Ninguém pode dizer que Ricardinho não lutou pela classificação do Maringá à próxima fase da Superliga nesta quinta-feira, em jogo contra o Cruzeiro, no Ginásio Chico Neto. O capitão se atirou no chão, fez cara feia para o adversário, discutiu diversas vezes com a arbitragem, abraçou forte os companheiros de time a cada ponto ganho. A equipe criada por ele nesta temporada, porém, sucumbiu à força do campeão mundial Cruzeiro e perdeu por 3 sets a 1, com parciais de 21/17, 21/18, 16/21 e 21/14.
Os mineiros já haviam vencido o primeiro jogo da série das quartas de final por 3 a 0, no Ginásio do Riacho, em Contagem (MG), e agora enfrentam um clássico contra o Minas nas semifinais. O rival eliminou o atual campeão Rio de Janeiro, também com duas vitórias na série.
Mais uma vez, a maior torcida de competição na fase classificatória, com público total de 42.473 pagantes, lotou o ginásio maringaense. A pressão surtiu efeito e provocou erros incomuns aos mineiros - o Maringá logo abriu 3 a 0 no começo da partida.
Os paranaenses, porém, erraram muitos saques durante o duelo e não tiveram força suficiente para frear o poderoso ataque cruzeirense. O oposto Wallace, com 14 pontos, e o central Éder, eleito o melhor em quadra, foram os destaques do arsenal comandado pelo levantador William.
A derrota, no entanto, não abalou Ricardinho. O campeão olímpico afirma que, mesmo com a queda, a temporada foi de vitória para a equipe que criou.
- Eu estou muito contente, independentemente do resultado de hoje. Não consigo falar de um jogo quando vejo tudo o que aconteceu neste ano. Sempre frisei que meu objetivo era ver esse ginásio lotado, com famílias, com um povo que ama o vôlei e tudo que ele proporciona. É difícil você sonhar com algo tão grande. Eu sonhei e aconteceu. A torcida realizou meu sonho, diz.
Ricardinho se emocionou no final do jogo
Após o fim da partida, Ricardinho empunhou o microfone do narrador da ginásio e não escondeu a emoção: "Só tenho a agradecer. Vamos fazer de tudo para que tudo isso continue por um bom tempo". O capitão e presidente do Maringá ressalta que o projeto continua na próxima temporada, com mais investimentos ainda, segundo ele.
- Eu não vou parar, não vou ter férias. O trabalho como dirigente começa firme agora e quero que ano que vem a equipe esteja ainda mais competitiva. Agradeço muito aos patrocinadores e ao prefeito [Carlos Roberto] Pupin. Sem eles, nada disso aconteceria. Enquanto eu tiver forças, vou lutar por essa torcida e por cada um que torce por nós.
Rival na quadra e amigo fora dela, o levantador do Cruzeiro William parabenizou o trabalho feito por Ricardinho. Segundo ele, a torcida impôs muita dificuldade para os mineiros, o que foi superado pela experiência e pela tranquilidade do time multicampeão.
- Jogar aqui [em Maringá] é muito complicado, mas ao mesmo tempo é muito bom. É a maior torcida da Superliga e eles pressionam muito mesmo. Tivemos que jogar com paciência, usando nossa experiência, para administrar isso. Dá pra notar que a cidade é apaixonada por vôlei e isso fortalece todo o esporte. Esperamos que o projeto siga forte. O Ricardo está de parabéns, elogia.

Fonte: Globo Esporte