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Rui Costa admite que gestão de ACM Neto pressiona governo do estado
O pré-candidato do PT ao governo do estado e secretário estadual da Casa Civil, Rui Costa, foi o entrevistado desta semana do Bocão News. O petista comentou as ações do governo Wagner e criticou alguns pontos que considera deficientes da gestão. Citou a segurança pública – alertando que é um problema nacional – e a necessidade de “enxugar a máquina”.
Rui Costa minimizou a resistência interna enfrentada dentro do próprio Partido dos Trabalhadores e garantiu que o partido caminhará unido para elegê-lo.
Apesar de fazer questão de enaltecer o projeto que, segundo ele, está mudando a Bahia, Rui Costa também não abriu mão de alfinetar a oposição. O petista, ao justificar os atrasos nas obras da atual gestão, fez questão de lembrar as “obras atrasadas de Geddel”, no período em que o peemedebista era ministro da Integração Nacional.
Outro ponto de destaque da entrevista foi quando Rui Costa assumiu que o desempenho do prefeito ACM Neto em Salvador “serve de estímulo” para a gestão estadual se dedicar e trabalhar mais.
A polêmica votação do IPTU na Câmara Municipal de Salvador também não ficou de fora. Especialmente, o posicionamento de cinco vereadores da bancada petista que, à época, votaram a favor do projeto e agora entram com uma ação numa tentativa de suspender a cobrança do tributo da capital.
A disputa entre o PP e o PDT para emplacar o candidato a vice-governador na chapa petista também foi debatida, inclusive, estabelecendo um prazo para a definição.
O pré-candidato, em vários momentos da entrevista, fez comparações com o futebol. Ao elogiar a capacidade de ACM Neto, disse: “quando um craque tem alguém que pode substituir do lado de fora, ele corre mais”. Para finalizar, ao destacar as suas características para ser governador da Bahia, se posicionou como atleta “de meio de campo, para jogar de cabeça em pé e olhar para toda a Bahia”.
Bocão News - Vamos começar a falar sobre o plano de governo que está sendo desenhado. É mais fácil fazer um plano de governo estando no governo, não é?
Rui Costa - Eu diria que estar no governo você tem a possibilidade de analisar tudo o que foi feito, fazer um balanço, e, em cima do pavimento feito, projetar uma nova Bahia, a Bahia dos sonhos dos baianos. É isso que está sendo feito. Estamos repensando a partir da base que foi feita em cima da base construída pelo governador Jaques Wagner. Não digo que é mais ou menos difícil. É uma experiência inédita e nós estamos fazendo isso de forma participativa, do ponto de vista pedagógico. Eu diria que as regiões do estado, cada segmento e cada cidadão, na verdade, hoje ele quer ser ator principal, quer ser ouvido, opinar e ver sua ideia debatida e analisada. É isso que estamos fazendo nesse momento. Ouvindo a opinião de todos. Fazendo um processo denso e maduro em que o estado inteiro possa participar, militantes e pessoas que não fazem parte de partido que desejam contribuir.
Bocão News - Esse modelo participativo vem se incrementando a partir das conferências. Hoje, podemos dizer que a política de estado na Bahia funciona dessa forma participativa mesmo?
Acho que é o momento de consolidar a participação do cidadão. O cidadão quer ter voz. A partir do governo Jaques Wagner, nós fizemos conferências para todas as áreas de governo com ampla participação. Eu mesmo conduzi o primeiro PPA (Programa Plurianual) e nós tivemos a participação de 40 mil pessoas em todo o estado, o que prova a vontade das pessoas em opinar sobre o destino do seu estado. Por outro lado, se o que foi sugerido e discutido ali não for implementado, a cobrança é maior.
Isso é bom porque você vincula o voto, cada vez mais, ao programa de governo e as propostas e não a outras questões que eram vinculadas no passado e que faziam tanto mal ao Brasil e à Bahia. O voto tem que estar cada vez mais vinculado ao programa de governo. Isso faz bem para a Bahia.
Bocão News - Quando o seu nome foi anunciado como o candidato do PT, houve muita resistência, inclusive, dentro do Partido dos Trabalhadores. O senhor considerada que essas arestas já foram completamente aparadas?
Não tenho menor dúvida disso. Estamos fazendo várias reuniões, inclusive com a participação do Gabrielli, do Luiz Caetano, do Walter Pinheiro e essa é uma característica do Partido dos Trabalhadores há muita discussão e às vezes muita disputa, mas quando se toma uma decisão todos partem, unidos, e isso que está acontecendo agora no estado e essa união tem propiciado uma participação muito ativa nessa caminhada.
Bocão News - Hoje como está o diálogo dentro da base. O PT tem nove partidos que já declararam apoio. PP e PDT disputam a vaga de vice-governador na chapa. Existe um prazo para essa resposta ser dada e acabar essa agonia? E como está a conversa para harmonizar?
O prazo é a semana após o carnaval. O carnaval termina na quarta-feira de cinzas e na semana seguinte reuniremos as lideranças para que possamos anunciar. Ou de forma unitária e consensual ou o governador arbitra a partir de critérios definidos por ele e pelas representações partidárias.
Bocão News - Quais são esses critérios?
Os critérios serão muitos: tempo de televisão, tamanho de bancada estadual e federal, número de prefeito e prefeita, capacidade do candidato ampliar para outros partidos, opinião dos outros partidos que compõem a base governista, enfim, um somatório de critérios que o governador vai se balizar se, até lá, não chegarmos a um acordo.
Bocão News - Como o senhor vê a ameaça do PP de sair da base, caso Marcelo Nilo seja o indicado para ser o seu vice?
