O menino de sorriso largo mostra que sua força vem do bloqueio. Com 2,10m de altura, Evandro faz a jogada parecer fácil. O carioca de 23 anos não esconde o orgulho de estar entre os melhores jogadores de vôlei de praia do país e lembra que nunca imaginou jogar com seus ídolos. Na final do Rei da Praia, no último domingo, mesmo sem chances de ficar com a coroa, ele mostrou um carisma proporcional à sua altura. Era o jogador preferido do público na arena montada na praia de Ipanema. A cada ponto de bloqueio, uma reação, um abraço em Emanuel e o pedido para a torcida se levantar e torcer junto com ele.
Apesar de não conseguir ajudar Emanuel a ficar com o título, o gigante conseguiu bloquear por três vezes seguidas o tetracampeão consecutivo do Rei da Praia, Alison, de 2,03m, levando a torcida à loucura nas areias da Zona Sul carioca. Fã de um bom pagode, ele sabe que é preciso dar um passo de cada vez para alcançar todos os objetivos.
- Tem que ser ousado para tentar vencer esses atletas e ter felicidade para jogar. Se você não tiver felicidade para fazer o que mais gosta, acredito que nada dê muito certo. E isso de chamar a torcida é porque não sou aquela pessoa concentrada, meu lema é ousadia e alegria, como diz a música do meu amigo Thiaguinho. Se eu não chamasse a torcida para jogar junto comigo, eu não seria o Evandro - garante o atleta, referindo-se à música "Ousadia & Alegria", de Thiaguinho, Gabriel Barriga e Pezinho, que teve a participação especial do craque do Barcelona e da Seleção Brasileira Neymar.
Evandro passou por vários esportes até se encantar pelo vôlei e encontrou a chave do sucesso: a alegria de jogar. E é nela que ele aposta para realizar o sonho de disputar as Olimpíadas e ganhar uma medalha dourada para o Brasil.
- Eu fiz jiu-jitsu, natação, basquete... Em todos os esportes, meus pais sempre me apoiaram. Em 2003 eu comecei no vôlei de quadra do Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro. Depois fui jogar em São Paulo. Joguei nos times do Santo André e do São Bernardo. Mas meu pai não estava bem de saúde, então, por esse e outros motivos, resolvi voltar para a minha cidade. Foi quando eu recebi a oportunidade para fazer um teste no vôlei de praia e me encantei. Esse processo foi complicado, porque o vôlei de praia é um esporte totalmente diferente, que envolve areia fofa, sol, vento... Sou um atleta alto, tenho 2,10m de altura, e para fazer deslocamento no inicio foi bastante complicado. Mas a minha comissão técnica me ajuda muito, quero seguir minha carreira, estou muito feliz - conta Evandro.
Quando é para falar sobre seu parceiro nas quadras ele faz questão de lembrar que Vitor Felipe é também um grande amigo. Os dois são os principais atletas da nova geração do vôlei de praia nacional. Juntos conquistaram o ouro no Circuito Sul-Americano e o título da segunda etapa da temporada 2013/14 do Circuito Brasileiro, em Vitória. E pela primeira vez venceram uma etapa de Grand Slam do Circuito Mundial, disputada em Berlim, em agosto do ano passado.
- Antes de a gente ser parceiro, somos amigos. A nossa amizade está em primeiro lugar, antes mesmo do vôlei. Construímos um respeito muito grande um pelo outro. Claro que brigamos, discutimos, mas isso faz parte. Sou suspeito de falar, mas estou muito feliz pela nossa parceria. Fiquei muito feliz de o Vitor ter sido chamado para o Rei da Praia este ano. Tudo que está acontecendo com a gente é maravilhoso.
