Um grupo de amigos de longa data em busca do sonho da vida de cada um e, por tabela, de um país sedento pelo fim de um tabu. A seleção argentina que disputa a Copa do Mundo no Brasil é muito mais do que um apanhado dos melhores jogadores do país selecionados por Sabella. É também um grupo que joga junto há muito tempo, que reúne os melhores companheiros de Messi - para muitos, por isso Carlos Tévez foi excluído - e que aposta exatamente neste relacionamento para colocar um ponto final em uma sina: de não repetir no profissional o sucesso avassalador nas categorias de base. Já são 21 anos sem levantar um troféu.
A última conquista dos hermanos pela equipe principal aconteceu em 1993, na Copa América do Equador. De lá para cá, a seleção acumula fracassos. Em Copas do Mundo, sequer passou das quartas de final. Até mesmo em campeonatos disputados na América do Sul o rendimento é fraco: apenas duas decisões, e com derrotas traumáticas para o Brasil. Nestas duas décadas, no entanto, não faltaram craques revelados na Argentina. Nas categorias de base, o sucesso é impressionante: cinco títulos de Mundiais Sub-20 e dois ouros olímpicos. Mas ninguém conseguiu repetir o desempenho entre os profissionais. Missão que Messi assumiu ao lado dos companheiros da "Geração Pequim".
Dos 23 convocados por Alejandro Sabella para a Copa do Mundo, nove estiveram entre os 18 que conquistaram o título na China. Oito deles, inclusive, devem ser titulares nas quartas de final com a Bélgica, sábado, em Brasília: Romero, Zabaleta, Garay, Mascherano, Gago, Di María, Messi e Lavezzi. Se for levado em conta que Lucas Biglia estava na lista de espera olímpica, o número geral sobe para dez. E com um pouco mais de boa vontade pode chegar a 12, se incluirmos José Sosa e Ever Banega, também campeões olímpicos e que foram cortados na lista de 26 para o Mundial no Brasil.
O companheirismo é apontado como um dos fatores determinantes para que Sabella formasse este grupo e, principalmente, para que Messi se soltasse e assumisse definitivamente a posição de líder que tem mostrado desde o período de preparação, em Ezeiza. Questionado sobre o que o fez dar mais a cara a tapa neste sentido, Leo foi claro ao dizer que a cumplicidade que tem com a maioria do elenco o deixa mais à vontade.
- Passaram muitos anos. Fui crescendo, amadurecendo dentro e fora do campo. Me encontro em um grupo com muitos amigos, muito bem, temos relação com todos dentro e fora do campo. Estou muito contente.
A amizade tem dado frutos com a bola nos pés, o que minimiza qualquer argumento contra todo mimo em torno de Messi. Nas Olimpíadas, por exemplo, oito dos 11 gols marcados pelos hermanos saíram de jogadores que estão no Brasil - levando em conta que um nono foi contra. Messi, Di María, Agüero e Lavezzi marcaram dois cada um. Nas eliminatórias para 2014, a marca não é muito diferente. O ponto discordante é Higuaín, que substitui o Pocho no lugar dos mais importantes para Sabella.
Caso vença a Bélgica no sábado, às 13h (de Brasília), no Estádio Nacional, na Capital Federal, a Geração Pequim já vai alcançar uma marca que nenhum dos antecessores mais recentes conseguiu: avançar às semifinais de uma Copa. Desde o vice-mundial em 1990, na Itália, ainda com Maradona, o máximo que os hermanos chegaram foi nas quartas, em 1998, 2006 e 2010. E apostas para colocarem um ponto final neste tabu não faltaram ao longo dos anos.
Lista com decepções é grande
Sorín, Samuel, Cambiasso, Riquelme, Aimar, Burdisso, Saviola, Romagnoli, D´Alessandro, Ayala, Coloccini, Heinze, Lucho González e Carlos Tévez. Dá mais do que um time a relação de jogadores com sucesso internacional e que estiveram em alguns dos títulos de seleções de base, mas não conseguiram levar a Argentina ao tão esperado tri mundial. Para isso, a AFA (federação argentina) até apostou no principal mentor deles, José Pékerman, e não foi feliz. Tricampeão do mundo sub-20, o atual treinador da Colômbia dirigiu o país no Mundial da Alemanha e também decepcionou.

Fonte: Globo Esporte