O português José Mourinho não vai entrar em campo no Parque dos Príncipes nesta quarta-feira, no duelo entre Paris Saint-Germain e Chelsea, mas é nele que o comandante do ataque do time francês, Ibrahimovic, vai pensar quando encarar os ingleses, a partir de 15h45m (de Brasília). No primeiro jogo pelas quartas de final da Liga dos Campeões, os dois são protagonistas de um confronto que promete ser o mais equilibrado da fase e envolve oito brasileiros: Oscar, David Luiz, Willian e Ramires pelos Blues, e Thiago Silva, Alex, Maxwell e Lucas pelo PSG, além de Thiago Motta, naturalizado italiano.
– Como treinador de clubes, Mourinho venceu tudo. Vocês não o conhecem como pessoa, eu tive a sorte de conhecer e posso dizer que é uma boa pessoa. É um ótimo treinador, sabe o que faz, sabe como lidar com os jogadores e sabe o que é preciso fazer para vencer – disse Ibrahimovic na entrevista coletiva de terça-feira, sobre o seu treinador no Internazionale, em 2009.
Ibrahimovic e Verratti no último treino do PSG antes das quartas: de olho no primeiro título da Champions (Foto: AFP)
A admiração é recíproca.
– Eu e Ibra trabalhamos bem juntos, nunca tivemos problemas. Simplesmente não concordei quando ele quis sair do Inter de Milão, mas tivemos uma boa relação porque é um jogador com um grande ego, mas também tem grande ambição, força de vontade e profissionalismo. É sempre fácil trabalhar com jogadores assim – observou o técnico do Chelsea.
José Mourinho busca seu terceiro título da Liga dos Campeões: respeito ao ego do ex-comandado (Foto: Reuters)ENCONTROS E DESENCONTROS
Mas a relação de estima e amizade que existe entre os dois passou por fases ruins, em que ambos duvidaram um do talento do outro. Em 2009, quando Mourinho treinava o Inter, Ibrahimovic era o astro do time que sonhava conquistar a Liga dos Campeões. O sueco triunfou no Campeonato Italiano, sendo artilheiro com 25 gols, mas o time de Milão caiu nas oitavas de final do torneio europeu diante do Manchester United, de Cristiano Ronaldo, autor do gol decisivo. Naquela edição, Ibra marcou apenas uma vez em sete partidas. Nos anos anteriores, suas médias eram igualmente baixas na Europa e altíssimas em competições nacionais. Em termos de troféus, o jogador coleciona nove em 13 campeonatos disputados, mas nenhum título continental de expressão.
– Para vencer esta competição, falta alguma coisa a este time. Não temos jogadores como Cristiano Ronaldo, que fazem toda a diferença – disse Mou após o fim do confronto com o United, em 2009, em comentário que não caiu bem para Ibra, que decidiu a partir da eliminação que iria deixar o clube italiano ao fim da temporada.
A relação entre Mou e o sueco esfriou após a eliminação da Champions, e Ibra trocou o Inter pelo Barcelona, na negociação que envolveu a ida de Eto'o para Milão. Na sua biografia, o sueco descreve o último contato com o português no time italiano enquanto estavam concentrados em Los Angeles na pré-temporada da seguinte forma.
– Vou para o Barcelona para vencer a Champions – disse o sueco na despedida.
Mourinho rebateu
– Mas por que você não fica aqui e vence conosco? Porque você vai, mas nós vamos vencer a Champions este ano, Zlatan.
Ibrahimovic na época de Barcelona: fracasso antes de evolução ano a ano (Foto: agência EFE)Meses depois, as previsões de Mou se confirmaram. O Barça de Guardiola e Ibra foi eliminado nas semifinais pelo Inter, que levou o título depois de vencer o Bayern na decisão, na segunda conquista do português no torneio – tinha sido campeão pelo Porto, em 2004. O atacante sueco falhou, uma vez mais, no seu sonho europeu.
Para trás ficaram momentos amargos que hoje o sueco e o português fazem questão de esquecer. Para Mou, Ibra não era o campeão decisivo que o Inter precisava naquele momento para vencer a Champions. E o artilheiro, por mais que gostasse de trabalhar com o técnico, não acreditava que pudesse triunfar na Liga dos Campeões com o time italiano. A história mostrou que o jogador estava errado. Mas, feitas as contas, a passagem pelo Barcelona marcou uma mudança definitiva na carreira do atleta.
Ibrahimovic comemora gol pelo Milan: temporadas no time rubro-negro marcam volta por cima do artilheiro (Foto: AFP)
Depois do time espanhol, o sueco melhora a cada ano o seu rendimento. Pelo Milan, em 2010, Ibra fez 21 gols. Na segunda temporada, aumentou a conta para 35. No primeiro ano pelo PSG, repetiu os 35. Em 2013/14m alcançou a sua melhor marca até o momento: 40, sendo dez na Champions, ficando a três do artilheiro Cristiano Ronaldo, do Real Madrid.
O Ibra de hoje nada tem a ver com aquele que Mourinho se despediu em 2009. O Barcelona transformou o atacante sueco num dos melhores atacantes do mundo, cada vez mais perto de realizar o seu grande sonho.
– Vencer a Champions com o PSG é a minha última oportunidade.
Palavra de Ibrahimovic.