Lutador com vasta experiência nas artes marciais, tendo passado inclusive pelo auge do extinto Pride, Cristiano Marcello é firme quando o assunto é a fidelidade de um atleta a uma equipe. Sob o argumento da necessidade de ter uma "raiz", o carioca não vê com bons olhos aqueles que ficam "pulando de galho em galho". Entretanto, hoje à frente da CM System, em Curitiba (PR), o peso-leve vez por outra recebe lutadores de diferentes academias, como foi o caso do peso-pena do UFC Kevin Souza, que se juntou à equipe há um mês.
- O Kevin é um menino que vejo um grande futuro para ele profissionalmente. Tem enorme potencial, é agressivo e bom em pé. Eu encontrei com ele antes da virada do ano e ele já não estava treinando no time dele de antes (Team Tavares). Ele falou comigo sobre me ajudar com a minha luta, veio ajudar no camp e a gente tá deixando ele bem à vontade para tomar a melhor decisão para ele. Se ele quiser mesmo ficar, vai ser ótimo - disse Cristiano Marcello em entrevista pelo telefone ao Combate.com.
Além de atualmente estar à frente da CM System, Cristiano teve apenas duas "casas" em sua carreira: A Academia Gracie, que saiu por não ter na época MMA, e a Chute Boxe. Mesmo tendo sido fiel às equipes, e sem querer criar polêmica com outras academias, o peso-leve não vê com naturalidade a prática de lutadores mudarem constantemente de time.
- Eu não vejo com naturalidade o cara ficar mudando toda hora. Quando chega alguém aqui na CM que nós sabemos que ele fica mudando muito, a gente fica com pé atrás. Acho que o cara tem que ter a sua raiz. Por outro lado, você não pode ficar em um lugar que não te dá uma estrutura de trabalho, o que não era o caso do Kevin Souza com a outra equipe. Você tem que procurar o melhor para você. Eu tive só duas casas e tenho minha história, minha raiz lá. Mas a academia tem que te proporcionar o melhor para o seu crescimento profissional - afirmou o peso-leve.
Estrutura que, segundo Cristiano Marcello, não tem faltado na CM System, o que acarreta na concentração em um lugar só do seu camp para a luta contra Joe Proctor, dia 15 de fevereiro em Jaraguá do Sul (SC). Para o lutador, as condições de seu treinamento estão em um nível tão alto que representantes da conceituada Team Alpha Male, nos Estados Unidos, prometeram fazer camp com ele quando vierem ao Brasil.
- Eu tenho uma parceria muito forte com o (Fabio) Pateta, com o (Urijah) Faber e com o Duane (Ludwig) da Team Alpha Male. Acredito que eles vejam a CM System como a casa deles aqui no Brasil e a tendência é vir mais gente treinar com a gente aqui. O meu adversário mesmo, se não fosse lutar comigo, estaria aqui agora. Já fui córner do Benavidez, do TJ Dillashaw e do (Daron) Cruickshank, então a relação com os estrangeiros é muito boa. E para a luta contra o Proctor está tudo correndo muito bem. Já estou muito perto do peso ideal e mantenho minha força nos treinamentos. Nunca tive uma preparação tão boa e tive uma evolução muito grande no muay thai, no wrestling com o (Marcelo) Zulu e tive o acompanhamento espetacular com meu preparador físico e o médico. Estou muito tranquilo e focado só na luta, já que conto com meu sócio Crisanto para tocar a academia nesse período. Posso fazer tudo aqui sem precisar sair para treinar em outros lugares do mundo - comentou Cristiano Marcello.

Fonte: Combate