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Esporte


Após 11 Copas pelo mundo, brasileiro fica sem ingresso justamente em casa
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México, Alemanha, Argentina, Espanha, México novamente, Itália, Estados Unidos, França, Coreia do Sul, Japão, Alemanha mais uma vez e África do Sul. Justamente quando chegou a hora de ver a Copa do Mundo em casa, Francisco Moraes passou a encontrar problemas para ir aos jogos. Após assistir às últimas 11 edições do torneio in loco, o empresário brasileiro, que segue a Seleção – e o Flamengo – de perto desde 1968, está sem ingresso para o Mundial de 2014 e faz seu apelo.
 
- Estou lutando, pedindo aos amigos. Estou fazendo um apelo aos patrocinadores, não quero nada de ingresso de graça. Sou torcedor de arquibancada. Quero comprar. Mas quero pagar um preço justo. Só não dá para pagar R$ 10 mil para ir a um jogo. Não é questão de ter dinheiro ou não, isso nós arranjamos. É que os preços são absurdos. Mas quero estar na Copa. Eu vou estar – disse, durante entrevista no Rio de Janeiro, o empresário, que tem um site para divulgar suas façanhas.
 
O empresário diz não ter muita intimidade com “essas coisas de internet”. Por isso, ele próprio nem tentou comprar os ingressos disponibilizados no site da Fifa. Apenas seus assessores, que ele prometeu colocar dentro dos estádios da Copa do Mundo, tentaram, mas sem sucesso.
 
- Estou com o problema maior porque não uso telefone. Não gosto e nem uso essas coisas de internet. A minha preocupação é colocar esse moleque dentro do estádio. Se fosse apenas para mim, seria menos difícil. Se eu mandasse um e-mail, talvez até conseguisse um camarote. Mas quero colocar esse moleque dentro – disse o empresário, citando Luisinho, uma espécie de assessor que vem o ajudando na empreitada.
 
Antes, ele diz que comprava as entradas diretamente com a CBF. A exceção foi na Copa de 2010, quando disse ter recebido os bilhetes de cortesia das mãos de Paulo Paixão, ex-preparador físico da seleção brasileira. Mas, mesmo sem a ajuda da CBF, ele conseguia dar seu jeito. Logo em casa, no entanto, foi diferente.
 
- Estamos no Brasil. Um deputado não pede cinco ingressos, pede 50. E não tem 10% dos ingressos vendidos para a final. Quase tudo é destinado para convidados. Nós estamos no Brasil, é o lugar mais difícil do mundo para se conseguir ingresso. O torcedor tem que se prostituir. Um “zé ninguém” que vai para a porta do ingresso não consegue entradas na hora – disse Moraes.
 
Moraes é daqueles personagens folclóricos que se destacam mesmo entre aqueles que fazem loucuras pelo futebol. Flamenguista doente, ele, que já foi personagem de matérias de diversos jornais do exterior, garante que boa parte das suas receitas vai para viagens. Não aquelas de turismo, mas sim para assistir aos jogos do Brasil e do Flamengo ao redor do mundo.
 
- Nenhum torcedor já atravessou tanto continente como eu. Existe europeu que foi em 12, 13 Copas, mas dentro da Europa é mole. Difícil é atravessar o oceano como eu fiz. E agora estou fora da minha casa – lamenta o torcedor, que diz ter ainda no currículo 18 edições de Copa América, fora jogos de eliminatórias e Copa das Confederações.
 
Nascido no Piauí e formado em publicidade, ele se mudou para o Rio de Janeiro ainda criança, mas antes disso já era torcedor do Flamengo. E vem daí sua obsessão por Mundiais. 
 
- Em 1968, 1969, estava surgindo o fenômeno Zico.  Eu já era flamenguista e decidi seguir a carreira do Zico. Nunca perdi um jogo oficial do Zico. Copa do Mundo foi complemento e eu ia com a camisa do Flamengo divulgar a camisa do meu clube no exterior – completou o empresário.
 
Moraes tem duas semanas para arranjar o ingresso. Ao menos, para a abertura da Copa do Mundo. A Seleção estreia dia 12 de junho contra a Croácia, na Arena Corinthians, e o empresário espera fazer a ponte aérea do Rio de Janeiro a São Paulo.
 Moraes, torcedor brasileiro em Copas (Foto: Thiago Dias)
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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