Não acredito na possibilidade de divergências, com saída de partido da base. Todos estão, legitimamente e politicamente, lutando por aquilo que acreditam. Tanto o PP quanto o PDT entendem que merecem um lugar na chapa na condição de vice-governador. Eu tenho absoluta confiança e convicção que os dois partidos, tanto o PP quanto o PDT, colocam em primeiro lugar a aliança política e o projeto político em curso. Eu tenho certeza que nenhum dos dois partidos vai sair da aliança e do projeto por conta de, eventualmente, não ser indicado.
Bocão News - O senhor teve uma participação decisiva no primeiro governo Wagner, na Serin. Muito se critica a política de atração de novos parceiros e aliados para ampliar a base. Como manter e qual o desafio nessa próxima gestão, caso seja eleito, de manter uma linha progressista?
A ampliação não tem problema, desde que você mantenha seus valores, seus princípios e o lugar que você quer chegar. Nós queremos construir uma Bahia de oportunidades, uma Bahia de inclusão social, uma Bahia em que possamos nos orgulhar. Nós estamos, ainda, construindo esta Bahia. Não chegamos lá ainda, mas os indicadores e as condições de vida do povo baiano e o povo brasileiro têm melhorado muito nos últimos anos. 40 milhões de pessoas deixaram a condição de extrema pobreza. Só aqui na Bahia, 3,5 milhões de pessoas. Isso nos orgulha e nos motiva para continuar trabalhando. Nós fizemos essa estrutura com a parceria de diversas forças políticas que, no passado, não estavam conosco. Eu acho que a sabedoria é essa: juntar as pessoas diferentes com o mesmo objetivo. Eu acredito muito e, para facilitar o entendimento das pessoas, em comparar com o futebol. Se você montar um time só com goleiros, você provavelmente vai perder. Se montar com 11 centroavantes, também não irá ganhar uma partida. Um bom time é formado por jogadores com características diferentes, com o objetivo de vencer. É este objetivo que vamos buscar manter no governo. Se permitirmos que as vaidades pessoais tomem o primeiro plano, a derrota é certa. Cito como exemplo a seleção de 82. Foi a melhor seleção que vi jogar, mas perdeu. A meu ver, porque cada jogador quis ser uma estrela solitária.
Bocão News - Qual o limite da ética nessa tentativa de atração? O deputado Lúcio Vieira Lima nos deu entrevista, recentemente, e acusou o Partido dos Trabalhadores de fazer essa tentativa de atração de uma forma não muito ética. Disse que o PT trouxe prefeitos de outros partidos de uma maneira muito questionável, do ponto de vista moral e ético. Como que está sendo feita essa relação?
O primeiro compromisso é com a honestidade, de sinceridade com as pessoas, e que as ações do governo sejam pautadas em melhorar as condições de vida do povo baiano. Esses são os elementos que estruturam qualquer relação política. Então, se um prefeito ou um deputado quer estabelecer uma relação política, você vai estabelecer com ações que visam melhoras à vida do povo. Se no passado algum prefeito já trocou voto para fazer a estrada da fazenda dele, colocar energia na casa, ou fazer qualquer tipo de favor pessoal, isso não é uma aliança baseada no interesse público. Mas, se um prefeito pede uma obra para um bairro pobre dessa cidade, se um deputado faz reivindicações para as suas bases, mas vai atender a população mais carente, isso é legítimo e faz parte do jogo da política. O que, na minha opinião, foge à regra é quando você, para atrair algum aliado, transforma uma ação pública numa ação para benefício pessoal.
Bocão News - Dos principais pré-candidatos ao governo do estado, o senhor é o único que ainda não disputou uma eleição majoritária. Acredita que o fato de ainda ser desconhecido do grande público pode ser uma vantagem na próxima eleição?
Acredito que isso é uma vantagem porque eu vou ter a oportunidade de mostrar o jeito que eu sou, o jeito que eu penso e o que eu quero fazer para os baianos e baianas. Evidentemente, tudo isso em cima de um projeto que o governador Jaques Wagner pavimentou. Eu considero isso como uma vantagem porque a população dá, cada vez mais, um sinal claro de que quer fazer uma renovação na política, colocando para ser prefeito e governador pessoas que, até então, nunca disputaram uma chapa majoritária e que a população considera nova na política para que haja um processo de modernização da política.
Bocão News - Boa parte das pessoas que fazem oposição ao governador Jaques Wagner comemorou e externou contentamento quando seu nome foi indicado para liderar a chapa prevendo que seria mais fácil vencê-lo. A que você atribui e como você encarou essas declarações?
Eu fiquei até feliz quando vi. Feliz e motivado como aquele time que vai entrar em campo e o adversário acha que já ganhou e está comemorando antes mesmo da partida começar. Todos nós que presenciamos quem se comporta assim está muito perto da derrota. A humildade, em qualquer situação, em qualquer atividade humana, é sempre uma excelente companheira. Eu, desde guri, nasci num bairro muito pobre, na Liberdade, e aprendi desde cedo que qualquer ser humano, antes de tudo, tem que ter humildade. Não tem ser humano, nem o mais rico, nem o mais inteligente, que nunca tenha precisado e nunca vá precisar da ajuda de outras pessoas. Eu tenho muita humildade ao entrar nessa eleição. Respeito muito qualquer que seja o meu adversário da oposição. Essa decisão cabe somente ao eleitor. Até o dia da eleição, ele tem uma opção de voto. Até o último momento ele está decidindo e absorvendo informações. Aquele que acha que o eleitor já decidiu e, portanto, pode desprezar a vontade do eleitor, corre um grande risco de perder as eleições.