Os jogadores do Corinthians não queriam jogar a partida contra a Ponte Preta, neste domingo, em Campinas. O clima entre eles era de tensão no vestiário do estádio Moisés Lucarelli, tudo por conta da pressão da torcida - na véspera, mais de 100 torcedores organizados invadiram o CT do Timão, agrediram funcionários, furtaram celulares e depredaram o local para cobrar "empenho" dos jogadores.
Nervoso, o time corintiano perdeu para a Macaca por 2 a 1 - foi a terceira derrota seguida da equipe comandada por Mano Menezes.
O atacante Paolo Guerrero era um dos mais tensos. Ele foi "esganado" por um torcedor, segundo relato do presidente do Corinthians, Mário Gobbi, e chegou a afirmar que não jogaria. Acabou convencido pela diretoria a entrar em campo. Em nota oficial, os dirigentes lembraram que o time não poderia deixar de jogar por conta de compromissos com patrocinadores.
Emerson Sheik, um dos mais questionados pela torcida, também se mostrava apático no vestiário antes do jogo - justo ele, um dos mais brincalhões do elenco.
os bastidores da invasão
Durante a invasão dos torcedores no sábado, os jogadores se abrigaram no vestiário do CT. Eles derrubaram armários para bloquear as portas e evitar a entrada dos torcedores, que invadiram o local de treinamento às 9h20, dez minutos antes do horário previsto para o treino. A sensação geral entre jogadores e membros da comissão técnica é de que se a invasão tivesse ocorrido minutos depois, uma tragédia teria acontecido.
Paulo André, Danilo e Renato Augusto, três dos poucos que já haviam saído do vestiário, se abrigaram num cubículo que serve como "casa da piscina" e ficaram lá por três horas.
O peruano Guerrero, preocupado com seus pertences que estavam no hotel do CT, saiu em meio aos torcedores, imaginando que, por ser considerado um "ídolo" (fez o gol do título mundial em 2012 sobre o Chelsea), não seria importunado. Acabou levando uma "gravata".
Uma faxineira também foi agredida no pescoço. Um roupeiro, de 68 anos, foi atirado no chão. Três celulares foram furtados. Segundo o relato do médico Joaquim Grava, que também se machucou durante a invasão (caiu e machucou o braço), os invasores estavam "alucinados" e alguns chegaram a vomitar.
De acordo com o relato de jogadores e membros da comissão técnica, os torcedores haviam passado a noite na quadra da escola de samba de uma das organizadas do Timão.
Durante a invasão, eles buscavam Alexandre Pato e Emerson. Como não encontraram nenhum - e a Polícia Militar logo chegou -, passaram a vagar pelo CT. Chegaram, inclusive, a se divertir na piscina e a tomar o chope - velho - que estava numa das chopeiras do local desde a festa de fim de ano do clube, ocorrida em dezembro
Os torcedores só deixaram o CT depois de uma rápida conversa com o técnico Mano Menezes.

Fonte: Globo Esporte