zeballos para comandar a equipe no sofrido empate em 2 a 2.
PERSEGUIÇÃO A LATERAL
Julio Cesar cometeu o pecado de marcar a bola e não o chileno Aránguiz. Resultado: o colorado recebeu dentro da área, olhou, cruzou e Rafael Moura abriu o placar, de cabeça. O 1 a 0 parcial ao Inter determinou o começo do fim da participação do lateral-esquerdo na partida de domingo. A cada toque seu na bola, o Maracanã era tomado por vaias. A torcida não perdoou. Ele iria sair no intervalo para a entrada de Junior Cesar.
COMEMORAÇÃO?
Quem faz gol, comemora, certo? Não no empate do Botafogo. Shiek não conseguiu fazer a tradicional corrida para abraçar companheiros, afinal, sentiu dores nas costas ao cair de mal jeito no chão. Zeballos, idem. Sentiu câimbras e ficou sentado na linha de fundo após se esticar todo para aparar cruzamento. Ele ainda teve de aturar uma brincadeira de Sheik, que o empurrou no chão.
FESTIVAL DE CAMISAS
A causa era nobre: a luta contra o racismo. Então, o Botafogo entrou na campanha ‘somos iguais’. Entrou em campo com uniforme especial, no qual as faixas preta e branca estavam invertidas: o escudo, que fica normalmente sobre a listra negra, foi bordado na branca, como uma forma de dizer que não há diferença entre as raças. Antes de a bola rolar, os atletas vestiram o uniforme original. E, após o intervalo, usaram o reserva, branco. Foi um festival de camisas.
QUEM NÃO FAZ...
Quem não faz, leva. Uma das máximas do futebol esteve presente no Maracanã. Perdendo por 1 a 0, o Botafogo foi ao ataque. Lucas, ao aparecer livre dentro da área, tentou encobrir Dida, mas errou o gol. No lance seguinte, a punição. O Inter marcaria o segundo, mais uma vez com Rafael Moura. Sorte de Lucas que, no segundo tempo, ele se recuperou ao fazer a jogada do gol de Sheik.