Ary Graça Filho, presidente da Federação Internacional de Voleibol, voltou a se manifestar sobre as denúncias recentes sobre sua gestão à frente da Confederação Brasileira de Vôlei. De acordo com reportagens da ESPN Brasil, comissões somaram R$ 20 milhões em contratos entre empresas que cuidavam do intermédio do patrocínio do Banco do Brasil com a CBV. Em entrevista ao jornal ''Lance!'', Ary não negou a participação do ex-superintendente-geral da CBV, Marcos Pina, que renunciou ao cargo depois do início da crise, e do atual diretor-geral da FIVB, Fábio André Azevedo. No entanto, contestou os valores apresentados. O dirigente ainda falou que foi vítima de traição e chantagem.
- Não foram R$ 20 milhões e não é comissão. Vou explicar: a oferta do Banco do Brasil girava em torno de R$ 20 milhões a 24 milhões por ano para a quadra, e mesmo valor para a praia. Combinei o seguinte com o Fábio, em contrato. Se você aumentar isso de R$ 30 milhões a R$ 50 milhões, sua remuneração por desempenho será de R$ 1 milhão. Se ele arrumasse R$ 49 milhões, era R$ 1 milhão para a empresa dele. Se foi R$ 31 milhões, ganharia o mesmo. Mas ele mais o Pina aumentaram em 70% o valor, assinando o maior contrato da história do esporte olímpico - disse ao jornal, ressaltando que nunca foi sócio de Pina e Azevedo.
Durante a Assembleia Geral Ordinária da CBV, há duas semanas, Ary Graça apresentou sua carta-renúncia e saiu em definitivo da presidência da Confederação para se dedicar exclusivamente ao trabalho na FIVB. Segundo ele, o documento estava pronto desde dezembro do ano passado e não tem ligação com as recentes denúncias. Ao ''Lance!'', o ex-presidente da CBV afirmou que foi surpreendido e apontou um complô.
- Me pegou de surpresa. Não imaginava que após a minha saída fosse acontecer isso. Houve uma briga pelo poder. A verdade é essa. Não só interna, mas com inspiração externa. Como diz o velho ditado: ''o gato sai, os ratos fazem a festa'', de uma maneira que eu nunca imaginei. Deixei estrutura bem montada, pensei que tudo iria correr tranquilamente. Não foi o que aconteceu. Houve essa briga interna e um aproveitamento deste pessoal para tomar o poder - afirmou.
Ary Graça voltou a dizer que está sendo alvo de ataques de uma oposição e que foi vítima de chantagem por um grupo, mas preferiu não divulgar nomes.
- Traído. É a sensação mais desagradável do mundo saber que amigos seus estão lhe traindo. Pessoas que você ajudou a ganhar muito dinheiro, fama, agora estão se voltando contra você - completou.
Terceira denúncia
O site da ESPN Brasil publicou um nova denúncia nesta terça-feira. Segundo a reportagem, a CBV teria bancado uma recepção para presidentes de confederações internacionais em Angra dos Reis, no sul do estado do Rio, para um congresso com três dias de reuniões. O custo teria sido de R$ 574.986,50. Isso teria acontecido três meses depois que Ary Graça foi eleito comandante da FIVB.
Ainda de acordo com a reportagem, o contrato de dezembro de 2012 foi pago pelo CBV à S4G Gestão e Negócios, que ficou responsável pela visita do grupo de 30 pessoas. A S4G é a empresa de Fábio Azevedo.
Entenda o caso
As expectativas em torno da assembleia da CBV cresceram depois das denúncias de que dirigentes da entidade teriam recebido comissões de R$ 10 milhões cada, num total de R$ 20 milhões, por intermediar as negociações de patrocínio entre a CBV e o Banco do Brasil, patrocinador da entidade.
Segundo as denúncias feitas por reportagens da ESPN Brasil os beneficiários teriam sido o ex-superintendente-geral da CBV, Marcos Pina, que renunciou ao cargo depois do início da crise; e o atual diretor-geral da FIVB, Fábio André Azevedo. Os valores teriam sido depositados em empresas pertencentes a eles.
Fonte: Globo Esporte