O menor de idade suspeito de ter empurrado João Marcello Lago, de 27 anos, da Pedra da Gávea, na Zona Sul do Rio, negou o fato, de acordo com seu advogado, Carlos Fernando Maggiolo.
"Ele nega. Ninguém viu ele empurrar, aquilo foi um a cidente, ele [João Marcello] deve ter passado mal, ou escorregou. No momento em que os depoimentos são confrontados, se percebe isso", disse Maggiolo.
O advogado vai pedir nesta sexta-feira (11) que o juiz desconsidere o mandado de busca e apreensão.
O menor se entregou na final da tarde desta quinta-feira (10) na 16ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, Zona Oeste. Segundo o advogado, a Justiça determinou que o menino, de 12 anos, fosse apreendido para preservar sua integridade física.
João Marcello morreu após cair da Pedra da Gávea, na Zona Sul do Rio. O corpo dele foi encontrado por bombeiros no sábado (5). A mãe da vítima já havia dito, na segunda-feira (7), que a polícia acreditava que um menor de 12 anos – acolhido por João – é o principal suspeito da morte do filho. O menor tinha sido levado para casa por João antes do passeio. De acordo com Marcia Valentina Vieira, o menor é suspeito de empurrar João do alto do ponto turístico para roubar o celular e a bicicleta dele. Procurada pelo G1, a Polícia Civil informou que o caso está sob sigilo e não deu detalhes da investigação.
Segundo a polícia, os dois teriam saído para fazer o passeio em 1º de julho e a família teria registrado o sumiço de João Marcello na noite seguinte. A administração do parque, onde a pedra fica localizada, lamentou o ocorrido, mas afirmou que foi uma infeliz coincidência o crime ter acontecido na Pedra da Gávea. Ainda segundo eles, o caso poderia ter acontecido em qualquer outro lugar da cidade, pois trata-se de uma questão pessoal entre os envolvidos.
Vítima tinha 'adotado' menores
João Marcello tinha levado dois menores, moradores de rua, para sua casa havia duas semanas e os tratava como se fossem da família. Ele morava com a mãe na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade. De acordo com Marcia, o outro menino, mais novo, não é apontado como suspeito. Ele teria, inclusive, devolvido a bicicleta roubada à família.
Abalada, a mãe se disse surpresa com o desfecho da história que começou com um ato de caridade de João Marcello. No entanto, Marcia contou que já havia alertado o filho sobre o perigo de acolher dois meninos desconhecidos em sua própria casa.
"Ele dizia que era o pai dos garotos, e eu dizia que não é assim que se cria. Ele levou os dois para dentro de casa. Falei que deveríamos ajudar, mas não desta forma. Mas jamais pensei que ele [o menor de 12 anos] ia ter essa maldade de fazer o que fez", disse a mãe na segunda-feira na porta da 16ª DP (Barra da Tijuca), onde o caso está sendo investigado.
Fonte: G1.com