RIO — A Comlurb quis saber e recebeu a comprovação do que já saltava aos olhos dos cariocas: mesmo em condições normais, sem paralisação de garis, o Rio não passa no vestibular da limpeza urbana. Os primeiros resultados de um programa inédito, criado para medir o acúmulo de lixo na cidade, não são nada animadores: numa escala de zero a cem, a cidade ficou com nota 43,2 no Índice de Limpeza Urbana — que indica que o aspecto das ruas não anda nada bom.
Desenvolvido pela empresa de consultoria Accenture, a pedido da Comlurb, o programa tem como base iniciativas bem-sucedidas de cidades como Londres, Amsterdã, Tóquio, São Francisco e Miami. Os primeiros resultados, ainda em fase de validação, foram compilados de agosto de 2013 a 18 de janeiro passado por 15 funcionários do programa Lixo Zero, deslocados exclusivamente para fazer o levantamento. Munidos de máquinas fotográficas, eles atribuíram, por amostragem, notas a logradouros e praças. A cada 20 metros de rua, fizeram avaliações de acordo com critérios previamente estabelecidos. Se encontrassem papeleiras abarrotadas de lixo, a nota era baixa. O mesmo acontecia se houvesse papéis jogados no chão, bueiros entupidos e ruas enlameadas.
O próximo passo da prefeitura é concluir a pesquisa na Zona Oeste — até agora, apenas o bairro de Realengo foi contemplado — e estabelecer uma meta para 2014.
— Estamos treinando nossos funcionários e calibrando o modelo. Em Londres, esse índice está na casa dos 80. No Brasil, ainda não dá para fazer uma comparação, pois não há cidade que tenha adotado um índice do tipo — disse o presidente da Comlurb, Vinícius Roriz.
Na avaliação dele, mais do que lamentar a nota, o importante é celebrar o fato de que pela primeira vez o Rio tem um ponto de partida para estruturar políticas e ações para mudar o quadro de sujeira pública:
— Não tínhamos um instrumento sério para medir justamente a nossa função, que é garantir a limpeza urbana.
Os resultados prévios indicam que será preciso melhorar muito a limpeza em todos os bairros da cidade. A maior nota foi atribuída à Zona Sul: 48,9. A região da Barra da Tijuca (40,7) e a Zona Norte (40,4) ficaram com patamares semelhantes. A Zona Oeste ainda não pôde ser avaliada, pois só houve aferição em Realengo (nota 47,1).
De acordo com César Pili, diretor da consultoria Accenture, os dados ficarão disponíveis para consulta da população na internet.
— A ideia é que, com base nas medições, o Rio vá melhorando paulatinamente. O importante é o cidadão se perceber fundamental nesse processo.
Vereadora questiona orçamento
Ontem também, a vereadora Teresa Bergher (PSDB) informou que vai encaminhar um requerimento de informações à prefeitura para saber o número de cargos e as funções da Comlurb. O orçamento da empresa dobrou de 2009 para 2014 (pulou de R$ 703 milhões para R$ 1,4 bilhão). Do total previsto para este ano, 46% se referem a gasto com pessoal.
— Será que há cargos de mais nos gabinetes e gente de menos segurando a vassoura? Ou dinheiro de mais para a turma do ar-condicionado e de menos para a atividade-fim, que é limpar as ruas? — perguntou ela.

Fonte: Globo