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Esporte


Lars espera legado olímpico próximo do zero e defende vela em Búzios
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Uma tecla já bastante batida nos Jogos Olímpicos do Rio, a poluição da Baía de Guanabara, foi tocada por alguém que entende bastante do assunto. Em entrevista ao site "Esporte Essencial", Lars Grael mostrou falta de esperança para a solução do problema até 2016. Dono de dois bronzes olímpicos na classe Tornado, ocupou cargos políticos relacionados ao esporte e é membro fundador da Agência Mundial Antidoping, entre vários outras atividades. 

Lars é a favor de levar a vela para Búzios, onde a água é limpa e a condição dos ventos em agosto é melhor do que o do Rio, fraco e variável, prejudicando tecnicamente as regatas. Ele reclamou da Marina da Glória, onde acredita que haverá somente uma "tapeação", com estruturas temporárias para os Jogos. Para o irmão de Torben Grael seria preciso construir uma nova marina, e o local ideal seria em Búzios, onde há um projeto inacabado. O medalhista olímpico não duvida que a demora nas obras origine licitações emergenciais. 

- À medida que as equipes estão vindo para cá, o cenário que eles encontram é o da poluição absoluta. Não é a poluição do lixo flutuante, mas da qualidade da água, que é repugnante e asquerosa. E é isso o que se negam a discutir. Então, o desgaste hoje na mídia internacional e nos sites especializados do mundo da vela é muito alto e com uma tendência de piorar, porque não vemos propostas de soluções que sejam aceitáveis. (...) O Rio de Janeiro é poluído e não será despoluído para 2016. (...) Para a vela, o legado que se espera da Olimpíada é próximo de zero. A Baía, péssima, quem sabe fique um pouco melhor do que ela está. E a marina, que nós não temos, continuaremos sem ter.

LEGADO DO PAN: Marina da glória (Foto: Alexandre Durão / Globoesporte.com)Esgoto na Marina da Glória: Lars defende construção de nova estrutura (Foto: Alexandre Durão/Globoesporte.com)



Em relação à doenças, Lars não vê a possibilidade de contaminação no contato com as águas. O problema seria a "vergonha" diante de uma água "escura, marrom, fedorenta". 

- Eu já me deparei quatro vezes com cadáveres. É você estar navegando e passar do lado. Uma cena... Imagina isso nos Jogos Olímpicos! Deus queira que isso não ocorra.

Ele também criticou a Lagoa Rodrigo de Freitas, local do remo e da canoagem de velocidade, que além da qualidade da água também não apresenta espaço para evacuar os barcos após a chegada e profundidade e largura constante. Lars chamou a intervenção do COI de "mal necessário", a "constatação de que as coisas não estão acontecendo na velocidade adequada". Para ele, o tempo que era aliado, hoje é inimigo. 

martine grael tv baia da guanabara copa brasil de vela (Foto: Divulgação)Sobrinha de Lars, Martine Grael achou uma TV nas água da Baía de Guanabara (Foto: Divulgação)

Lars passou a tratar com atenção especial o mundo paralímpico após o acidente que lhe ceifou a perna direita, em 1998. Ele acredita no Brasil como potência paralímpica e lamenta que o país não seja acessível para os deficientes. O niteroiense falou sobre uma ideia que ganha corpo há algum tempo: organizar as Paralimpíadas antes, e não depois das Olimpíadas, quando haveria um apelo maior com o público.

- Numa fase em que a grande apoteose já aconteceu, já na ressaca pós-olímpica, a Paraolimpíada acontece sempre com baixíssima visibilidade. 

Por fim, Lars pediu maior voz ativa dos atletas e demonstrou temor que após os Jogos do Rio a sociedade culpe o esporte por gastos públicos que poderiam ser aplicados  na educação, saúde e segurança. 

- O ano de 2016 é apenas uma etapa, quando um grande evento vai acontecer no Brasil, mas o verdadeiro crescimento do país no esporte olímpico e paraolímpico só será medido a partir de 2020.

 

 

 

 

 

 


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