O judoca e apresentador da Rede Globo, Flávio Canto, será o mestre de cerimônias da 20ª Edição do Troféu Romulo Maiorana, que será na noite desta terça-feira na Estação das Docas. Ele se disse impressionado com a dimensão do Troféu, e ressaltou a importância deste tipo de incentivo para os atletas:
- Eu fiquei muito impressionado. É o 20º ano do prêmio e podia servir de exemplo para todos os estados do Brasil. É uma maneira de apoiar os atletas. O Allan Fonteles, por exemplo, foi premiado pelo troféu quando era garoto, e possivelmente aquilo serviu para incentivá-lo a sair em busca dos sonhos dele, e chegar onde chegou. Este tipo de homenagem se traduz em histórias incríveis, acho um barato fazer parte dessa história como mestre de cerimônia.
Premiação 'responsa'
Das categorias do Troféu, a que mais chamou atenção do judoca foi o "Esporte Responsa", que premia iniciativas de responsabilidade social. Canto, que ensina valores e artes marciais para jovens da favela da Rocinha através do Instituto Reação, ressalta a necessidade de se premiar este tipo de iniciativa.
- Sou suspeito para falar de responsabilidade social, meu projeto tem 14 anos de existência e mais de mil atletas, com um programa olímpico onde relevamos nomes muito importantes, como Rafaela Silva, primeira campeã mundial de judô do Brasil. Eu cresci numa cidade muito dividida, sempre olhei para as favelas que fazem parte do nosso dia a dia. Por isso eu respeito muito a força do esporte como elemento de transformação e mudança de realidade: o esporte dá sentimento de pertencimento, as pessoas trocam o fuzil pelo sonho da medalha, e o traficante pelo campeão.
Canto também comentou uma das novidades do troféu - a inclusão da categoria "Combates Esportivos", e disse que a luta está no DNA do paraense.
- Tem alguma coisa, que eu não sei se está no DNA do Brasil aqui de cima, não sei se é a castanha do Pará, mas a quantidade e qualidade de atletas que cresceram aqui é impressionante. Tem tanta gente, José Aldo, a família Machida, os irmãos Marajó, tem alguma coisa de diferente aqui, que é uma fábrica, um celeiro de guerreiros.
'Samurai brasileiro'
Para o apresentador, um dos maiores exemplos neste sentido é o do ex-campeão do UFC, Lyoto Machida, atleta que nasceu em Salvador, mas foi criado em Belém e, atualmente, reside nos EUA.
- O Lyoto, na minha opinião, é o maior exemplo no mundo das artes marciais mistas. Como atleta e como personagem: um cara bacana, que não leva o lado de falar mal dos outros pro octagono. Ele vai lá, faz o dele, sempre respeitando o adversário. Tem muito a ver com a linha do judô, com qual eu cresci, que é inspirada no bushidô, o código do samurai. O maior samurai brasileiro do MMA, nesse sentido filosófico, é o Lyoto.
Fonte: Globo Esporte