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Esporte


Mascote do Basquete Cearense supera doenças e dá lição de vida
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Ele é uma atração à parte nos jogos do Basquete Cearense. Mascote da turma do Bial, Solzinho dá um show fora das quadras, animando o público e fazendo brincadeiras até com os jogadores adversários. Todo esse bom humor é alimentado por uma série de vitórias. Não do time, e sim de Carlos Júnior, homem por trás da fantasia do mascote cearense. Aos 36 anos, ele já sobreviveu a um câncer no rim, a dois aneurismas e até a um problema no coração.

No entanto, mesmo com tantos problemas de saúde, Júnior não se isenta da alegria de viver. Ao relembrar as dificuldades sofridas, ele ainda sorriu ao final da entrevista e garantiu que passaria por tudo novamente, sem reclamar. E que no fim, esbanjaria a mesma felicidade de hoje. Sem medo de ser feliz.

O convite para ser Solzinho veio por acaso. Questionado pelo presidente do Basquete Cearense, Marcelo Balabram, se gostaria de ser o animador dos jogos do time, Júnior não titubeou e aceitou. A alegria em estar presente nos jogos do NBB é tão grande, que ele garante que faria até de graça.

- Faço porque gosto. Eu me sinto feliz em animar a vida das pessoas. É porque a gente precisa de dinheiro, mas se fosse para fazer de graça, eu fazia - garantiu.

O processo de vestir a 'armadura' não leva mais do que cinco minutos. Uma calça amarela, os pés, a camisa e o calção do time, braços e a cabeça. Já em quadra, o Solzinho faz coreografias, inventa brincadeiras e improvisa as 'vítimas'. Em um dos jogos, ele se empolgou tanto com uma das cestas, que arrancou a cabeça, jogou no chão e saiu comemorando junto à torcida.

- Outra vez tinha um casal de namorados. Fui até eles bem devagar e pulei sobre os dois! Foi engraçado! Depois dei um abraço neles, tiramos fotos e tudo mais. O pessoal costuma aceitar bem, as brincadeiras - afirmou.
 
Montagem, mosaico, Solzinho, Basquete Cearense (Foto: Arte/Globoesporte.com)
 
Intempéries

A vida do mascote do Basquete Cearense nunca foi fácil. Com apenas um ano e meio de idade, foi vítima de um câncer no rim e precisou enfrentar sete longos anos de tratamento. Nascido em São Paulo, mas filho de pais cearenses, Júnior sofreu com a quimioterapia e até perdeu os cabelos com o tratamento, mas se curou. Era só o começo de uma vida dura.

Quando veio morar em Fortaleza, sofreu dois aneurismas, dilatações anormais de vasos sanguíneos. Com eles, perdeu os movimentos dos pés, além da visão.

- Foi tudo por causa de um dente. Eu extraí um dente, mas o médico não foi tão cuidadoso para me dar a anestesia antes, daí inflamou e eu acabei engolindo parte do sangue, que tinha uma bactéria. Aí ferrou tudo. Passei quatro meses e 20 dias no hospital, internado, sem falar nem enxergar ou andar - relembrou.

Após as cirurgias para se recuperar dos aneurismas, Júnior achou que já estava livre dos hospitais e das recuperações. Lêdo engano. Com problemas no coração, precisou de uma válvula, a qual carrega até hoje no peito.

- Depois disso, passei mais dois meses internado. Fiz todos os exames de novo e uma nova cirurgia para colocar a válvula. Mas para encerrar a história, até hoje eu nunca mais senti uma dor no pé!

Lição de vida

O homem que nunca foi de ficar triste, como ele próprio fala, segue com a alegria como se fosse a pessoa mais feliz do planeta. A lista de agradecimentos, ao longo de jornadas tão sofridas? Imensa! O topo, no entanto, é da matriarca.

- Tenho muito o que agradecer. A muita gente. Mas a minha mãe é algo importantíssimo para mim. É Deus no céu e ela na terra. Porque você passar sete anos ao lado do filho, no hospital, com ele se tratando, dando banho, dando comida na boca, não é qualquer um que faz. Devo minha vida a ela. E não só por isso, sou eternamente grato - pontuou.
 
Solzinho, Basquete Cearense (Foto: LC Moreira/LNB)
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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