Ary Graça Filho, presidente da Federação Internacional de Voleibol, divulgou neste sábado uma nota de esclarecimento sobre as denúncias feitas pela ESPN Brasil sobre sua gestão à frente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). O dirigente, que renunciou ao cargo de presidente da CBV na sexta-feira, nega que a entidade que comanda o vôlei nacional tenha pago qualquer comissão pelos contratos assinados com o Banco do Brasil.
De acordo com a reportagem da ESPN Brasil, a "S4G Gestão de Negócios" teria recebido comissão de R$ 10 milhões para intermediar a negociação do contrato com o Banco do Brasil. A empresa pertence a Fábio André Azevedo, que foi dirigente da CBV e hoje atua na Federação Internacional de Vôlei (FIVB).
Na nota de esclarecimento, Ary diz que várias empresas foram contratadas para prestar serviços e auxiliar a CBV na estratégia de renovação. E que o valor total pago a todas as empresas - entre elas a S4G - está entre 3% e 4% do valor total do contrato.
Na semana passada, outra denúncia levou Marcos Pina, então superintendente-geral da CBV, a pedir afastamento do cargo. Sua empresa, a SMP, teria um contrato para gerir toda a verba de patrocínio que a entidade recebe do Banco do Brasil. Ao fim do contrato de cinco anos receberia R$ 10 milhões.
Confira a íntegra da nota de esclarecimento:
Ary S. Graça F°, Presidente da Federação Internacional de Voleibol – FIVB, vem através do presente esclarecer notícias publicadas recentemente na mídia brasileira, principalmente no site ESPN Brasil, referentes ao período em que esteve à frente da Confederação Brasileira de Voleibol - CBV.
Em primeiro lugar, durante a gestão de Ary Graça, a CBV nunca e em tempo algum pagou qualquer remuneração a título de intermediação ou comissionamento pelo contrato com o Banco do Brasil.
Mais ainda, neste mesmo período a CBV jamais pagou R$ 10 milhões de reais a cada uma das empresas citadas na matéria, muito longe disso. Essa informação é absolutamente inverídica, irresponsável, e a CBV pode facilmente verificar e comprovar através do seu sistema contábil.
A matéria da ESPN diz diversas vezes que o contrato da CBV com o Banco do Brasil foi negociado diretamente entre as partes. Verdade. Mas a pergunta que ainda não foi feita: quem negociou o contrato?
Como líder da negociação do contrato da CBV com o Banco do Brasil desde de 1998, depois 2000, 2004, 2008 e 2012, período este onde o valor do contrato teve um aumento substancial, pode informar categoricamente que esta nunca foi uma negociação simples onde os presidentes das instituições se sentam à mesa e numa reunião de trabalho decidem o valor, as condições, o prazo, as contrapartidas, os títulos, direitos, obrigações, forma de pagamento, reajuste, condições de preferência, formas de rescisão, modus operandi, que gerou um contrato de mais de 70 folhas com os anexos, que detalharam números, forma de procedimento e de entretenimentos durante os jogos, etc, etc. Muito menos é uma simples renovação onde se altera a data e o valor e pronto.
A referida matéria, bem como a repercussão da mesma, causa dano irreparável à imagem do voleibol brasileiro, que tem reconhecidamente uma gestão vencedora dentro e fora das quadras. Mais ainda, denigre sobremaneira e atinge diretamente excelentes profissionais, sérios e competentes, que ao invés das mentiras assacadas contra seus nomes, ao contrário, deveriam ser elogiados pelo desempenho extraordinário na negociação com o Banco do Brasil, o que pode comprovado pelas atas das reuniões, passagens aéreas, como também pelos funcionários do Banco do Brasil há época das negociações, gerentes, advogados e diretoria.
Pode-se reafirmar que a negociação deste contrato sempre foi muito trabalhosa, como todo negócio deste vulto deve ser, e especialmente na renovação de 2012, que gerou um trabalho de cerca de dois anos para a CBV, que decidiu também profissionalizar esta negociação através de seus contratados externos com conhecimento único do voleibol brasileiro e relacionamento com o Banco do Brasil através de anos como funcionários da CBV.
