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Esporte


Juvenal revela desejos: descanso, três reforços e Ceni de técnico
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Juvenal Juvêncio já está retirando seus pertences da sala da presidência do São Paulo, no Morumbi. Ele tem seis dias no cargo, até a eleição da próxima quarta-feira, que deve eleger Carlos Miguel Aidar, candidato que apoia contra Kalil Rocha Abdalla. O quadro com a camisa da Seleção que Luis Fabiano usou na vitória sobre o Uruguai, em 2007, por exemplo, não está mais lá. Ele espera agora por outra camisa amarela (cor de sua chapa política), a que Rogério Ceni vestiu em sua homenagem na vitória por 3 a 0 sobre o CSA. Ambas ficarão em sua fazenda, em Santa Rosa de Viterbo, interior paulista.

A sala da fazenda também deverá ser seu camarote no dia 20 de abril, quando o clube vai estrear no Campeonato Brasileiro diante do Botafogo. Após oito anos de uma administração tão personalista a ponto de ter sido considerada centralizadora, Juvenal quer “olhar um pouco de fora”, descansar. Mas não por muito tempo.

O presidente admite que será difícil se afastar completamente. Conselheiro vitalício, ele descarta qualquer possibilidade de assumir um cargo que tenha ligação direta com o futebol profissional na provável gestão de Aidar, que terá início na próxima quinta-feira.  Mas não para de pensar o futebol.

Antes de limpar totalmente sua sala, Juvenal recebeu o GloboEsporte.com e fez confidências importantes: pretende que Rogério Ceni seja técnico do São Paulo muito em breve; quer discutir com a CBF o pagamento pela utilização de jogadores do clube na seleção brasileira, montante que, de acordo com ele, pode chegar a US$ 10 milhões; acha que o time precisa de dois ou três reforços para lutar pelo título do Brasileirão e sugere conversas entre os presidentes dos quatro grandes de São Paulo, além de intervenção mais forte do governo, para tentar evitar que o futebol brasileiro siga “descendo o morro”.

Juvenal, que admitiu ter se emocionado com a homenagem dos jogadores, com máscaras que imitavam seu rosto, a ponto de precisar segurar as lágrimas, só não revelou mesmo sua idade, um mito que circula por todo o clube. Pelas publicações mais gerais, ele teria, hoje, 82 anos.

- Nunca publicaram certo, rapaz. Só aumentam, nunca diminuem. Só querem meu mal (risos).

Durante toda a entrevista, o presidente fez rabiscos em dois pedaços de papel (sua mesa é repleta deles). Desenhou o número de contratações que deseja fazer (ou apenas ver), sua trajetória política, cubos, linhas retas, tortas. Ao final, rasgou em vários pedaços e os jogou no lixo. Como se fosse o fim de um ciclo.

Dormiu feliz com a homenagem dos jogadores, Juvenal?
Eu gostei muito, fiquei satisfeito. Eu não esperava, mas pediram para eu ficar mais um pouco no vestiário e percebi que haveria uma homenagem. Eu me dou muito bem com os atletas. Sou muito rígido, austero, mas muito camarada. Os jogadores acreditam naquilo que eu falo, e respeitam. Sempre que a situação está muito ruim, recebo um chamado para falar aos jogadores. Falo que não é lugar para descontentes, que tem de haver harmonia, respeito à instituição. Criou-se uma confiança bastante sólida e séria. Então, nesse momento em que eu parto, os jogadores queriam fazer algo. O Luis Fabiano dedicou o gol, o técnico falou, o Rogério. Essa movimentação me deixou bastante seguro de que caminhamos bem nesse processo.

Você chorou? Tenho impressão de que, se resolver chorar, vai esperar ficar sozinho, não admite chorar na frente de ninguém.
Espero não fazer na frente, mesmo. É um problema de acanhamento meu.

Mas sozinho...
Sim, sozinho. Mas não externar. Nem sempre é possível. Ontem (quarta-feira), procurei deixar aquilo num momento de alegria, não quebrar aquela corrente. Consegui, mas saí logo. Tirei fotos, falei, ouvi e caminhei. Peguei o carro e parti. Fui ver, tranquilamente, o VT da partida para ver onde estão os equívocos. Ficar mais sereno para analisar.

No dia 20, o São Paulo estreia no Brasileiro aqui no Morumbi. Onde você vai estar?
Não sei, mas provavelmente não venha ao jogo. Vou ver pela televisão.

Por que tomou essa decisão?
Ah, porque acho que tenho de mudar um pouco. Tive uma rotina muito forte. Quando fizemos o centro de treinamento de Cotia, fui lá em todos os dias do ano. Domingo? Sim, era um dia bom para ir. Fui no Natal, antes do almoço. Foi possível fazer uma obra muito importante para nós.

Então você quer descansar um pouco. Ter tempo para o Juvenal?
Sim, sim. É verdade. Mas não é geral, eu... (Juvenal interrompe e pega um pote de balas em cima da mesa). Quer bala? Quer bala?

(risos) Juvenal, essa bala é gostosa? Ela parece ser horrível.
(risos) É ótima, é uma delícia!

Vou experimentar. Você dizia que quer ter tempo para o Juvenal, mas...
Mas o Juvenal é difícil. Eu tenho de fazer alguma coisa, ter atividade. Havia a crítica de eu ser centralizador. Se centralizar for ficar vendo as coisas, cobrando... Nos fins de semana, deixo um bloco e uma caneta na minha cabeceira. Vou anotando. Domingo à noite, tenho alguns itens e faço duas ou três ligações para, na segunda, o cara acordar vivenciando aquilo. A semana flui, tem progresso. De um lado, é bom ficar quieto. De outro, você sente falta, não tem dúvida. Eu vou ver como é isso.

Mas está na hora de descansar, não está?
Estava na hora porque tive dois anos de mandato. Aí queriam que fossem três, e então houve uma reforma no estatuto. Depois, em mais uma reforma estatutária, fiquei por mais três anos. E eles (oposição) brigando na Justiça. Fiquei oito anos. Fui muito criticado por isso, né? Mas eu sabia das críticas. Era uma coisa que eu não tinha uma explicação dentro de um plano pluralista, mas aceitei porque sentia necessidade de estar presente.
 
 
 
 
 
Fonte: Globo Esporte

 

 

 

 

 


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