Historicamente, crises são ultrapassadas com feitos heroicos. As recentes derrotas - sobretudo a queda por goleada no Gre-Nal decisivo pelo Gauchão - colocaram o elenco do Grêmio sob suspeita, no limiar de uma mudança drástica de rumo. A partir das 22h desta quarta-feira, o Tricolor tentará dar o troco na má fase contra o San Lorenzo, pelo confronto de ida das oitavas de final da Libertadores. E evitar que o badalado time do Papa Francisco devaste as pretensões da equipe na prioridade do ano: o topo da América. Mas haverá outra pressão, a externa, de mais de 40 mil vozes portenhas no caldeirão do Nuevo Gasómetro.
Para tentar evocar a alma da Libertadores, direção e a ameaçada comissão técnica chegaram a um acordo. Pouco vale jogar bonito. Tão menos se utilizar de um futebol vistoso. O que vale realmente é o resultado. De uma forma direta, a equipe de Enderson Moreira quer sair de Buenos Aires sem sofrer gols. Essa foi a tônica do único treinamento no campo em que será realizada a batalha desta quarta. Que pode não só começar a definir os rumos do clube como da vida de Enderson em Porto Alegre. O técnico sustenta a segunda melhor campanha do torneio, mas teve sua trajetória abalada pela perda do título estadual e a derrota apática na estreia do Brasileiro.
Só que as dificuldades serão ainda maiores. Não bastasse a pressão absurda, o exército gremista perdeu dois protagonistas recentes: o zagueiro Rhodolfo, que comandou a melhor defesa da Libertadores na primeira fase, e o lateral-esquerdo Wendell. A dupla sequer embarcou para a Argentina. Em contrapartida, o garoto Luan se tornou a luz para o time. Foi testado entre os titulares e deverá atuar em parte da partida, embora ainda use proteção na mão fraturada - não joga desde 2 de abril. O goleiro Marcelo Grohe treinou separado e é dúvida.
Do outro lado, a esquadra do San Lorenzo vive realidade totalmente inversa. Por conta de uma classificação considerada “milagrosa” - com vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo -, a equipe do coração do Papa Francisco atuará revigorada, mesmo que tenha passado de fase com a segunda pior campanha. Para os argentinos, a Libertadores é uma obsessão por ser o único dos cinco grandes a ainda não contar com o título da competição – Boca Juniors, Racing, Independiente e River Plate já têm a taça. Se a equipe conta com a bênção do Papa, não terá sua principal estrela. Romagnolli, o camisa 10 e ídolo dos torcedores, está suspenso. Logo, os cerca de 44 mil “corvos” que estiverem no Nuevo Gasómetro depositarão a fé em outras duas pratas da casa: o meia Piatti, autor de dois gols contra o Botafogo, e o atacante Ángel Correa.
O chileno Enrique Osses apita a partida, que terá transmissão do SporTV e da RBS TV. O GloboEsporte.com acompanha a partida em Tempo Real.
Fonte: Globo Esporte