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Esporte


Liderança silenciosa: capitão, Messi fala pouco, mas comanda hermanos
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A cena se repetiu diversas vezes. A cada jogada desperdiçada pelo ataque argentino, Messi virava as costas, abaixava a cabeça e retomava sua posição em campo. Descontando o mal-estar sentido pelo craque logo no primeiro tempo do amistoso com a Romênia, quando chegou a vomitar em campo aos sete minutos, o camisa 10 albiceleste, capitão da equipe, mostrou um perfil silencioso no campo da Arena Nacional, em Bucareste.

Se o capitão de um time geralmente é alguém falante, que motiva os companheiros, fala com eles e os orienta, Messi vai na contramão. Astro maior da seleção argentina, o camisa 10 usa a braçadeira em campo, mas exerce um outro tipo de liderança, baseada na qualidade técnica.

Atrás dos gols, a reportagem do GloboEsporte.com acompanhou de perto os passos de Messi no empate com a Romênia. Ficou claro que o craque do Barcelona é a referência de seus companheiros: todas as bolas passam por ele, que não guarda posição em campo, mas atua frequentemente pelo meio e pela direita.

Torcida romena idolatra messi

Reconhecidamente tímido, Messi deve ter estranhado a recepção que teve na Romênia. Antes do jogo, quando o telão do estádio mostrava o craque pronto para entrar em campo, os torcedores foram ao delírio. Em campo, logo no início, o camisa 10 teve chance de marcar numa cobrança de falta, mas o chute foi desviado pela barreira. Quando correu para cobrar o escanteio, ouviu aplausos ensurdecedores. Logo depois, veio o mal-estar em campo.

Messi não conversa muito com os companheiros, mas se comunica de outra forma, a que mais importa no futebol: com os pés. Os passes mais lúcidos da equipe argentina saíram dos pés do camisa 10, sempre de primeira, sempre rápido, sempre um segundo à frente dos companheiros.

Em um desses lances, com um simples toque na bola, Messi deixou Di María na cara do gol, mas o meia do Real Madrid foi travado. O craque do Barcelona não falou nada, apenas deu um olhar para o companheiro, como se tentasse acertar os detalhes que restavam para a conclusão da jogada.

messi demonstra irritação com juiz


Di María, aliás, abusou da paciência de Messi. No segundo tempo, o camisa 10 pareceu melhor fisicamente. Com isso, aumentou sua intensidade no jogo e, consequentemente, mostrou mais vibração. A Argentina, na carona de seu ídolo, também ficou mais perigosa.

Entretanto, a parceria entre Messi e Di María seguia desafinada. O craque do Barça deixava constantemente o meia do Real em boas condições pela esquerda, mas a devolução nunca era do mesmo nível. Os erros nos cruzamentos ou as tentativas de finalização começaram a irritar Messi, que, mesmo discretamente, insistia com o companheiro para que a bola fosse endereçada a ele. A Higuaín, já no fim do jogo, veio o pedido para uma maior aproximação.

Outra fonte da irritação de Messi foi a arbitragem. Mesmo que discretamente, o capitão argentino mostrou descontentamento com as decisões do juiz em alguns momentos do segundo tempo.

 Talvez a discordância do árbitro tenha feito Messi tentar resolver tudo sozinho. Em seu melhor momento na etapa final, ele foi derrubado, mas, mesmo cercado por três marcadores, levantou, limpou o lance e deixou Palacio na cara do gol. Na sequência, a bola sobrou para Lavezzi, que obrigou Pantilimon a fazer grande defesa, na mais clara oportunidade argentina na partida.

Depois da jogada, Messi ficou sentindo dores no braço direito, mas seguiu em campo. Sua participação não foi decisiva, mas a cada pequeno lampejo de genialidade, ele arranca gritos de admiração da torcida rival. No apito final, aplausos para o craque, cortejado pelos jogadores adversários, mas ainda assim tímido. Deixou o campo da mesma forma com que passou boa parte do jogo: passos lentos e cabeça baixa.
 
Messi se prepara para cobrança de falta, pouco antes de passar mal (Foto: Felipe Schmidt)
 
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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