"O Guilherme era um dos atletas mais promissores do país em sua categoria". Quem é afirma é Matheus Aquino, empresário do lutador de MMA Patrício Pittbull, do Bellator, e da academia Pitbull Brothers, onde treinava Guilherme Matos Rodrigues, de 30 anos, conhecido como 'Guilherme Kioto'. Ele morreu após receber vários tiros na noite desta terça-feira (11) em uma lanchonete no bairro de Nova Parnamirim, município de Parnamirim, na Grande Natal.
Ao GloboEsporte.com, Matheus disse que o Guilherme era uma pessoa tranquila tanto na vida pessoal quanto no ambiente da academia e mantinha amizade com o dono da academia.
- Ele e o Patrício eram amigos pessoais. Se conhecem desde pequenos e treinavam juntos a muito tempo. Era um cara tranquilo. Dentro e fora do treino. Todo mundo que treina Pitbull Brothers o conhecia. Lá ele não tinha problemas com ninguém - falou o empresário.
Matheus lembrou que Guilherme era atleta do Jungle Fight, considerada a maior organização de MMA da América Latina. O lutador estava se preparando para sua quarta luta pela organização.
- Ele lutou três vezes no Jungle Fight. Venceu duas e perdeu uma. Estava se preparando para sua quarta luta. Era um dos melhores atletas do peso-leve (até 70 kg) do país - disse ele.
Ainda de acordo com o empresário, Patrício e alguns amigos da vítima passaram a noite no hospital Walfredo Gurgel acompanhando Guilherme, que passou por cirurgia no local.
- O pessoal para para hospital acompanhar. É difícil falar alguma coisa em momento como esse. O Patrício, por ser amigo dele desde a infância, deve estar arrasado. Todos nós estamos - lamentou Matheus.
o crime
Guilherme Matos Rodrigues, de 30 anos, mais conhecido como 'Guilherme Kioto', foi atingido por vários tiros de pistola calibre 380 em uma lanchonete de açaí que fica na avenida Ayrton Senna, em Nova Parnamirim, na Grande Natal. Os suspeitos são dois homens que fugiram em uma motocicleta. O crime aconteceu no final da noite desta terça-feira. Guilherme ainda foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante a madrugada desta quarta no Pronto-Socorro Clóvis Sarinho.
Segundo informações do sargento Reinaldo Santos, do 5º Batalhão da PM, um dos suspeitos estava encapuzado.
- Ele saltou da moto e foi de encontro à vítima. Chegou perto e efetuou os disparos - relatou o policial.
Ao GloboEsporte.com, o sargento disse que Guilherme estava acompanhado de um grupo de amigos da academia Pitbull Brothers, onde treinava. Ele ainda foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e levado para o Pronto-Socorro Clóvis Sarinho, acrescentou.
Segundo informações do serviço de assistência social do Hospital Walfredo Gurgel, ele foi operado durante a madrugada mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 4h desta quarta-feira.
luiz de frança
Esse é o segundo caso de violência contra lutadores de MMA nesta semana. Na manhã da segunda-feira, o professor e lutador Luiz de França, de 25 anos, foi morto na calçada da academia Alta Performance, no conjunto Cidade Satélite, na zona Sul de Natal. De acordo com o delegado Sílvio Fernando, a polícia trabalha com duas hipóteses. Uma delas é de crime passional.
- Podemos estar diante de um crime passional. Temos informações de que o lutador teria se envolvido com a namorada do tenente. Ela ainda será ouvida - afirmou.
A outra suspeita da Polícia Civil é que um desentendimento entre o PM e o lutador de MMA possa ter motivado o crime. A defesa do tenente Iranildo Félix confirma que os dois se desentenderam, mas alega que o caso não foi grave.
- Houve um desentendimento, mas nada muito grave. Não houve discussão mais pesada, nem agressão física - explica a advogada Juliana Melo.
De acordo com a defesa, o policial fez uma aula experimental no fim de janeiro na academia Alta Performance, onde o lutador foi assassinado, porém não gostou do treinamento. A advogada diz que quando foi para o segundo treino o tenente decidiu não continuar e por já ter feito o pagamento adiantado da mensalidade, teve o dinheiro devolvido. Ela acrescentou que a mudança foi para uma academia da mesma rede.
Ainda segundo Juliana Melo, o tenente acredita que foi apontado como suspeito do crime devido ao desentendimento na academia e pelo fato de ser policial.
- Os dois não tiveram mais nenhum tipo de contato após esse desentendimento. O oficial inclusive bloqueou a vítima nas redes sociais para não ter mais contato - afirma a advogada.

Fonte: Globo Esporte