O longo jejum do polo aquático masculino do Brasil sem disputar uma edição dos Jogos Olímpicos tem data marcada para acabar. Com vaga garantida por ser anfitriã, a seleção brasileira voltará a disputar a competição em 2016, depois de 30 anos afastada, desde Los Angeles 1984. O sonhado retorno tem inspirado jogadores brasileiros e estrangeiros. Há três anos morando e competindo em São Paulo, o cubano Ives Gonzalez é um dos gringos que busca a naturalização para defender a equipe verde e amarela no Rio.
- Eu gostaria de jogar pela seleção do Brasil em 2016. Daqui até lá, ainda tem muita estrada. Mas a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) está interessada em ajudar não só na repatriação dos brasileiros como na naturalização dos estrangeiros. Acho que a seleção tem muito a ganhar com a ajuda dos gringos - opinou.
Ives Gonzalez está há três anos defendendo o Pinheiros (Foto: Ricardo Bufolin / Pinheiros)
Durante dez anos, o central foi um dos destaques da seleção de Cuba de polo aquático. No Pan de Winnipeg 1999, ajudou seu país a conquistar a medalha de prata. Há três anos, porém, sua vida mudou de rumo quando se casou com uma brasileira. Ives recebeu convite para jogar na Espanha na mesma época, mas acabou optando em encarar uma nova fase no país da amada. Hoje, já totalmente ambientado, se sente pronto para defender o Brasil.
- Já estou aqui há três anos, sou casado com uma brasileira, tenho trabalho fixo aqui. Esse são requisitos importantes que exigem para a naturalização. Eu tenho todos eles. Já dei entrada na documentação. Só falta mesmo agora eu pegar o meu passaporte de brasileiro – explicou o jogador do Pinheiros, de 33 anos.
Jogador cubano quer competir pelo Brasil em 2016 (Foto: Ricardo Bufolin / Pinheiros)O desejo de Yves e de outros estrangeiros de defender a seleção brasileira em 2016 é bem aceito e até incentivado pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Além do cubano, a entidade está correndo atrás da naturalização do croata Josip Vrlic, do sérvio Slobodan Soro e da repatriação de Felipe Perrone e Tony Azevedo, que são nascidos no Brasil, mas defendem as seleções da Espanha e dos Estados Unidos, respectivamente.
No início deste ano, Ives já foi convidado para se concentrar com a seleção brasileira e disputar os jogos amistosos marcados contra a Holanda. Nesta mesma oportunidade, o cubano teve o primeiro contato com o novo técnico do Brasil, o croata tetracampeão olímpico Ratko Rudic. O melhor treinador do mundo na modalidade foi contratado com objetivo ousado de, com a ajuda dos reforços gringos, levar o país anfitrião ao pódio dos Jogos Olímpicos.
Ives (último em pé à direita) participou de amistosos contra a Holanda em janeiro (Foto: Divulgação / CBDA)
A dedicação à seleção brasileira, no entanto, ainda não é total. Além de ser uma das peças importantes do time do Pinheiros, o central é professor das turmas de categoria de base do clube paulista (10 a 12 anos). O cubano lamenta não poder ser apenas atleta, mas também vê pontos positivos em dar aulas para os futuros jogadores.
- Por um lado, é difícil. O atleta de ponta precisa de descanso. É bem complicado ter que se dividir. Mas, por outro, dando aula eu acabo treinando também. E é legal poder passar um pouco da minha experiência para a garotada - comentou.