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Adaptada à cultura da Turquia, Fê Garay ainda sonha vencer a Superliga
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São muitas medalhas na carreira e a satisfação de ter escutado o Hino Nacional brasileiro no lugar mais alto do pódio nos Jogos de Londres 2012. Entre tantas vitórias, uma lacuna a ser preenchida na estante de glórias de Fernanda Garay: o título da Superliga feminina. Com passagens por equipes como o Vôlei Futuro e Osasco, a ponteira não venceu o principal torneio nacional. Em setembro do ano passado, ela trocou o Brasil pela Turquia para defender o Fenerbahçe. Adaptada à cultura do país, a atleta ficou encantada com a diversidade cultural e as belezas urbanas de Istambul. E já escolheu seu prato preferido da culinária turca. Apesar de estar acostumada ao novo estilo de vida, a campeã olímpica afirma que quer retornar às raízes e garantir a conquista que lhe falta.

- Eu estava bem no Brasil, numa equipe campeã e com companheiras incríveis, mas eu queria um desafio diferente, ter essa experiência de enfrentar as principais escolas do vôlei mundial e aprimorar ainda mais meus fundamentos, então optei por aceitar o convite do Fenerbahçe. Apesar de estar muito feliz aqui na Turquia, eu ainda tenho o objetivo de retornar ao Brasil, com mais experiência, e quem sabe vencer uma edição da Superliga.

Essa não foi a primeira vez que Fê Garay deixou o Brasil em busca de outras experiências profissionais. Em 2010, a jogadora trocou o Pinheiros, no qual atuava desde 2008, pelo NEC, no Japão. Na Turquia precisou passar novamente por uma fase de adaptações, que incluíram vencer a barreira da comunicação e se acostumar a uma cultura muito diferente da brasileira.

-  A primeira barreira que enfrentei foi a comunicação, fora das áreas turísticas poucas pessoas falam inglês, mas com bom humor e paciência consegui me virar. Hoje, já sei algumas palavras chaves que me dão mais segurança para andar pelas ruas de Istambul e até arriscar umas pechinchas pelas lojas (risos). Dentro de quadra, não encontrei dificuldades, minhas companheiras de equipe são umas queridas e estão sempre me ajudando, tenho um bom diálogo com meu técnico e um convívio maravilhoso com as outras estrangeiras do time.

Localizada entre a Ásia e a Europa e com cerca de 76 milhões de habitantes, a Turquia ganhou mais uma moradora entusiasmada com as belezas naturais e urbanas do país. Entre construções milenares e o artesanato presente nos mercados de rua em Istambul, a atleta elegeu seu lugar preferido entre os pontos turísticos.

- Istambul é uma cidade incrível, tem lugares maravilhosos. Um dos que mais me tocaram foi a Basílica de Santa Sofia. Estar dentro de um edifício com mais de dois mil anos de história foi realmente uma sensação maravilhosa. Fiquei muito surpresa com o país, pois aqui existe convívio pacífico entre as diferentes crenças. Mulheres de cabeça coberta, de burca ou de shortinho curto frequentam os mesmos ambientes sem causar espanto. Em compensação, existem detectores de metal em praticamente todos os lugares onde possa existir um grande número de pessoas, como shoppings e aeroportos, para nos lembrar que a tensão, apesar de invisível, está ali.  

Não foi apenas o idioma da jogadora que precisou ganhar uma adaptação. O cardápio também sofreu algumas alterações. Acostumada com o arroz e feijão brasileiro, a atleta gostou muito da culinária turca, em especial, dos doces.

 - As comidas turcas são muito gostosas, e não tem quem não aprove os famosos kebabs. Mas o que eu mais gostei mesmo foram os doces (risos). Adorei o baklava e o bolo de tahine, que são deliciosos. Uma curiosidade aqui da Turquia é que diferente de nós brasileiros que costumamos tomar suco ou água nas refeições, eles tomam o ayran, uma espécie de iogurte salgado, mas esse eu ainda não provei.

Trabalhando ao lado de jogadoras turcas e outras estrangeiras, a brasileira é comandada pelo técnico italiano Marcelo Abbondanza no Fenerbahçe e tem como principal objetivo ajudar a recolocar a equipe na disputa da Liga dos Campeões de vôlei.

- A minha rotina aqui é bem parecida com a do Brasil, treino em dois períodos e temos dois jogos por semana, um pela Liga Turca e o outro pela Cev Cup. Minhas expectativas são as mesmas do Fenerbahçe: vencer a Liga e a Copa da Turquia. Estamos batalhando muito para que isso aconteça.

Com uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Londres e outra no Grand Prix de Saporo, em 2013, além dos vice-campeonatos em Macau (2011) e em Ningbo (2012), Fernanda Garay não tira da cabeça a vontade de estar na seleção brasileira na busca por mais um pódio olímpico, agora nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

- Eu não me vejo com um lugar cativo na seleção. Me dedico ao máximo nos meus treinamentos e jogos para estar sempre em alto nível. Quero ser lembrada pelo Zé Roberto (técnico da seleção brasileira feminina) nas convocações e fazer parte do grupo neste novo ciclo olímpico. Já o meu sonho com a seleção é  poder defender meu país dentro do nosso território e conquistar mais um ouro olímpico diante da nossa torcida - finalizou a jogadora.
Fernanda Garay vôlei viagem Hagia Sophia mesquita (Foto: Arquivo Pessoal)
 
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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