Após ficar um ano sem defender o Brasil em competições internacionais, Márcio está de volta à seleção. Medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 e nono colocado em Atenas 2004, o atleta de Fortaleza (CE) vai atuar ao lado de Thiago na etapa do Sul-Americano em Cochabamba, na Bolívia, de 28 a 30 de março. Em breve, ele poderá disputar o Circuito Mundial. Ricardo, seu parceiro no Circuito Brasileiro, jogará mais uma vez com Álvaro Filho, revelação do vôlei de praia nacional. O tempo em que esteve afastado foi difícil, mas ele não se deixou abater. Continuou o seu trabalho e confirmou a boa fase com o tricampeonato brasileiro, em João Pessoa (PB), a uma etapa do fim.
- É muito bom voltar a competir no exterior. Vamos disputar a etapa do Sul-Americano e espero jogar o Circuito Mundial. Estou muito feliz e animado. Mesmo aos 40 anos, continuo no meu melhor, me sentindo muito bem. Espero que eu possa ir bem com o Thiago, que é um parceiraço. Foi difícil ficar afastado da seleção, sofri bastante com tudo isso. Eu tinha uma pontuação altíssima, estava entre os quatro primeiros do ranking mundial, e não poder participar da última temporada foi dificílimo. Não jogarei com o Ricardo porque ele está com uma pontuação boa, enquanto eu terei que correr atrás. Mas Deus tinha o melhor guardado para mim, e eu vou poder representar o Brasil de novo - disse Márcio, que garantiu a quarta colocação na última etapa do Circuito Brasileiro, em Maceió (AL).
Alvo de críticas pelo modelo implantado no ano passado, no qual a comissão técnica indicava as duplas que iriam ao Circuito Mundial, selecionando e remanejando os atletas, a Confederação Brasileira de Vôlei decidiu mudar. Para esta temporada, os jogadores indicaram com quem desejariam jogar, formando duplas. Os atletas não são mais convocados individualmente, e sim pelas duplas. Até 2012, as parcerias se inscreviam nas etapas do Circuito Mundial. As mais bem ranqueadas garantiam a vaga, enquanto as demais disputavam o "country cota" para definir o último representante do Brasil.
O Circuito Mundial, assim como na última edição, começará pela China. O primeiro desafio dos atletas será o Open de Fuzhou, de 22 a 27 de abril. Na semana seguinte, eles disputarão o Grand Slam de Xangai, de 29 de abril a 4 de maio. Ao lado de Thiago, Márcio poderá estrear no Open de Puerto Vallarta, no México, de 7 a 11 de maio, mas ainda espera uma convocação da técnica Letícia Pessoa.
Aos 40 anos, o cearense não descarta disputar a sua terceira Olimpíada, no Rio, em 2016.
- Vou jogando jogo a jogo, etapa por etapa, torneio por torneio, e vou ver como estarei até lá. Seria maravilhoso disputar os Jogos. O vôlei de praia é um esporte muito novo para você dizer a idade certa para se jogar. Tudo depende do corpo e da forma que ele reage aos estímulos. O meu corpo está bacana e o astral, bom. Acho que o caminho é esse. Estar feliz para fazer o que gosta. Quando você é feliz no emprego, não trabalha nenhum dia. Tenho muito cuidado com o corpo, boa alimentação, fisioterapia preventiva e não faço extravagâncias. Procuro descansar bem também - contou o jogador, que também pratica skate e surfe na Praia da Taíba, onde tem uma casa de veraneio.
Treino nas dunas, um elixir da juventude
Um dos segredos da juventude do veterano é o foco nos exercícios de força. E um dos trabalhos que mais dão resultados ao medalhista olímpico é realizado nas dunas de Fortaleza, onde vive com a família.
- Vai chegando uma certa idade que a gente começa a perder força. Por isso, eu costumo fazer muito treinamento de força para manter a minha capacidade de “pancho”, que é aquela pegada mais forte na bola. O trabalho nas dunas, com cinta elástica para fazer a puxada e tração, assim como os saltos com peso são alguns dos segredos - contou o atleta, campeão mundial em Berlim, na Alemanha, em 2005.
Passado na ginástica e nos saltos ornamentais
Apesar de ter começado no vôlei de praia tarde, Márcio sempre foi um atleta. Antes de ingressar nas areias, ele era levantador na quadra. Mas a sua história no esporte começou bem antes disso. Nos tempos de infância, o cearense praticava ginástica artística e saltos ornamentais.
- Sempre fui atleta. Meus primeiros esportes foram ginástica olímpica e saltos ornamentais. Fiz saltos dos quatro aos 16 anos. Acho que é por isso que eu tenho uma boa coordenação motora, isso influencia positivamente para mim. O equilíbrio e avaliar os pontos de referência são coisas que eu posso usar também no vôlei. Aos 16, comecei a jogar vôlei de quadra e, aos 19, fui para a praia. Ainda joguei futebol e futsal, sem contar com o surfe, que eu pratico desde moleque - finalizou.

Fonte: Globo Esporte