Faça sua Pesquisa Personalizada, coloque o que procura no Site dê enter ou clique em Pesquisar.
Esporte


Perfil: má companhia quando jovem, Ronaldo Jacaré vira lenda no jiu-jítsu
Perfil--ma-companhia--quando-jovem,-Ronaldo-Jacare-vira-lenda-no-jiu-jitsu
 Muito mais do que um simples hobby ou objeto de trabalho, o quimono funcionou por muitos anos para Ronaldo Souza como uma segunda pele. Com ele, aliado ao apelido de "Jacaré", vieram inúmeros títulos, inclusive oito mundiais, sendo três na faixa preta. Antes perdido e misturado à violência do bairro de Nova Rosa da Penha, em Cariacica-ES, o capixaba encontrou no jiu-jítsu e em Manaus uma saída para o recomeço. Hoje fazendo sucesso no MMA, ele vai se aproximando do sonho de disputar um cinturão no UFC, e usa sua própria história como motivação:

- Eu era uma má companhia, na verdade (risos). Era uma companhia muito ruim para as pessoas que andavam comigo também. E tive problema com um amigo meu. Ele estava fazendo aniversário de 15 anos um dia. A gente estava brincando de bilhar, e ele tomou um tiro na boca. O cara chegou perto e deu um tiro. Eu estava jogando com ele, e o cara passou do meu lado, não sei como não me viu. Nessa hora eu saí de perto da situação. Minha mãe ficou desesperada com aquela coisa, pediu para eu me esconder na casa de uma amiga dela e falou que eu tinha ido para outro estado - disse ele, em entrevista exclusiva ao Combate.com.

 Jacaré contou esse e outros detalhes do passado em sua casa, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, na companhia da esposa, Larissa, e dos filhos, Enzo Gabriel e Ryan. À vontade e orgulhoso de seu antigo cinturão do extinto Strikeforce, ele falou sobre a difícil transição do jiu-jítsu para o MMA. Apesar dos 34 anos de vida e da larga experiência, o capixaba admite que sente a pressão do octógono.

 - (...) É uma pressão muito grande. Em outros eventos, você entra e vê a torcida em cima. No UFC, você entra e parece que a torcida te esmaga. Quando entra no octógono e vê o Bruce Buffer gritando, seu coração vai a mil por hora. Quase que eu mando: "Cala a boca, Bruce Buffer, que eu estou nervoso, cara" (risos). (...) Tem muita câmera, são muitas luzes... O Bruce Buffer é um ícone, e ele grita ali o seu nome, com aquela voz dele... Mas eu gosto de pressão, das coisas difíceis. Toda vez que você me der um grande desafio, pode apostar que não vou decepcionar. Vou chegar lá e mandar ver - declarou ele.

Terceiro colocado do ranking oficial da categoria dos médios (até 83,9kg), Jacaré vai enfrentar o francês Francis Carmont neste sábado, no "UFC Fight Night: Machida x Mousasi", na Arena Jaraguá, em Jaraguá do Sul-SC. O rival, por sinal, não vai conseguir repetir a "amarração" que vem sendo seu ponto característico, se depender do brasileiro. O canal Combate fará a transmissão do evento ao vivo, a partir das 22h (de Brasília), e também da pesagem, na sexta-feira, às 16h. O Combate.com acompanha tudo em Tempo Real.

 A seguir, veja a entrevista com Ronaldo Jacaré na íntegra:

Combate.com: O seu início nas lutas foi no jiu-jítsu. De onde surgiu o interesse?

