Eclético dentro e fora das quadras. Assim é Pilar, que já jogou como armador, ala e pivô e gosta de psicologia, história e literatura. A versatilidade vem de família. Sua mãe foi da seleção brasileira de natação, e seu pai, jogador de futebol. Mas a opção de Pilar, cujo nome é Henrique Cruz, foi seguir o avô Arnaldo, jogador de basquete. O atleta de 30 anos pode alcançar a maior glória na carreira neste sábado, na final do NBB, em que seu time, o Paulistano, enfrenta o Flamengo, às 10h10, na Arena da Barra, no Rio de Janeiro. Se o título vier, vai ser com ajuda dos professores. E não só os do basquete:
- Apesar de não ter aula todos os dias, me ajuda bastante em quadra, na concentração. É um mundo muito interessante esse da faculdade. Não tenho muitos amigos porque faço ao mesmo tempo aulas de todos os anos - contou o jogador, que tem média de 11,2 pontos por partida no NBB.
Desde 2005, quando entrou na faculdade de História, Pilar estudou em quatro universidades diferentes, sempre nas cidades dos times que o contrataram. Já cursou em Salvador, Curitiba, Bauru, interior de São Paulo, e agora está na capital paulista. Pilar sempre precisou pedir equivalência das matérias para não perder as aulas que fez nas outras cidades.
- Eu gostaria de trabalhar com história, às vezes fico frustrado porque o pessoal da sala já trabalha com isso. Eu tenho vontade de, depois de acabar a faculdade e a carreira, trabalhar com história do basquete - disse Pilar, fã de história da América do Sul e de Guimarães Rosa, escritor brasileiro falecido em 1967.
Sua mãe é Eliana Vaz Macia, que fez parte da seleção brasileira de natação no fim dos anos 1960 e seu pai é Mario Sérgio, que jogou em clubes do interior paulista nos anos 1970. A escolha pelo esporte da bola laranja veio com 18 anos:
- Poderia ser nadador, meu pai queria que eu fosse goleiro de futebol, mas eu sou grandão né, tinha que ir para o basquete. Foi incentivo do meu avô - contou Pilar, de 1,98m de altura.
A altura do jogador é expressiva para a maioria dos padrões, mas nem tanto para o do basquete. Pilar começou como pivô, posição em que os jogadores são maiores. Depois, virou ala e, posteriormente, ala-armador. No Paulistano, joga como ala-pivô e é o coringa do time
- Eu era grande, joguei de pivô nas categorias de base. Mas aí, o pessoal cresceu mais e eu nem tanto. Aí fui para ala, cheguei até ser armador, mas fiquei na posição de ala/pivô mesmo. Mas entro na posição que o treinador falar - explicou o jogador.
Para a partida de domingo, Pilar já tem sua primeira vitória: estar 100% fisicamente. Uma forte gripe o tirou do segundo jogo semifinal contra o São José. Nas demais partidas da série, ele jogou, mas não com a saúde perfeita.
- Aquela febre me derrubou. Depois, melhorei, mas não estava perfeito. Você sente meio mole, mas consegui crescer na série. Agora tenho mais tempo para me recuperar, então estarei 100% para sábado - disse Pilar.
O GloboEsporte.com acompanha Flamengo x Paulistano em Tempo Real neste sábado, com pré-jogo a partir das 9h. A TV Globo transmite às 10h10.
Fonte: Globo Esporte