Pesquisas de mercado foram encomendadas, realizadas e/ou compradas, foi realizado grande estudo de valorização da marca e do produto voleibol no mercado, aferição de impacto na mídia, pesquisa qualitativa sobre o reconhecimento da sociedade, pesquisas sobre o impacto e os valores do voleibol na sociedade brasileira, estudo de visibilidade, número de eventos, formato de eventos, custo operacional de eventos. Planos de Marketing foram construídos, com avaliação e construção do estoque geral de propriedades, valorização de cada uma delas (desde a marca em um boné à camisa da seleção brasileira), custo operacional para a implementação do patrocínio, custo de entrega do patrocínio, custo de ativação do patrocínio para os seus parceiros, construção de um portfolio e de apresentações profissionais, preparadas e customizadas a cada rodada de negociação. Estratégias jurídicas foram montadas e ensaiadas à exaustão a fim de negociar pontos relevantes e que impactariam o futuro do voleibol brasileiro através de advogado com profundo conhecimento da matéria e responsável por pelo menos 400 (quatrocentos) contratos feitos pela CBV.
Ainda durante esse período anterior à assinatura, foi realizada grande prospecção pela CBV no mercado de marketing esportivo brasileiro, diversos outros patrocinadores foram contatados, diversas apresentações foram realizadas e muitas outras negociações foram conduzidas.
Tudo isso para em 2012 a CBV assinar um excelente contrato com o Banco do Brasil até 2017, o maior de sua história, excelente para ambas as partes e com isso poder continuar na trilha de crescimento e sucesso do voleibol brasileiro.
Para que tudo isso se tornasse verdade, diversas empresas e seus profissionais sérios e competentes foram contratadas e remuneradas pelo excelente trabalho que desenvolveram. De novo, essa remuneração nunca foi por intermediação contratual, mas pelo gigantesco trabalho desenvolvido por esses competentes profissionais e que garantiram o sucesso da negociação. Mais ainda, reafirma que os valores pagos para as empresas não chegam nem perto dos R$ 10 milhões amplamente divulgados pela mídia brasileira e que o valor total pago a todas as empresas envolvidas, não apenas para as duas citadas na matéria, está entre 3% a 4% do valor total do contrato.
A origem empresarial de Ary Graça, que em sua vitoriosa vida profissional atuou em grandes empresas brasileiras e sempre em cargos de liderança, fez com que ele implementasse na CBV desde o início de sua gestão uma agressiva política de bonificação em todos os níveis, dentro e fora das quadras. A conhecida meritocracia. Apenas como exemplo, os atletas das seleções brasileiras receberam nos últimos anos mais de R$ 118 milhões de reais em direitos de imagem e premiações por seu desempenho maravilhoso dentro as quadras. Estratégia essa que funcionou extraordinariamente comprovada pelo sucesso e a quantidade de títulos alcançados pelas Seleções Brasileiras e duplas de Vôlei de Praia, em todas as categorias, tanto nos grandes eventos internacionais da FIVB, incluindo aqui os Campeonatos Mundiais, quanto nos Jogos Olímpicos.
Assim como todos os níveis de funcionários da instituição, dos mais simples aos Superintendentes, quanto aqueles que trabalham no Centro de Desenvolvimento de Voleibol em Saquarema, receberam bonificação semestral conforme seu desempenho, chegando a receber 17 (dezessete) salários anuais pelos excelentes trabalhos realizados. Mais uma vez, a meritocracia.
Ary Graça acredita que aqueles que trabalham bem e superam as expectativas em torno do resultado esperado, devem ser reconhecidos e recompensados financeiramente. E de novo, esta política foi aplicada em todos os níveis da CBV, em todos os anos do seu mandato. Nada mais justo e coerentemente com a sua política, remunerar condignamente aqueles que, nas negociações com o Banco do Brasil, superaram todas as expectativas.
Finalizando, Ary Graça gostaria de parabenizar o Presidente da CBV, Walter Pitombo Laranjeiras, Toroca, pela sua decisão de realizar nova auditoria externa na CBV, pois tem certeza absoluta que a mesma confirmará a seriedade e o profissionalismo com que a CBV sempre atuou e confirmará ainda o resultado das auditorias independentes realizadas todos os anos de seu mandato na CBV, resultando na publicação de balanços aprovados por unanimidade em sua Assembleia Geral Ordinária e sem ressalvas. Vale dizer que o balanço de 2012 foi auditado e aprovado pela Ernest & Young e que todos os contratos mencionados foram de forma transparente contabilizados neste período.
Fonte: Globo Esporte