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Esporte


Atrás de sonho, lutadores moram há 5 meses em filial da Nova União
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“Primeiro a gente pulava o terminal – porque a gente era liso mesmo -, aí pegava o 640, parava no Terminal 3, depois pegava outro ônibus e descia aqui perto da academia”.  A exaustiva rotina de ‘passeio’ - da Zona Norte à Oeste de Manaus - culminaria, talvez, no abandono do sonho de seguir a carreira na luta. Não foi empecilho, no entanto, para os quatro lutadores que atualmente fazem morada na tradicional academia Nova União-MPBJJ, responsável por revelar José Aldo. Fábio, Alexandre, Werlesson e Lucas trocaram o colchão de casa pelos tatames, e quem assumiu o lugar de pai foi o líder da equipe, Márcio Pontes. Se a vontade era viver da luta, o plano tem sido seguido à risca pelos moradores há mais de cinco meses.

Não precisa de muito. O mestre, logo de cara, resume a moradia: “É a maior cama de Manaus aí ó”, destaca, apontando com o queixo o tatame que reveste quase que 75% do chão da academia. Com a cama ‘posta’, cada um tem seu cobertor e o espaço é livre para dormir. As tarefas de limpeza são divididas de forma democrática e os treinos acontecem de duas a três vezes por dia. “A vantagem de dormir aqui é que a gente já acorda do lado do saco, só precisa levantar e treinar”, justificam.

O GloboEsporte.com bateu à porta da Nova União, localizada na zona Oeste da capital, logo cedo. Os anfitriões haviam saído para tomar café da manhã na padaria ao lado e Fábio Perez ‘Tubarão’ foi quem ficou responsável pela casa. Paulista, mestre de muay thai e radicado em Rondônia, o morador contou um pouco da sua história, lembrou da família e citou o sonho de seguir carreira no MMA.

 - Foi um desafio muito grande largar a minha casa e vir pra cá (Manaus). Não é fácil não. Bate a solidão e às vezes dá vontade de voltar. Lá (em Rondônia) tenho só a minha mãe, de família, mas tem também a minha equipe, o pessoal que sempre treinou comigo, o meu mestre... Tem horas que dá desespero, vontade de voltar pra casa, mas não é o certo. Não vou largar tudo. É o meu sonho e vai valer a pena, eu sei – resumiu Tubarão, o mais experiente do grupo, com 32 anos e um cartel de quatro vitórias e uma derrota.

Se para Tubarão, em seus 32 anos, a mudança foi difícil, para os outros ‘meninos’ nada foi muito traumático. Alexandre Lelek, 21, e Werlleson Galinho, 18, são primos e antes moravam com a família, no Bairro do Mutirão, Zona Norte de Manaus. Lucas Cabrito, 19, morava próximo à Barreira, também na Zona Norte. A dificuldade de transporte, primeiro relato do grupo, foi a base para que a decisão fosse tomada.

- Fazíamos esse caminho, de pular o terminal, pegar os ônibus e vir todos os dias, na ida e na volta. Na volta, a gente ainda tinha que pedir dinheiro da galera da academia pra conseguir voltar. Nessa época, já tinha um cara que morava aqui. Um dia ele convidou a gente pra dormir, e a gente foi ficando. O sonho é viver da luta. Treinar e lutar sempre. A mudança vai nos levar a isso – lembra Lelek, que tem três lutas marcadas para os próximos três meses.

As famílias, claro, foram contra a mudança. Algumas mães aceitaram sem muita resistência, outras hesitaram. O argumento, no entanto, não dava margem à desconfiança.

- A minha mãe reclamou muito, não queria aceitar que eu deixasse a minha casa. Depois de um tempo, ela percebeu que era melhor eu aqui, treinando e me dedicando do que solto nas ruas – assume Lucas.

A experiência, em breve, será posta à prova. Além de Tubarão e Lelek, que já lutaram no profissional, Werlesson e Lucas farão em breve sua estreia. Os quatro devem integrar o card da 4ª edição do Big Way Fight, em abril.

Nova 'família'

Líder da Nova União-MPBJJ e primeiro mestre do campeão do UFC, José Aldo, Marcio Pontes acolhe os alunos e aposta no crescimento da equipe. Com pinta de pai, ele apresenta cada um dos seus hóspedes e relata o convite.

- Os meninos vinham treinar, mas não tinham condições de vir todo dia à academia. A gente via que não era fácil. Então sentamos um dia e decidimos que eles passariam a semana morando aqui e no fim de semana voltariam pra casa. Faço isso porque sei que são todos boas apostas. Na realidade, estamos com um trabalho de base muito bom no geral.

Instalados na academia há cerca de cinco meses, se antes a afinidade não reinava, hoje o grupo deixa a desconfiar se os laços não são mesmo de sangue. Cada um com sua história e seus anseios, eles compartilham o mesmo sonho e usam a ‘nova família’ como base para enfrentar o futuro.

- A gente se dá muito bem, esse é a melhor parte. Acho até que é melhor morar aqui do que na minha casa mesmo. Aqui a gente tá sempre brincando, se divertindo, tirando sarro um do outro, é divertido. A tristeza a gente joga pro lado. Todos temos dificuldades e problemas, mas nos ajudamos. É uma família e aqui somos todos irmãos – resumiu Alexandre.
 
Lutadores moram em academia de Manaus (Foto: Isabella Pina)
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Combate

 

 

 

 

 


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