Na noite deste sábado o UFC Fight Night: Machida x Mousasi foi ao ar. Para lutadores amazonenses, as lutas ficaram em segundo plano. Ao acompanhar os lutadores Rodrigo Damm e Cristiano Marcello, o assunto geral pelas redes sociais foi a marca da Prefeitura de Manaus estampada nos calções e banners dos lutadores, naturais de Afonso Cláudio (ES) e Curitiba (PR), respectivamente.
Após a repercussão do caso durante toda a madrugada, lutadores de Manaus se reuniram, na tarde deste domingo, para repudiar o patrocínio a atletas de fora e contestar atitudes da prefeitura local. O encontro reuniu o lutador do UFC, Antônio Braga Neto, o atual campeão dos galos do Jungle Fight, Mário Israel, o bicampeão panamericano de jiu-jitsu, Carlos Holanda, e o campeão mundial, Gabriel Afonso. A reunião foi realizada em um restaurante, na Zona Centro-Sul da capital.
Durante a conversa, a grande contestação era quanto aos critérios utilizados pela prefeitura para definir cotas de apoio a atletas. “Se a prefeitura dispõe de dinheiro para apoiar dois atletas que nunca pisaram em Manaus, porque não apoia também os daqui?” foi o principal questionamento.
- Fico triste por quem precisa e não recebe. E a revolta não é só do lutador, é de muita gente que acompanha. O que queremos saber é: Por que gente de fora recebe patrocínio? Por que há um descritério na hora de distribuir as bolsas? É um pedido de esclarecimento da prefeitura, que precisa justificar a situação – declarou Braga Neto, que tem contrato assinado com a prefeitura para receber a bolsa mensal de R$ 4 mil há cerca de um ano e, segundo ele, nunca recebeu nenhuma parcela.
As providências, segundo os atletas, serão tomadas. A reunião inicial foi o pontapé de uma futura resolução, em prol da melhoria do suporte ao esporte. Tanto para os lutadores de MMA, quanto para os talentos do jiu-jitsu da capital.O próximo passo, segundo o grupo, é levar o caso ao Ministério Público do Estado (MPE/AM).
- Já temos um advogado e vamos ao ministério fazer uma denúncia. A Secretaria de Esportes precisa justificar a questão dos dois lutadores que receberam esse patrocínio sem motivos e esclarecer os critérios básicos que utilizam para selecionar quem deve ou não receber o apoio – completou Carlos Holanda.
Prefeitura se manifesta
Após a repercussão do caso na capital, a Prefeitura de Manaus encaminhou uma nota justificando o uso da marca e afirmou que nenhum dos dois atletas que lutaram na noite de sábado recebeu dinheiro do poder executivo municipal. A seguir, confira a nota na íntegra.
“A Prefeitura de Manaus informa que apesar dos lutadores Rodrigo Damm e Cristiano Marcello ostentarem, em suas lutas no UFC Fight Night 36 a logomarca da prefeitura em seus uniformes, eles não recebem qualquer patrocínio da administração municipal.
O patrocínio da prefeitura limita-se a atletas locais como José Aldo, Ronaldo Jacaré, Adriano Martins, Diego Brandão, do UFC, além de Ronnys Torres (Shooto), Bibiano Fernandes (One FC) e Marcos "Loro" Galvão (Bellator).
Por meio da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) está estudando ainda a possibilidade de ampliar esse apoio a outros lutadores e, para isso, já vem mantendo conversas com atletas como Allan Nugget, Rodrigo Pinheiro, Mário Israel e Robert Pato.
O que ocorreu na edição disputada no sábado, dia 15, em Jaraguá do Sul, foi uma homenagem de dois lutadores brasileiros - Rodrigo Damm e Cristiano Marcello - ao prefeito Arthur Virgílio Neto, em reconhecimento ao apoio que sua administração dá ao esporte.
O primeiro é treinado pelo mesmo técnico de Ronaldo Jacaré, Josuel Distak, que, quando esteve em Manaus, em novembro do ano passado para uma clínica ministrada pelo atleta, afirmou que iria homenagear a cidade na edição seguinte do UFC, com todos de sua equipe vestindo a camisa da Prefeitura. Além disso, Damm queria chamar atenção da prefeitura de sua cidade para a possibilidade de apoio a lutadores como já é feito pela Prefeitura de Manaus.
O segundo possui relação de amizade com o prefeito Arthur Neto e também manifestou sua vontade de homenageá-lo pela postura de apoio aos lutadores de MMA amazonenses.
Não houve qualquer tipo de desembolso financeiro para esses atletas.”

Fonte: Globo Esporte