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Esporte


Após aventura no Irã, Rodrigão volta e trabalha por sonho de montar equipe
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Em setembro de 2013, Rodrigão parecia ter tomado o rumo certo quando desistiu da aposentadoria das quadras para defender o Rio de Janeiro na Superliga. Mesmo com algumas baixas, como Theo e Lucão, o campeão da temporada passada seguia entre os favoritos. Entretanto, o fim inesperado do patrocínio da OGX causou uma crise que ocasionou a debandada de jogadores e a ameaça até da existência da equipe. O momento turbulento acabou levando o central para o Irã, onde assinou contrato de um mês. No país islâmico, enfrentou dificuldades com a cultura e teve de receber as orientações do técnico traduzidas pelo fisioterapeuta da equipe, um dos poucos que falava inglês. Agora, de volta ao Brasil, ele luta para tirar o projeto de um time de Santos do papel.

Antes de ir para o Barij Essence Kashan, o campeão olímpico acompanhou a saída do levantador Bruninho, dos centrais Maurício Souza e Leandro Vissotto e dos ponteiros Thiago Sens e Thiago Alves. Sua ideia era permanecer no Rio até o fim do torneio, mas uma proposta financeira alta e o pouco tempo de contrato o seduziram. No Irã, onde já havia disputado um Mundial Juvenil, em 1997, ele defendeu a equipe em apenas duas partidas, já que o time foi eliminado pelo Shahrdari Urmia nas quartas de final. No total, ficou duas semanas no país.

No Irã, Rodrigão foi tratado como estrela. Em uma liga pouco difundida, ele passou a chamar a atenção da imprensa, torcedores e dos próprios companheiros. Em relação ao campeonato, o central destaca que a estrutura e organização não deixam a desejar a da Superliga, mas admite que o nível técnico é inferior. O que mais chamou a atenção do campeão olímpico foi decidir a classificação para a semifinal em um ginásio com 9 mil pessoas, na casa dos rivais, em Urmia. Como comparação, o maior público da Superliga é do jogo entre Maringá e Canoas, com 4.700 presentes, no Ginásio Chico Neto, na cidade paranaense.

- Fiquei em uma cidade pequena (Kashan), a duas horas da capital (Teerã). O vôlei lá é paixão nacional, no último jogo foram 9 mil pessoas. A estrutura dos ginásios é muito boa. Falavam muito nisso, de eu ser o primeiro grande jogar a estar lá. O assédio era grande, até os jogadores pediam para tirar fotos. O idioma que foi bem complicado, já que poucos falavam inglês. O levantador da equipe e o fisioterapeuta que me passavam as informações - disse Rodrigão.

Vivenciar a cultura islâmica trouxe algumas surpresas para o jogador. Com uma rotina revezada entre treino e casa, ele lembra o que o trouxe mais espanto.

- Eles têm alguns costumes que me deixam surpreso. Tinha lá uma pessoa que sempre organizava as orações, colocava incenso nas reuniões - afirmou o central.

Agora, há pouco mais de dez dias em Santos, ele aguarda o fim da Superliga para definir seu futuro, de preferência em clubes de São Paulo e Rio, pela proximidade da família. A ideia é jogar até a Olimpíada, em 2016. Entretanto, enquanto não firma contrato com alguma equipe, ele batalha por um antigo sonho, que começou em 2009: criar um time na cidade. Ele iniciou conversas com empresários em janeiro e já participou de algumas reuniões.

Outras negociações seguem na mesa, mas sem algo concreto. Para ele, a Copa do Mundo concentrou as oportunidades de patrocínio, o que prejudicou os esportes olímpicos.

- A gente depende de empresas. Corri atrás, sempre corro. Temos um ginásio para 5 mil pessoas e apoio para jogar com a camisa do Santos (futebol). Eu entrei em contato com algumas empresas em janeiro e já fui a reuniões. A maioria vê com bons olhos, mas muita gente está concentrando os investimentos na Copa. Mas, como a Superliga começa um tempo depois da Copa, vejo que ainda daria para apoiar - analisou o jogador.

Logo em seu retorno ao Brasil, Rodrigão foi no último jogo do Rio de Janeiro na Superliga, quando o time foi eliminado pelo Minas, na semana passada. Para recuperar os salários atrasados (ele não recebeu nenhum enquanto esteve na equipe), o central acredita que a única forma será fazer valer seu direito na Justiça, mas ainda pretende esperar mais um pouco até entrar com uma ação.
 
Minuzzi encara o bloqueio de Rodrigão (Foto: Divulgação/CBV)
 
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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