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Esporte


Advogado sobre Thiago Silva: Ele está humilhado e muito triste
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 Scott Saul, advogado do brasileiro Thiago Silva, que foi preso na madrugada de sexta-feira na Flórida, EUA, depois de ter ameaçado a esposa, Thaysa Silva, e o treinador de jiu-jítsu Pablo Popovitch em uma academia da região, afirma que o lutador está sendo bem tratado na prisão, mas está triste e consternado.

- Eu o vi hoje (domingo) e enfim, é uma cadeia, não é um bom lugar para se estar. Mas ele disse que está sendo bem tratado, algumas pessoas lá dentro o reconhecem, sabem quem ele é e o estão apoiando. Ele está bem. Mas Thiago não fez nada do que disseram, é inocente e, claro, está muito triste de estar preso. Ele nunca teve um problema com a lei antes, nunca tinha sido preso. Ele está humilhado, muito triste porque tudo isso aconteceu.

O advogado, que não pode dar muitos detalhes por conta do termo de confidencialidade do caso, também acredita que a polícia americana exagerou no tratamento dado ao atleta no momento da prisão e que o fato de ele ser um lutador profissional está atrapalhando o andamento do caso por conta de discriminação:

- O caso é que Thiago está tendo problemas com a sua esposa, eles não estavam se entendendo e, como ele é um lutador profissional, na minha opinião, eu acho que a polícia teve uma resposta exagerada à situação. Eu acho que o caso não precisava ter tomado essa dimensão, pois o Thiago nunca bateu em ninguém, nunca ergueu a mão para ninguém ou apertou o gatilho da arma. Ele não fez nada violento. Ele não desafiou a polícia de forma alguma. A casa dele foi cercada por times da SWAT e carros blindados e eles deram a entender que o Thiago se trancou em casa armado e que uma negociação de reféns precisava acontecer. Mas isso não foi o que aconteceu. Ele não se isolou em casa, não correu da polícia e nunca disse à polícia que iria enfrentá-los ou lutar contra eles. Ele não fez nada disso. Não havia necessidade de toda essa polícia e de tudo o que foi visto pela TV.

Saul também explicou que o brasileiro deve permanecer preso até que a Procuradoria do Estado da Flórida oficialize o caso, o que deve acontecer em 30 dias, e esclareceu que o atleta ainda não foi acusado formalmente. O advogado ainda revelou detalhes sobre o que aconteceu na noite da prisão do lutador. Confira a entrevista abaixo, dividida por tópicos:

Futuro de Thiago Silva a curto prazo:

"É impossível dizer o que vai acontecer, pois nós estamos apenas no começo do caso. O que aconteceu é que na quinta-feira à noite (madrugada de sexta-feira no horário do Brasil), a polícia o prendeu. E há uma grande diferença em como a procuradoria o acusou e a forma como ele foi preso. Thiago foi preso por duas tentativas de agressão com risco de morte, mas quando nós fomos à Corte, o juiz entendeu que não havia evidências suficientes para sustentar esse tipo de acusação. Ele foi preso, o caso ainda nem recebeu um número e o que precisa realmente acontecer agora é que a Procuradoria do Estado precisa rever o caso e decidir quais serão as acusações formais. Como advogado, eu estou tentando investigar a verdade da questão para saber o que aconteceu”.

Como foi convidado para entrar no caso:

“O Thiago não me ligou, o que aconteceu foi que outros lutadores, com os quais ele é associado, souberam da notícia e ligaram para o empresário e explicaram o que estava acontecendo. O empresário ligou para o departamento jurídico e o advogado me ligou, porque eu sou vizinho do Thiago. Ele perguntou se eu podia me envolver no caso, porque havia policiais por toda a parte e eles estavam preocupados que algo poderia acontecer com o Thiago. Eu sou um advogado criminalista e acompanhei tudo o que aconteceu"

Exageros por parte da polícia:

"Quando eu cheguei, a polícia tinha bloqueado quatro quarteirões, havia helicópteros, times da SWAT (polícia tática americana) vestindo uniformes camuflados e eles não queriam nos dar acesso ao local. No final, eu acabei ficando no mesmo lugar onde a esposa do Pablo estava, acompanhado de mais dois de seus amigos e a polícia achou, por algum motivo, que precisava usar essas pessoas em algum tipo de negociação de reféns. E nada disso era verdade, nem mesmo o relatório da polícia. Ele não fugiu da polícia, não ameaçou os policiais ou nada disso. Ele não resistiu à prisão. Mesmo no relatório da polícia, a única coisa que eles disseram é que ele foi até eles, e lembre-se de que ele estava muito bêbado quando foi preso, então o Thiago foi acusado de mostrar o dedo do meio e de voltar para dentro do apartamento. E eu acho que o que aconteceu é que ele estava bêbado e os policiais estavam batendo na porta, ele estava dormindo, abriu a porta e os policiais o renderam e o levaram. Não havia motivo para isso, eles não precisavam tê-lo agredido e, mesmo quando nós fomos para julgamento, eles continuavam falando que Thiago era um lutador profissional, mas em momento algum ele tentou usar de violência para resistir à prisão. Se ele tivesse lutado contra alguém, seria diferente, mas o fato de ele ser um atleta profissional não está relacionado a nada disso. Não é porque ele é lutador que ele é mais perigoso do que alguém que não é."

Sobre demissão do UFC

“Eu não posso comentar essa parte, mas posso dizer que ele sabe que não vai lutar em março, por conta desse caso criminal. No entanto, eu imagino que, se provarmos a sua inocência, o UFC provavelmente vai reconsiderar essa posição”

Próximos passos:

“Até agora é uma alegação, Thiago não foi culpado de nada. Ele não foi nem oficialmente acusado de nada. A versão que está na mídia é o que a polícia colocou no relatório. Para explicar como funciona no Estado da Flórida, a procuradoria vai levar em torno de 30 dias para apresentar uma decisão. Então esse é o problema agora. Eu preciso fazer o que puder para convencer a procuradoria de que, independente do que a polícia registrou no boletim, as coisas não aconteceram daquela forma exata. Pode ser que o que a esposa do Thiago disse tenha sido tirado de contexto, eu não sei. Havia muitas pessoas lá na hora, muitos policiais, mas eles não testemunharam nada demais”.

Preconceito por ser lutador de MMA

"Eu só quero ressaltar que, nos EUA, qualquer pessoa que é presa é inocente. É o Estado quem tem que provar o contrário e o caso está apenas começando. Thiago foi preso e é isso. Infelizmente, eu acredito que, se ele não fosse um lutador profissional, esse caso teria se desenrolado de outra forma. Eu também acredito que os lutadores de MMA são estigmatizados, são vistos como pessoas ruins. Você tem jogadores de futebol americano, que têm quase dois metros de altura e pesam mais de 140 kg, que são bem maiores do que ele, mas não são tratados assim quando algo parecido acontece. A primeira coisa que as pessoas usaram contra o Thiago foi a sua profissão. Eles estão usando a profissão de lutador e o fato de ele ter passado por dificuldades na infância e se tornado famoso contra ele mesmo. Na minha opinião, isso é errado. Se ele chuta ou soca alguém dentro do octógono, isso é o que ele faz para viver. Mas não houve violência, não houve chute ou soco nesse caso. A profissão dele não pode ser usada contra ele”.
 
 
 
 
 
 
Fonte: Combate

 

 

 

 

 


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