O título mundial da seleção de handebol no fim de 2013 encerrou um ano em que o esporte feminino, principalmente o coletivo, esteve em alta. No basquete, só as mulheres conseguiram a vaga direta para o Mundial de 2014. No vôlei, título do Grand Prix feminino e mais um vice da seleção masculina na Liga Mundial. No polo aquático e até no rúgbi, elas estiveram no Campeonato Mundial, enquanto eles sequer conseguiram vaga para jogar a competição mais importante do ano passado.
Auxiliar técnico da seleção brasileira feminina de polo aquático, Roberto Chiappini reclama da diferença de investimento no esporte masculino para o feminino:
– Infelizmente, nosso esporte ainda é machista. Os homens ainda têm mais investimento que as mulheres. No polo (aquático), por exemplo, o time masculino contratou o melhor técnico do mundo. Ótimo, mas e o feminino? Estamos em fevereiro e ainda esperamos a definição do nosso treinador para essa temporada - comenta Chiappini, que foi treinador por muitos anos da seleção feminina, mas deve voltar a ser auxiliar caso algum técnico estrangeiro assuma o cargo.
Se no polo aquático a disputa é por investimento, no handebol, o título feminino deve erguer também o esporte masculino. A armadora Deborah Hannah, uma das quatro jogadoras que atuam no Brasil e que estavam no título mundial de 2013, aposta que os homens irão chegar no mesmo patamar:
– Os homens também estão melhorando, mas não é o nosso título que vai fazer com que eles joguem com mais vontade. O título dá um empurrãozinho para eles, claro, mas eles já estavam muito bem - comenta a jogadora da Metodista, uma das principais equipes de handebol do país.
De volta ao programa olímpico depois de quase um século, o “bruto” rúgbi vê as mulheres entre as dez melhores equipes do mundo, e os homens ainda brigando por um lugar ao sol na América do Sul:
– A gente torce por elas e o mais legal é que elas nunca perderam para a Argentina na história, enquanto a gente conseguiu ganhar apenas uma vez deles – conta o capitão da seleção masculina de rúgbi, Fernando Portugal, que comandou o time em 2011 na primeira vitória na história contra os vizinhos continentais.
Para muitos, o Brasil é o país do vôlei. Quem abriu as portas da modalidade, nos anos 80, foram os homens, mas quem sobe no lugar mais alto do pódio atualmente são as mulheres. No Grand Prix, principal competição do ano passado, título das comandadas de José Roberto Guimarães. Os homens, novamente perderam para a Rússia e ficaram com a prata na Liga Mundial.
– É difícil você falar que o vôlei masculino está mal, né? Eles ganharam medalha nas últimas três Olimpíadas, foram vice da Liga no ano passado. O vôlei brasileiro, no geral, está muito bem – desconversa o técnico da seleção feminina, José Roberto Guimarães, que já foi campeão olímpico com as duas equipes, com os homens em Barcelona 1992 e com as mulheres em 2008 e 2012.
Até individualmente, as atletas dos esportes coletivos também estão muito bem. A melhor jogadora do Mundial de handebol foi Duda Amorim, que atua no Gyori, da Hungria, time atual campeão da Liga dos Campeões, principal competição interclubes do mundo. No basquete, são quatro homens na NBA, principal liga da modalidade no mundo, mas quem mais se destaca nos Estados Unidos é Érika Souza, jogadora brasileira que participou do All-Star Game da WNBA da última temporada.
Em termos de ranking mundial, as mulheres não estão atrás dos homens em nenhuma das modalidades coletivas. O "máximo" que eles fazem é igualar a campanha delas, no caso do vôlei, que as duas seleções lideram a classificação mundial. No basquete, elas estão em 7º lugar, e os homens em 10º. No rúgbi, o time feminino é 9º colocado, enquanto os homens nem figuram na classificação pois não conseguiram vaga no circuito mundial. No polo aquático, a seleção feminina está em 13º, enquanto o time masculino está na 16ª posição.
Todos esses resultados esboçam um cenário de sucesso para as mulheres maior que o dos homens nas Olimpíadas de 2016. O único esporte coletivo que já foi campeão olímpico é o vôlei, duas vezes medalha de ouro entre os homens e duas vezes entre as mulheres. O basquete feminino soma uma medalha de prata (1996) e um bronze (2000), enquanto os homens subiram três vezes ao pódio (1948/60/64) mas vivem um jejum de meio século sem medalhas olímpicas.
Fonte: Globo Esporte