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Esporte


Das ruas para o basquete, ex-catadora de lixo busca se firmar na seleção
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Quando viu o seu nome entre as convocadas por Luiz Augusto Zanon para a seleção brasileira de basquete, Bianca Araújo mal podia acreditar. Lia e relia a lista, parecia não querer despertar de um sonho. Nunca pulou tanto ao saber de uma notícia. Chorou de alegria abraçada à mãe, Dona Maria, enquanto o celular não parava de tocar. Uma das principais revelações da nova geração, a jovem de apenas 18 anos conheceu o esporte por acaso. Desde os sete anos, ela era catadora de lixo nas ruas de Santo André, no ABC paulista. Ao lado da mãe e do irmão, recolhia todo o tipo de material: plástico, vidro, papel, ferro... Os R$ 40 a R$ 60 que ganhava por dia ajudavam Dona Maria, que se desdobrava para sustentar a família. Sem perspectiva para o futuro, sua vida ganhou um novo rumo nas quadras. Se no início Bianca fugia do esporte e era quase carregada para os treinos do Santo André, hoje o garrafão é o lugar em que se sente mais confortável. 
 
- Nem passava pela minha cabeça jogar basquete, não fazia ideia do meu futuro. Pensava só em trabalhar. Saía às 4h ou 7h de casa para catar material reciclável nas ruas, depois separava e vendia. Quem me levou para o basquete foi um amigo meu da igreja, o Israel. Ele insistiu tanto que eu acabei indo, mas achava que não era para mim. Eu não gostava e ia embora assim que ele me deixava de carro. Aí ele descobriu que eu estava fugindo do treino e passou a me levar dentro da quadra. Fui gostando, gostando... Hoje, o basquete é tudo para mim, é o que sei fazer de melhor e não trocaria por nada - disse a pivô, que defendeu o Brasil em uma série de três amistosos contra o Canadá, em junho, na cidade de Edmonton, na qual a equipe canarinho somou três derrotas. 
 
De catadora a promessa do basquete brasileiro, Bianca também viu a família mudar de vida: o irmão tornou-se balconista, enquanto a mãe deixou as ruas para trabalhar como empregada doméstica. Do alto de seus 1,91m e 85kg, a pivô passou pelas categorias de base da seleção e agora busca se firmar na equipe adulta.
 
Fã de Clarissa, ela se inspira na companheira para se manter no grupo das 12 atletas que vai disputar o Mundial da Turquia, entre 27 de setembro e 5 de outubro. O Brasil está no Grupo A, ao lado de Espanha, República Tcheca e Japão. A estreia será no dia 27 contra as tchecas, que ocupam o quinto lugar no ranking da Federação Internacional de Basquete (Fiba).
 
- Meu maior sonho é ser jogadora profissional de basquete, defender a seleção adulta e dar um futuro maior para a minha família. Se conseguir dar uma casa para a minha mãe, não peço mais nada. Gostaria muito de ir para o Mundial, não dá para negar. Acho que vou ter um "treco" se eu permanecer no grupo que vai para a Turquia. E tem o Sul-Americano do Equador antes (14 a 18 de agosto). Ainda defendo a seleção brasileira sub-18, mas vou ralar bastante para conquistar o meu espaço aos poucos. Eu sinto a diferença de jogar na base e na equipe adulta, onde o jogo é mais forte e pegado. Tudo é mais intenso, as disputas são mais acirradas. Estou muito focada e sei que mesmo sendo mais nova posso colaborar entre as mais velhas. 
 
Com dois títulos sul-americanos na bagagem (sub-15 e sub-17 no Equador, em 2011 e 2013, respectivamente), Bianca terá um compromisso importante com a seleção brasileira sub-18. Após um período de treinos de 10 dias em São Bernardo do Campo (SP), no interior paulista, a pivô irá disputar a Copa América, de 6 a 10 de agosto, em Colorado Springs, nos Estados Unidos. O torneio vai distribuir vagas aos quatro primeiros colocados para o Mundial sub-19, no ano que vem. 
 
- Vamos fazer o nosso e estamos com o time legal. Vai dar tudo certo. É só a gente querer. Temos que aproveitar a oportunidade. Vou continuar treinando para evoluir. Trabalho de pivô é duro, ou você vai para cima ou apanha. Quero aprender cada vez mais. Se me convocarem para a equipe adulta, vou fazer a minha parte. Meu coração aperta e fica acelerado só de pensar. Fico até meio nervosa, mas sei que preciso ter paciência e com o tempo terei o meu lugar - finalizou. Clarissa e Bianca na seleção brasileira de basquete (Foto: Divulgação/CBB)
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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