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Do tráfico na infância aos R$ 200 milhões na NBA, a história de Butler
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No ano passado, atuando pelo Milwaukee Bucks, Caron Butler comemorou uma cesta decisiva com um gesto obsceno e acabou punido pela NBA com uma multa de R$ 34 mil. Foi criticado, recebeu ameaças de torcedores rivais... Ali, ao extravasar depois de ajudar seu time a vencer o Boston Celtics por 104 a 98, o ala-armador fazia nada mais do que se expressar da forma que as ruas o ensinou desde a infância. Nascido em Wisconsin, um dos maiores mercados de droga nos Estados Unidos, Butler se envolveu com o crime ainda na infância. Aos 15 anos, traficava crack, cocaína e maconha e acabou detido em algumas oportunidades. Numa delas, um policial da pequena cidade de Racine percebeu que o menino não tinha a índole de um criminoso e o fez escapar de uma condenação maior e de uma vida restrita e possivelmente na prisão. Agora, mais de uma década depois, Butler construiu uma carreira sólida na NBA, com um título, em 2011, e brilha na liga americana pelo Oklahoma City Thunder, melhor time da temporada regular, com US$ 80 milhões (quase R$ 200 milhões) ganhos em 11 temporadas. Mas nem sempre foi assim...

O tio, chamado de Carlos, havia passado parte da vida na cadeia por tráfico de drogas. Quando o via solto, porém, Caron admirava o tio, sempre com dinheiro e anéis caros. Assim, aos 11 anos, o menino acabou indo pelo mesmo caminho, contrabandeando maconha em um parque do lado de casa. No primeiro dia ganhou US$ 38 dólares (R$ 90) e depois passou a expandir seus negócios na rua, entre os vizinhos. Com 15 anos, já havia passado na polícia ao menos 14 vezes, sempre com posse de droga. A ficha criminal era tão grande que ninguém acreditava em sua salvação.

- Como uma criança, você pode ir para a escola todos os dias. Ir para a escola por oito horas por dia, mas você não vê um impacto imediato. No entanto, se você estiver na rua, nas drogas, vendendo, em apenas quatro ou cinco horas você pode ganhar US$ 1.500 (quase R$ 4 mil) - lembra Caron Butler, que na infância foi criado pela mãe, seu único alicerce.

Ao entrar no segundo grau, seguido de perto pela polícia, foi preso de novo com US$ 1.200 dólares (R$ 3 mil) em sua gaveta, que também tinha drogas e um revólver calibre 32. Não entregou nenhum dos seus comparsas e pegou nove meses de detenção. Parecia o fim. Lá, ao ficar 15 dias na solitária por mau comportamento, refletiu sobre a vida e começou a dar a volta por cima. Em agosto de 1996, quando deixou a correcional, prometeu a mãe que não teria mais problemas. Trabalhando em uma rede de fast food, passou a ser alvo de bullying de amigos que não acreditavam que ele levaria uma vida de trabalhador comum.

- Eu não contaria a ninguém quem são meus colegas. Se eu estivesse lá fora, vendendo droga, poderia ser eu. Era um carma e tinha que saber lidar - disse Butler.

Certo dia, porém, ao voltar para casa, outra surpresa. A polícia chegou mais tarde e encontrou droga na garagem de sua casa. Um diretor da polícia, chamado Rick Geller, porém, acreditou na inocência de Butler e o liberou. Se fosse detido, poderia ficar dez anos preso, já que era maior de idade. Esperto, Caron entendeu o recado da vida. Seguiu no basquete, entrou na universidade, e hoje brilha na liga americana, onde entrou em 2002 ao ser a décima escolha do Draft daquele ano. Depois de 11 temporadas, acumulou em salários e prêmios o estrondoso valor de US$ 80 milhões (quase R$ 200 milhões). Atuando pelo Oklahoma City Thunder, líder de sua Conferência, o ala-armador acumula na NBA o recorde de 15,5 pontos e 5,4 rebotes por partida e pode conquistar pela segunda vez o título da liga americana. Tudo por conta da ação de Rick, que mais tarde encontrou Butler em um evento de caridade.

- Ele veio e me disse que era o oficial que tornou possível para a minha família e eu a vida que tínhamos hoje. Disse-me que a história do que aconteceu naquela noite, como ele tomou a decisão que poderia ter mudado a paisagem da minha vida. Estou extremamente grato - frisou o jogador.
 
Caron Butler comemoração NBA (Foto: Reprodução / Twitter)
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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