O BMW 320i ActiveFlex é, como o nome denuncia, o primeiro carro da marca alemã a ter motor flex. Mais do que isso, ele é o primeiro automóvel do mundo a ter motor flex turbo capaz de rodar com 100% de etanol. E talvez seja por isso que ele não parta logo para a ignorância e explore esse trunfo até a última gota: prudência. Melhor ver a durabilidade do motor usando etanol antes de partir para qualquer ousadia, devem ter pensado os técnicos da BMW. Pois essa prudência é a primeira decepção que se tem com esse belo sedã médio, que custa R$ 133.950, em sua versão básica, R$ 143.950 na GP e R$ 154.950 na que avaliamos, chamada de Sport GP.
Quem acompanha notícias de tecnologia sabe que o flex sofre por não ser tão potente quanto poderia, usando etanol, nem tão econômico quanto a gasolina permitiria que ele fosse. O turbo, além da injeção direta de combustível, seriam as duas armas mais úteis desse tipo de motor para acabar com as críticas. Os dois ajudariam o motor a ser bem mais forte com o combustível vegetal, melhorando também seu consumo, já que seria possível usar uma pressão de trabalho diferente para cada um dos combustíveis. E o 320i tem os dois, mas a potência e o torque foram mantidos no mesmíssimo patamar, não importa com o que você o abasteça: 184 cv a 5.000 rpm e 27,5 kgfm entre 1.250 rpm e 4.500 rpm.
Além disso, o carro apresenta algumas economias estranhas, como o banco do motorista que não tem regulagem de inclinação do assento. Ele sobe ou desce sempre na mesma posição. Para compensar, há ajuste (manual de suporte de coxa) e duas memórias de banco.
Outra é que, apesar de ele ter o sensor de presença de chave para dar a partida, a abertura das portas só se dá por um botão na chave. É coisa que sedãs vendidos pela metade do preço já oferecem. E não seria nada difícil estar também no 320i. Outra é que essa geração do carro, a sexta, chamada de F30, tem dobradiças pescoço de ganso no porta-malas. A quarta, chamada de E46, tinha dobradiças pantográficas. Por que o retrocesso? As decepções com o carro terminam praticamente por aí.
Direção das boas
Só quem já teve a oportunidade de dirigir um BMW sabe o quanto a marca se preocupa com o prazer de dirigir. As rodas dianteiras, além de esterçar, também mudam de cambagem, favorecendo a aderência em curvas fechadas, algo que também se vê nos carros da rival Mercedes-Benz. A tração é traseira. Todo BMW tem uma distribuição de peso de 50% sobre o eixo traseiro e 50% sobre o dianteiro. E por aí vai. Pois o 320i conta com tudo isso e mais um pouco.
Logo ao entrar no sedã, a posição mais baixa de dirigir já mostra que a brincadeira, nele, é séria. Se você não gostar muito de guiar, acha o ato chato ou simplesmente algo para ir e vir (meio de transporte, né?), pense em outro carro. Um SUV, talvez, e não os da BMW.
A direção é mais pesada do que a de um carro comum, mas também é mais precisa em velocidades mais altas. Há regulagem de altura e de distância do volante. O câmbio é automático, com oito marchas, fabricado pela ZF, mas garante respostas quase tão rápidas quanto as de um carro com transmissão manual. Nem é preciso se preocupar com o seletor, para fazer trocas manuais (não há borboletas atrás do volante). Basta um pisão rápido no acelerador para reduzir, o famoso kick-down. A resposta é praticamente imediata. E o carro atende o motorista com obediência.
Por dentro, os materiais são um colírio para os que apreciam bom acabamento. Os apliques de alumínio no console central e nos puxadores das portas são de verdade, não de plástico imitando o nobre metal. O couro dos bancos lembra uma borracha, de tão macio e liso. A iluminação do painel tem a cor certa: laranja. Dá para dirigir horas à noite sem ficar com a vista cansada. E há tantos recursos que seria difícil explorar todos no curto espaço de tempo que tivemos com ele, de quatro dias.
O sistema de som inclui navegador e Bluetooth, nesta versão. A tela fica em posição excelente, bem no alto do console central, e é de alta qualidade, com cores e definição acima do que se encontra em sedãs médios mais baratos. Há oito botões de memória, pouco abaixo das saídas de ar centrais. Nem é preciso tocar neles para poder mudar de estação de rádio: eles têm sensores de presença. Basta aproximar os dedos.
Pouco atrás da alavanca de câmbio, à direita, está o sistema iDrive, que já foi motivo de muita controvérsia em modelos antigos da marca, mas que, hoje, já está bem incorporado aos BMW. Ele permite selecionar as funções do sistema de som, fazer ajustes no carro.


Fonte: Notícias Automotivavs