Ronaldo Jacaré: Foi através do meu irmão, quando fui morar em Manaus. Eu tinha de 16 para 17 anos. Meu irmão mais velho, Reginaldo, começou a treinar perto de casa, na academia do Henrique. Eu ia vê-lo treinando e não gostava, achava esquisito aquele negócio de jiu-jítsu. Certo dia ele se machucou. Aí peguei o quimono dele e fui treinar no lugar dele. Nunca mais deixei de treinar. Tomei uma "sova" tão grande na primeira vez que subi no tatame... E sou muito competitivo. Pensei comigo: "Tenho que voltar". Voltava todos os dias, e apanhava sempre. naquela ânsia de aprender, consegui rapidamente aprender muita coisa. Aí comecei a ficar bom no jiu-jítsu. Na segunda semana já fui morar na academia, e morei lá até receber a faixa preta. Essa foi minha trajetória.

Quantos anos você morou na academia?

Eu entrei em 2007 e peguei a faixa preta em 2003. Foram seis anos.

 Muita gente acha que você é manauara por ter começado no jiu-jítsu lá, mas na realidade você é capixaba. Conte um pouco da sua infância. Chegou a passar dificuldade?

Nunca faltou comida na minha família. Meu pai, Seu Otávio, e minha mãe, Dona Antônia, sempre foram batalhadores, e nunca faltou nada. A gente que, quando é menino ou adolescente, sempre quer as coisas demais. Era bem humilde, mas a gente se divertia muito.

Por que você saiu do Espírito Santo e foi para Manaus?

Foi por causa da violência mesmo. Era um bairro muito perigoso, e eu comecei a andar com más companhias. Eu era uma má companhia, na verdade (risos). Era uma companhia muito ruim para as pessoas que andavam comigo também. E tive problema com um amigo meu. Ele estava fazendo aniversário de 15 anos um dia. A gente estava brincando de bilhar, e ele tomou um tiro na boca. O cara chegou perto e deu um tiro. Eu estava jogando com ele, e o cara passou do meu lado, não sei como não me viu. Nessa hora eu saí de perto da situação. Minha mãe ficou desesperada com aquela coisa, pediu para eu me esconder na casa de uma amiga dela e falou que eu tinha ido para outro estado. Eu estava para fazer 15 anos. Quando ela me botou na casa da amiga e disse que eu tinha ido para Belo Horizonte, ela já estava conversando com meu irmão para eu ir para Manaus morar com ele. Resolvi obedecer e fui morar com meu irmão. Fiz 15 anos dentro do avião, indo embora do Espírito Santo para Manaus.

Era coisa de gangue ou algo assim?

Era coisa tipo violência mesmo. A gente era má companhia, aprontava. Não é nem que a gente brigava, porque no meu bairro não tinha briga. Tinha tiro mesmo, facada, essas coisas assim. Era um bairro muito violento. Praticamente não tenho mais amigos de infância. São poucos. Mas o esporte me salvou, Deus me salvou. Hoje tenho minha esposa maravilhosa, dois filhos lindos e saudáveis, sou um homem de Deus.
Ronaldo Jacaré x Yushin Okami UFC BH (Foto: Rodrigo Malinverni)
 
 
 
 
 
 
Fonte: Combate
 
 

 

 

 

 

 


Mais esportes
19-08-2014 - Ex-rival e algoz pelo Fla, Everton diz gostar de encarar o Coxa em Curitiba
19-08-2014 - Persistência e pressão o tempo todo: as marcas do líder para Éverton Ribeiro
19-08-2014 - Jogadores do Vitória reconhecem má apresentação da equipe no Barradão
18-08-2014 - Massa quer deixar maré de azar para trás e focar em recuperação na F-1
18-08-2014 - Chefe diz que RBR só deve vencer de novo em Cingapura: Chance de ouro
18-08-2014 - Julio Campos vence duelo com Cacá Bueno e é pole da Stock em Cascavel
18-08-2014 - Alonso aponta Trulli e Fisichella como seus companheiros mais fortes na F-1
18-08-2014 - Sete títulos em dez anos, trajetória de Schumacher foi a mais vitoriosa na F-1
18-08-2014 - Praia, montanha, aula de jiu-jítsu... Veja como foram as férias dos pilotos da F-1
18-08-2014 - Thiago Tavares é premiado pelo UFC por finalização sobre Robbie Peralta